Caso Epstein: diretor de comunicação do premier britânico pede demissão menos de 24 horas após renúncia de chefe de gabinete
O diretor de comunicação do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, Tim Allan, anunciou nesta segunda-feira sua demissão, em um novo revés para o líder trabalhista após o escândalo envolvendo o ex-embaixador em Washington Peter Mandelson e o criminoso sexual Jeffrey Epstein.
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“Decidi me retirar para permitir a formação de uma nova equipe em Downing Street”, declarou Allan em comunicado, menos de 24 horas depois da renúncia do chefe de gabinete de Starmer, Morgan McSweeney. “Desejo ao primeiro-ministro e à sua equipe o maior dos sucessos”, acrescentou Allan, que ocupava o cargo havia cinco meses.
O governo de Starmer enfrenta uma crise sem precedentes após as revelações sobre as relações entre Mandelson e Epstein.
No domingo, McSweeney anunciou sua renúncia por ter “aconselhado” o primeiro-ministro a nomear Mandelson como embaixador em Washington, apesar de suas ligações com o criminoso sexual.
“Após uma reflexão madura, decidi renunciar ao governo. A nomeação de Peter Mandelson foi um erro (...) Aconselhei ao primeiro-ministro essa nomeação e assumo a responsabilidade”, declarou McSweeney.
Na quinta-feira, Starmer descartou renunciar, apesar das pressões, e defendeu a nomeação feita em 2024.
“Tenho a intenção de continuar realizando esse trabalho vital para nosso país, porque acredito que é o enfoque absoluto e a prioridade máxima deste governo”, afirmou o premiê.
Mandelson, de 72 anos, está entre as figuras envolvidas nas recentes revelações sobre vínculos com o falecido financista norte-americano, que se suicidou na prisão em 2019, enquanto enfrentava acusações de tráfico sexual de menores.
Trocas de e-mails entre Epstein e Mandelson mostram amizade, transações financeiras, fotos privadas e evidências de que o diplomata britânico compartilhou informações confidenciais com o financista há quase duas décadas.
“Sinto ter acreditado nas mentiras de (Peter) Mandelson e tê-lo nomeado”, disse Starmer na quinta-feira.
