Tem um iPhone velho? Saiba como venci a 'obsolescência programada' da Apple

 

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Tenho um iPhone 12 Mini há mais de quatro anos e, obviamente, ele já apresenta nítidos sinais de desgaste. Mau contato na entrada do carregador, lentidões eventuais e uma bateria que sempre se despede antes do fim do dia já são companhias frequentes em minha rotina, mas, mesmo assim, não pretendo trocar de aparelho por agora. Um pouco por teimosia e um pouco porque, apesar dos defeitos, ainda considero o modelo um ótimo smartphone; mas principalmente por curiosidade: quero saber até onde consigo estender a vida útil de um celular atual.

Há quem diga, inclusive, que esse tipo de degradação ao longo do tempo não é natural, mas resultado de estratégias pensadas pelas fabricantes para estimular o consumo, em uma prática conhecida como “obsolescência programada”. Embora controverso, esse termo já foi utilizado contra grandes empresas, como a Apple, em debates jurídicos e de consumo. Nas linhas a seguir, entenda a discussão e saiba como sobrevivo com um iPhone 12 Mini em 2026.

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Tenho um iPhone 12 Mini até hoje; saiba como

Divulgação/Apple

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Tem um iPhone velho? Saiba como venci a 'obsolescência programada' da Apple

No índice abaixo, confira todos os assuntos dos quais trato neste artigo.

Como sobrevivo com um iPhone 12 Mini em 2026

Porta de carregamento: o primeiro defeito em anos

Melhorando a autonomia de bateria — na medida do possível

Quem tem medo das atualizações do iOS?

Existe mesmo obsolescência programada?

A opinião de um "sobrevivente"

Como sobrevivo com um iPhone 12 Mini em 2026

Por quanto tempo você mantém um celular? Antes do iPhone 12 Mini, eu nunca havia ultrapassado a marca de três anos com o mesmo smartphone. Eu até me julgava por isso, já que esses aparelhinhos são caros e, dependendo do modelo, custam bem mais do que o salário de um trabalhador, mas eu estava na média.

Segundo estudo de 2025, feito na Universidade de Zagreb, da Croácia, a vida útil média global de smartphones é de aproximadamente 2,78 anos — ou seja, a maioria das pessoas usa um aparelho por cerca de dois a três anos antes de substituí-lo. O trabalho, divulgado na revista científica Sustainability, analisou 52 estudos, relatórios técnicos e documentos regulatórios europeus para entender como diferentes pesquisas definem e medem o tempo de uso desses dispositivos.

iPhone 12 e iPhone 12 Mini foram lançados em 2020, junto ao 12 Pro Max

Reprodução / Apple

Os resultados apontam que, na maioria dos casos, os aparelhos ainda estão funcionando quando são trocados. De acordo com os autores, a “obsolescência percebida” é a grande vilã por trás dessa dinâmica. O termo se refere a quando o usuário passa a enxergar o próprio celular como ultrapassado, seja devido a lançamentos frequentes — e, claro, à propaganda em torno deles — ou a pequenas falhas técnicas no dia a dia, como desgaste da bateria e lentidões.

No meu caso, eu já “percebo a obsolescência” do meu iPhone há algum tempo. Antes mesmo de comemorar o terceiro aniversário do aparelhinho, um power bank plenamente carregado já havia se tornado item essencial em minha mochila. Confesso que nem lembro a última vez em que carreguei pela manhã e a carga durou até a noite, mas sempre convivi muito bem com isso. Gosto do celular, da câmera, da interface, do desempenho e tudo mais, mesmo que a saúde da bateria já esteja debilitada há bastante tempo.

Sistema da Apple critica a saúde da bateria do iPhone 12 mini

Reprodução/Yuri Neri

E justamente por ainda gostar do aparelho, sigo satisfeito com ele até hoje, embora esses reveses tenham se intensificado. Nas últimas semanas, a entrada do carregador parou de funcionar de vez. Ela já apresentava mau contato há meses, mas, em geral, uma limpeza rápida ou uma posição mágica — acompanhada de alguma oração — costumava resolver.

Porta de carregamento: o primeiro defeito em anos

Foi nesse processo que descobri que muitos problemas de carregamento, na verdade, têm origem na sujeira acumulada. Essa porta de carregamento é uma área minúscula e bastante sensível, e basta um pouco de poeira compactada para causar mau contato ou inviabilizar completamente a recarga.

