PL, Novo e Podemos somam 158 deputados eleitos, enquanto PT, PSOL e PSB reúnem 99; composição indica os desafios de Lula para negociar com o Congresso a partir de 2027 A nova composição da Câmara dos Deputados mostra a força da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ajuda a dimensionar os desafios políticos do quarto mandato, que se inicia no ano que vem.
O PL, o Novo e o Podemos elegeram juntos 158 deputados, enquanto PT, PSOL e PSB somam 99 cadeiras. O resultado reforça a presença de partidos oposicionistas no Legislativo, mas não significa que haja votos suficientes para votar matérias importantes ou até mesmo um eventual pedido de afastamento.
Lula foi reeleito no domingo (25), mas só tomará posse para o quarto mandato em 5 de janeiro de 2027. Os deputados federais eleitos, por sua vez, assumem em 1º de fevereiro, e logo em seguida escolhem o novo presidente da Casa, que tem como missão definir a pauta e o andamento de matérias prioritárias, e até mesmo decidir sobre processos de impeachment.
O PL terá a maior bancada da próxima legislatura, com 121 deputados. O Podemos elegeu 27 parlamentares, e o Novo, dez.
Entre os partidos do campo de apoio ao presidente, o PT terá 70 deputados, o PSOL, 14, e o PSB, 15. A soma das bancadas é uma referência para entender a correlação de forças no Congresso, mas não representa uma divisão fixa entre governistas e oposicionistas, já que os parlamentares podem votar de maneira diferente conforme o tema.
Sem falar que entre oposição e base aliada ao governo se encontra o Centrão, conjunto de partidos que, segundo cientistas políticos, se comportam de forma mais pragmática e votam de acordo com interesses do momento. A Câmara tem papel decisivo em um eventual processo de impeachment do presidente da República.
Conforme o artigo 51 da Constituição Federal, cabe aos deputados autorizar, por dois terços dos integrantes da Casa, a instauração de processo contra o chefe do Executivo. Isso corresponde a 342 dos 513 deputados federais.
Somadas, as bancadas do PL, Novo e Podemos ficam 184 votos abaixo desse patamar. Para alcançar os 342 votos, uma eventual iniciativa precisaria conquistar apoio de parlamentares de outras legendas.
A oposição, portanto, não alcança sozinha o quórum constitucional com essas três bancadas. A presidência da Câmara também tem influência importante sobre a tramitação de denúncias.
O recebimento e o encaminhamento dos pedidos seguem a legislação e o Regimento Interno da Casa. Por isso, além dos votos em plenário, a disposição política da presidência e a capacidade de articulação dos partidos são fatores relevantes para que uma denúncia avance.
O histórico recente mostra que protocolar um pedido não significa que um processo será aberto. Durante o terceiro mandato de Lula, parlamentares apresentaram solicitações de impeachment, mas elas não terminaram com a autorização da Câmara para a instauração de um processo.
Em 2023, parte dos requerimentos foi arquivada automaticamente com a mudança de legislatura, enquanto outros aguardavam análise da presidência da Casa, segundo levantamentos publicados à época. O cientista político Waldir Pucci, da Universidade de Brasília (UnB), avalia que Lula terá dificuldades para aprovar medidas e negociar com os parlamentares neste quarto mandato.
Ainda assim, o professor da Universidade de Brasília considera prematuro falar em impeachment neste momento. “Então eu acredito, sim, que será um Congresso hostil ao presidente”, afirma Pucci.
Sobre a possibilidade de afastamento, pondera que ainda é muito cedo para discutir ou cogitar um processo contra Lula. Na avaliação do cientista político, no entanto, a atuação do Centrão pode oferecer algum alívio ao governo.
De acordo com o analista, parte dos parlamentares desse grupo costuma negociar com diferentes administrações e pode apoiar propostas específicas em conjunto com partidos de esquerda, dependendo dos interesses envolvidos. Pucci ressalta, porém, que esse cenário não elimina os obstáculos para o Planalto.
A força da oposição, somada à necessidade de construir maiorias com partidos de centro, deve exigir negociações contínuas para aprovar projetos e manter apoio parlamentar. O mapa da Câmara mostra, assim, uma oposição expressiva, mas também evidencia a distância entre o tamanho dessas bancadas e o quórum necessário para autorizar um processo de impeachment, por exemplo.
Com o quarto mandato ainda por começar, a avaliação do cientista político é que o Congresso deverá impor dificuldades ao presidente. Transformar essa hostilidade em um processo de afastamento, entretanto, vai depender de articulação política, tramitação regimental e votos que, neste momento, não estão assegurados.
Tatiana Azevedo é repórter do ND Mais em Brasília e, como parte do Núcleo Nacional, cobre o cenário político da capital federal. Acompanha de perto as principais pautas do Congresso Nacional, Executivo e Judiciário, com foco em decisões que impactam diretamente o país.
Escreve matérias sobre os desdobramentos mais relevantes da política brasileira, traduzindo temas complexos de forma clara e precisa, em reportagens que conectam fatos, contexto e implicações à vida dos brasileiros. Também segue novidades envolvendo deputados federais, senadores, a presidência da República e outras figuras públicas.
Jornalista formada em Comunicação Social com ênfase em Audiovisual pela UniverCidade, no Rio de Janeiro, tem ampla experiência em rádio, televisão e jornalismo digital, incluindo passagens por emissoras públicas e privadas. Atuou em assessoria de imprensa no setor público e em grandes instituições, o que lhe proporcionou visão aprofundada sobre processos legislativos, políticas públicas e bastidores de Brasília.
Com vasta trajetória política, cobriu as Eleições 2002 pela Rádio Câmara e atuou no núcleo de rádio do TSE e na Rádio Justiça em 2010, além de anos de cobertura pela Rádio e TV Câmara. Leia mais ▾
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