Tragédia na Espanha: Número de mortos chega a 69, e socorristas usam guindastes e cães farejadores para buscar vítimas após colisão de trens; vídeos

Tragédia na Espanha: Número de mortos chega a 69, e socorristas usam guindastes e cães farejadores para buscar vítimas após colisão de trens; vídeos - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

Equipes de emergência passaram a noite trabalhando entre os destroços de dois trens de alta velocidade que colidiram na quarta-feira, na província espanhola de Toledo. Na manhã desta quinta-feira, os socorristas retomaram as buscas por possíveis vítimas presas sob os vagões, depois de uma operação noturna que incluiu a movimentação de uma das composições que havia caído por um talude.

O acidente deixou ao menos 69mortos e dezenas de feridos. Segundo o balanço mais recente do governo regional de Castilla-La Mancha, 53 pessoas continuavam hospitalizadas, enquanto outras 56 já haviam recebido alta.

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A operação mobiliza bombeiros, profissionais de saúde, policiais e integrantes da Unidade Militar de Emergências (UME), força especializada do Exército espanhol. Durante a madrugada, as equipes utilizaram drones térmicos para procurar possíveis sobreviventes entre as estruturas destruídas.

Com a chegada da luz do dia, a expectativa era ampliar as buscas com o auxílio de cães farejadores e avançar na remoção dos vagões. O trabalho é dificultado pela posição das composições e pela extensão dos danos provocados pelo impacto.

Parte dos vagões descarrilou e caiu por um barranco, enquanto a locomotiva do trem da Renfe se desprendeu do restante da composição. Imagens aéreas divulgadas pela Guarda Civil mostram estruturas retorcidas, vagões tombados e equipes de resgate trabalhando em diferentes pontos da área atingida.

A identificação das vítimas também avançava nesta quinta-feira. Segundo a Cadena SER, 52 corpos haviam sido encaminhados ao Instituto de Medicina Legal de Toledo, onde tinham sido realizadas oito autópsias até o início da manhã.

A juíza responsável pela investigação proibiu a entrada de pessoas não autorizadas na área do acidente e a retirada de objetos do local, para preservar vestígios que possam ajudar a esclarecer as circunstâncias da colisão. Áudios ajudam a reconstituir os minutos anteriores ao acidente

O acidente ocorreu por volta das 8h54 de quarta-feira, na linha de alta velocidade entre Madri e a Andaluzia, entre as localidades de Los Yébenes e Urda. Um trem AVE, da operadora pública Renfe, que seguia de Madri para Sevilha com 397 pessoas a bordo, atingiu a traseira de uma composição da empresa privada Iryo, que estava parada na via e transportava 147 passageiros.

Segundo o ministro dos Transportes espanhol, Óscar Puente, uma falha no sistema automático de segurança ferroviária LZB deixou cerca de 60 quilômetros da linha sem cobertura do sistema e provocou a parada de seis trens. O protocolo prevê que, nessas circunstâncias, a circulação seja retomada em modo manual, com velocidade limitada a 40 km/h.

A hipótese apresentada pelo governo é que o centro de controle de Atocha, em Madri, tenha autorizado a retomada da marcha em velocidade normal. De acordo com Puente, o trem da Renfe atingiu a composição parada a cerca de 205 km/h.

O ministro afirmou que a decisão de autorizar a retomada da circulação sem a limitação de velocidade prevista foi tomada pelo centro de controle e a classificou como “inexplicável”. A investigação deverá determinar como a falha técnica e as decisões operacionais contribuíram para a colisão.

Gravações das conversas entre os maquinistas e os operadores do centro de controle, divulgadas pela imprensa espanhola, ajudam a reconstruir a sequência de acontecimentos. Os registros indicam que o problema no sistema de sinalização foi identificado antes do acidente e que houve orientações para a retomada da marcha.

Ainda não há, porém, uma conclusão definitiva sobre as responsabilidades. Governo decreta luto e promete esclarecer causas

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, cancelou compromissos oficiais e foi à região para acompanhar a resposta à emergência. Ele afirmou que a investigação será conduzida até o fim e prometeu responsabilizar eventuais negligências, além de adotar medidas para recuperar a confiança no sistema ferroviário de alta velocidade do país.

O acidente ocorre nove meses depois de outra tragédia ferroviária em Adamuz, na província de Córdoba, que deixou 46 mortos. A repetição de acidentes graves reacendeu o debate sobre as condições de segurança e manutenção da rede espanhola, que tem cerca de 4 mil quilômetros de linhas de alta velocidade.

A circulação ferroviária entre Madri e a Andaluzia permanece interrompida. A Renfe também suspendeu operações entre a capital, Ciudad Real e destinos do sul do país.

Para atender ao aumento da procura por alternativas de transporte, a companhia aérea Iberia estabeleceu um limite para os preços de passagens com origem ou destino na Andaluzia até 8 de novembro.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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