O cacau registrou forte queda na bolsa de Nova York, com um cenário de produção firme nos principais produtores mundiais da amêndoa. Os lotes com vencimento em dezembro fecharam em baixa de 3,2% nesta sexta-feira (16/10), para US$ 5.645 a tonelada. Segundo Lucca Bezon, analista de inteligência de mercado da StoneX, o principal vetor de queda para o fechamento de hoje está nos números de safra do Equador, o terceiro maior produtor de cacau do mundo.
“O Equador usualmente exporta 50 mil toneladas por mês. Em setembro, porém, esse volume saltou para 102 mil toneladas. Além disso, a produção saiu de 568 mil toneladas em 2024/25 para 650 mil no ciclo posterior que se encerrou em setembro. Os números reforçam que o mercado está abastecido no curto prazo”, disse Bezzon.
O país da América do Sul vem aumentando sua produção a cada ano, e já vislumbra ocupar o posto de segundo maior produtor do mundo, que hoje pertence a Gana, que na safra 2025/26 deverá produzir entre 650 mil a 700 mil toneladas de cacau. Por fim, o analista da StoneX lembrou que o aumento das moagens na Europa e na Ásia no terceiro trimestre podem indicar uma tentativa de recuperação da demanda por cacau. “Podemos estar diante de uma recuperação de demanda por subprodutos [do cacau] ou as indústrias processadoras aproveitaram o período de baixa para acelerar suas compras e recompor os estoques”, finalizou Bezzon. Café Em direção oposta ao cacau, o café avançou, novamente afetado pelo receio do El Niño para a produção. Os contratos do arábica para dezembro fecharam em alta de 3,66%, para US$ 3,0560 a libra-peso. Ao citar informações da Commercial, empresa de comercialização de café, a Barchart disse que o El Niño pode atrasar as chuvas no Brasil neste mês, período em que normalmente ocorre a floração das árvores, prejudicando a safra brasileira de café de 2026/27.
Além disso, o Ministério da Agricultura do Vietnã informou que o Planalto Central, maior região produtora de café do país, pode enfrentar uma seca provocada pelo El Niño ainda este ano e no início de 2027. Além da questão climática, a Hedgepoint Global Markets disse, em relatório, que a entressafra em outras origens e os baixos estoques nos países consumidores mantêm as preocupações com a disponibilidade imediata. “Embora a colheita 2026/27 deva ganhar ritmo em diversos produtores nas próximas semanas, os maiores volumes costumam chegar ao mercado entre dezembro e fevereiro”, destacou a consultoria. “A redução da participação de agentes comerciais e traders no mercado futuro também contribui para oscilações mais intensas diante de possíveis choques de oferta”, acrescentou a empresa.
Açúcar O preço do açúcar registrou baixa em Nova York após movimento de realização. Os lotes do demerara para março do ano que vem tiveram queda de 1,32%, a 20,85 centavos de dólar a libra-peso. Suco de laranja O suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) avançou na bolsa de Nova York. Os lotes para novembro fecharam em alta de 1,25%, negociados a US$ 1,4140 a libra-peso.
Algodão Os preços do algodão por sua vez, fecharam a sexta-feira em leve queda. Os lotes da pluma para dezembro caíram 0,07%, a 80 centavos de dólar a libra-peso.
Globo Rural