Para limpar a entrada do carregador, dá para usar um objeto fino, como um palito de dente, uma pinça pequena ou até uma agulha de crochê, além de algodão e álcool isopropílico. Antes de tudo, desligue o celular. Em seguida, com ajuda de uma lanterna, verifique se há algo obstruindo o conector. Com muito cuidado, use o item fino para remover a sujeira. Se não se sentir confortável com o processo, vale pedir ajuda a alguém mais familiarizado com tecnologia — ou procurar um técnico.

A porta Lightning foi extinta dos iPhones em 2023, com o lançamento do iPhone 15

Thássius Veloso/TechTudo

Na minha primeira limpeza, recorri justamente a um técnico. Com uma pinça pequena, ele removeu rapidamente uma massa surpreendente formada por fiapos de roupa — provavelmente acumulados por eu guardar o iPhone 12 Mini no bolso de uma bermuda, uma daquelas que soltam pelinhos. Depois disso, a porta de carregamento ficou praticamente novinha em folha. Bom, pelo menos era o que pensava.

Com o tempo, o defeito voltou a aparecer. Pela necessidade, acabei criando coragem para limpar a porta de carregamento por conta própria — e funcionou algumas vezes. Até que, algumas semanas atrás, a situação piorou de vez. Na verdade, acho que, se eu me esforçar bastante, ainda consigo fazer o iPhone 12 Mini carregar pelo cabo, mas não quero gastar dez minutos agachado em frente a uma tomada toda vez que precisar de energia, então a solução foi utilizar um carregador por indução.

Eu já tinha um daqueles suportes que, além de carregar, também funcionam como relógio e porta-canetas e, embora leve um pouco mais de tempo para a carga completa, fiquei satisfeito com o resultado. É verdade que agora preciso levar na mochila um objeto um pouco maior do que um power bank — mas tudo bem.

Carregadores por indução estão presentes no mercado em diversas marcas

Reprodução/Android Authority

Melhorando a autonomia de bateria — na medida do possível

Nessa de só conseguir carregar o celular por indução, acabei colocando em prática alguns truques já conhecidos para economizar a bateria do iPhone. Já uso o Modo Pouca Energia praticamente de forma contínua há bastante tempo — embora isso não seja recomendado; considero, portanto, um "mal necessário".

Além disso, passei a explorar melhor outras configurações do sistema: ativei o carregamento otimizado, limitei a atualização de apps em segundo plano, revisei permissões de localização e enxuguei widgets e notificações desnecessárias. Pequenos ajustes que, somados, ajudam a ganhar algum tempinho longe da tomada.

Outro defeito que preciso enfrentar é a falta de memória. Depois de anos de uso, é natural que o celular acumule arquivos e documentos, alguns úteis, outros nem tanto. Para mim, essa acabou sendo uma das partes mais fáceis de contornar. Bastou apagar conversas antigas no WhatsApp e enviar fotos e vídeos importantes para o Google Drive.

No meu caso, criei até uma conta separada do Google só para guardar esse acervo que já não cabe mais na memória. A transição foi relativamente tranquila, porque meu aparelho tem 128 GB de armazenamento. Se fosse a versão de 64 GB, a missão certamente seria bem mais complicada. A lentidão, confesso, é uma vilã que só conheci nos últimos meses. Ela costuma aparecer quando o celular esquenta demais ou, às vezes, sem motivo aparente.

De fato, senti alguma diferença de desempenho quando atualizei para o iOS 18, mas só no início

Arte/TechTudo

Quem tem medo das atualizações do iOS?

Há quem associe essas quedas de performance às atualizações do sistema — e existe, sim, uma explicação técnica para isso. Com o passar do tempo, os softwares evoluem, ganham novos recursos e passam a ser pensados principalmente para hardwares mais recentes. Em outras palavras, isso significa que modelos antigos acabam precisando “se virar nos 30” para acompanhar sistemas cada vez mais exigentes.

Em tese, isso poderia, sim, ser considerado uma consequência natural da evolução tecnológica, mas não é tão simples. Todos gostaríamos que empresas como a Apple investissem mais em atualizações pensadas especificamente para iPhones mais antigos, mas esse tipo de adaptação custaria tempo, engenharia e dinheiro, sem trazer retorno direto. Além disso, depois de um certo tempo, modelos mais antigos deixam de receber atualizações de sistema e de segurança, o que os torna vulneráveis ao ataque de hackers e incompatíveis com aplicativos novos.

Lançado em 2020, o iPhone 12 Mini ainda deve receber atualizações do iOS por mais um ou dois anos, seguindo o histórico da Apple, que costuma manter seus aparelhos atualizados por cerca de seis anos após o lançamento. Isso já é mais um sinal de que preciso começar a juntar dinheiro para, finalmente, comprar um celular novo. Mas, neste ponto, virou algo pessoal: vou com o meu iPhone 12 Mini até o fim.

