The Natural One inicia conversa com investidor para vender fatia da Gávea

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Fonte da notícia: Globo Rural Globo Rural

A The Natural One, uma das maiores empresas de suco 100% natural do Brasil, dará início no fim deste mês a uma série de encontros com investidores a fim de vender, num primeiro momento, a participação minoritária detida pela Gávea Investimentos.

De acordo com uma fonte próxima às negociações, a venda viabilizará a saída da gestora do quadro de acionistas, encerrando um ciclo de quase dez anos da Gávea como sócia da fabricante de sucos. A The Natural One não descarta se desfazer de participação maior que a da Gávea, a depender das propostas que surgirem, conforme a fonte. Além de abrir caminho para a saída da gestora, a capitalização deve permitir à The Natural One reduzir sua alavancagem de forma mais barata do que pela emissão de dívida, em um momento em que a taxa básica de juros do Brasil, a Selic, a 13,75% ao ano, mantém o custo de empréstimos em dois dígitos. Os recursos também devem viabilizar uma nova fase de expansão da empresa nos mercados interno e externo. Procurada, a The Natural One disse que não comenta rumores de mercado. A reportagem tentou contato por e-mail com a Gávea Investimentos, mas não recebeu retorno até o fechamento desta edição. Fundada em 2012 por Ricardo Ermírio de Moraes, um dos herdeiros do Grupo Votorantim e -ex-presidente da Citrosuco, uma das maiores exportadoras de suco de laranja do Brasil, a The Natural One ultrapassou a marca de R$ 1 bilhão em faturamento em 2025, montante 65% superior ao que havia obtido três anos antes.

Com fábrica em Jarinu, a cerca de 70 quilômetros da capital paulista, a empresa gradualmente expandiu a presença de seus produtos para as gôndolas de supermercados de todo o país. Leia também Natural One fomenta cultivo de yacon no país Natural One estuda abrir fábrica de sucos na Zona Franca de Manaus A The Natural One também vem, desde 2018, trabalhando em seu processo de internacionalização. Começou com a exportação de suco para países da América do Sul e hoje alcança destinos na Ásia, como Hong Kong, Singapura, Tailândia, Filipinas, Indonésia e Malásia, além de México e Canadá na América do Norte e Angola, na África. Em entrevista no começo do ano ao Valor, o presidente-executivo da empresa, Rafael Ivanisk Oliveira, disse que as exportações geram cerca de 10% da receita total.

A expansão internacional foi um dos fatores que motivaram transformações recentes relevantes na empresa. Uma delas foi o ajuste do nome, incorporando o “The” ao anterior “Natural One”, a fim de conectar melhor a companhia com o consumidor externo. Outro movimento estratégico foi a aquisição, em 2024, de aproximadamente 6 mil hectares de pomares espalhados pelos municípios de Angatuba, Itatinga, Arandu, Buri e Capão Bonito, no Estado de São Paulo, e Ibiá, Medeiros e Tapira, em Minas Gerais.

Com os laranjais, a empresa se tornou autossuficiente em laranjas, de cujo suco vem metade de suas vendas. O investimento foi feito tendo em vista a expansão da empresa no mercado doméstico — era 24% em março deste ano, de acordo com dados da consultoria Scantech publicados na reportagem do Valor naquele mês — e a necessidade de minimizar oscilações dos preços internacionais do suco de laranja, decorrentes de grandes diferenças de produção entre uma safra e outra. Em março, Oliveira afirmou que ter a própria produção garantia maior estabilidade de preços aos consumidores, que não têm aceitado alterações expressivas dos valores.

A The Natural One ficou conhecida no mercado brasileiro por seus sucos 100% integrais, produzidos exclusivamente com o suco de frutas como laranja, uva, goiaba, manga e maçã, ou com combinações de frutas e verduras, como o suco verde, feito com limão, maçã, couve, espinafre, yacon — tipo de batata da Cordilheira dos Andes —, gengibre e capim-limão.

Em entrevistas publicadas recentemente, Oliveira havia manifestado interesse em expandir o portfólio para itens de baixa caloria e funcionais para o público infantil. A companhia já produz suco de laranja com teor reduzido de calorias. O executivo também havia comentado sobre o potencial de crescimento do consumo de sucos integrais no país, dos atuais 25% do total vendido para até 45%.

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