Existe mesmo obsolescência programada?

Responder que existe ou não existe obsolescência programada é um debate sensível. É mais fácil responder se a Apple já foi questionada ou processada pelo tema — e a resposta é sim. Entre 2022 e 2023, a empresa passou a ser investigada na França após denúncia da ONG Halte à l’Obsolescence Programmée (HOP), que acusa a fabricante de criar barreiras ao reparo independente de seus dispositivos, ao exigir o número de série para liberar peças de reposição e obrigar o emparelhamento de componentes após a troca.

E esse não foi um caso isolado. Em 2017, após ser questionada, a Apple admitiu ter utilizado uma atualização para limitar o desempenho de smartphones antigos — na época, iPhone 6 (lançado em 2014), iPhone 6S (2015), iPhone SE e iPhone 7 (ambos de 2016). A companhia alegou que a atualização se destinava a evitar que aparelhos pudessem ser danificados pelo desgaste natural da bateria.

Na prática, o Brasil ainda não tem uma lei específica que proíba a chamada obsolescência programada, mas isso não significa que o consumidor fique desprotegido. Segundo a advogada especialista em Direito do Consumidor da Serrão & Franco Assessoria Jurídica, Karina Franco, situações envolvendo desgaste precoce, perda abrupta de desempenho ou falhas que surgem pouco tempo após o uso podem ser analisadas à luz do Código de Defesa do Consumidor (CDC).

“Dependendo do defeito, o caso pode ser enquadrado como prática abusiva (art. 39 do CDC), quando o produto não atende à expectativa razoável de durabilidade; como vício oculto (art. 18 do CDC), quando o defeito surge após pouco tempo de uso; ou ainda como publicidade enganosa (art. 37 do CDC), se houver promessa de durabilidade que não se concretiza”, explica Karina

Atualizações de software que pioram significativamente o desempenho, consumo excessivo de bateria ou incompatibilidade com apps essenciais também podem gerar questionamento jurídico. Contudo, é preciso demonstrar juridicamente que o impacto foi anormal.

“Se a lentidão ou o desgaste estiverem relacionados a uso excessivo, condições inadequadas de conservação, ausência de manutenção ou às próprias limitações técnicas de modelos mais simples, o entendimento predominante é o de desgaste natural”, complementa a advogada.

Outro ponto importante é que a responsabilidade da fabricante não termina automaticamente com o fim da garantia. Para produtos duráveis, como smartphones, o Judiciário pode adotar o chamado critério da vida útil. Segundo a especialista, se um defeito aparece dentro de um prazo considerado aceitável para aquele tipo de produto, ainda é possível discutir judicialmente reparo, troca ou indenização — mesmo fora da garantia.

Quando compramos um celular na loja, não temos uma garantia de quanto tempo ele irá durar

Danilo Paulo de Oliveira/TechTudo

É claro que não existe um número mágico de anos que um celular precisa durar, mas fatores como preço, categoria do aparelho e tipo de falha pesam na análise. Em muitos casos, inclusive, cabe à empresa provar que o problema foi causado por mau uso — e não por falha de fabricação.

Ainda assim, fica a pergunta: vale o estresse? Enfrentar uma gigante como a Apple na Justiça exige tempo, energia e, muitas vezes, dinheiro. Muito provavelmente será mais caro do que comprar um modelo novo.

A opinião de um "sobrevivente"

Óbvio que eu queria que fosse barato trocar a bateria ou a porta de carregamento pelo suporte oficial da Apple — afinal, são os principais defeitos do meu iPhone 12 Mini. E, em um mundo ideal, eu também gostaria que celulares recebessem mais de seis anos de atualizações.

Entretanto, como esse mundo não existe, volto a afirmar: ainda adoro meu iPhone 12 Mini. É o celular que consegui manter por mais tempo na vida. Já tive aparelhos de outras marcas que, com dois anos de uso, já exibiam travamentos irritantes e quedas bruscas de desempenho, o que não é exatamente o caso aqui, apesar dos defeitos.

Eu e meu vovô tecnológico, que ainda funciona enquanto tiro esta foto

Yuri Neri/TechTudo

Como não consigo mudar a lógica consumista do mercado e também não quero gastar dinheiro por ora em um modelo novo, o iPhone 12 Mini virou meu vovô tecnológico de estimação. Pode estar cansado, com a bateria curta e com algumas manias, mas ainda dá conta do recado. Pelo menos até enquanto escrevo esta matéria. Amanhã? Bom… amanhã eu não sei. Vai que ele resolve se aposentar sem aviso prévio?

Com informações de MDPI

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