Taxímetros adulterados no Galeão: saiba como funcionava o dispositivo e como o passageiro pode identificar um táxi suspeito

Taxímetros adulterados no Galeão: saiba como funcionava o dispositivo e como o passageiro pode identificar um táxi suspeito - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

A Polícia Civil do Rio descobriu um esquema de fraude envolvendo táxis que fazem corridas a partir do Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão. O esquema, que tinha ligação com o Comando Vermelho, usava um aparelho instalado no taxímetro que fazia o valor da corrida subir até sete vezes em relação ao preço fixado pela prefeitura em tabela.

Os policiais identificaram cobranças que chegavam a R$ 900 em uma viagem do aeroporto para bairros da Zona Sul da cidade. Em uma operação realizada nesta quinta-feira, mais de 30 pessoas foram conduzidas à delegacia para prestar depoimento, mas a investigação continua em andamento.

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Segundo as investigações, cerca de 200 veículos estariam circulando com esse dispositivo fraudulento pela cidade. O dispositivo era instalado no taxímetro e acionado por um botão escondido sob o tapete do motorista.

— A partir desse acionamento, o dispositivo emitia pulsos para o taxímetro e os valores registrados eram multiplicados — explicou o delegado Victor Tuttman, da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM). De acordo com a policia, um dos taxistitas que foi identificado a fraude contou que alugava esse veículo de uma empresa e que havia feito a instalação do dispositivo em mecânica especializada em instalação e manutenção de taxímetros.

Gambiarra. Peça ligada aos taxímetros multiplicava o valor da corrida

Reprodução O equipamento pode fazer o valor de uma corrida de 22 quilômetros entre o Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, e Copacabana, na Zona Sul, chegar a R$ 900.

A investigação revelou que taxistas envolvidos no esquema atuam sob o controle do Comando Vermelho, a quem pagam uma taxa de R$ 120. Como identificar um táxi suspeito?

A polícia orienta os passageiros a procurar profissionais autorizados a operar na área do aeroporto e a ficar atentos aos chamados “jóqueis”, pessoas que ficam no saguão de desembarque abordando turistas e oferecendo serviços ilegais de táxi. — A função deles é se passar por pessoas que trabalham oficialmente no RIOgaleão, utilizando, inclusive, camisas amarelas de táxi para enganar os passageiros que chegam ao aeroporto em busca de transporte.

Depois de captar o passageiro, ele liga para o taxista, que não poderia estar atuando na região do Galeão e fica estacionado nas proximidades do aeroporto, e pede que ele vá buscar o cliente — explica o delegado. Segundo Tuttman, a melhor opção é recorrer aos serviços oficiais do Galeão, disponíveis em quiosques dentro do aeroporto ou nos pontos de táxi localizados logo na saída do terminal.

— No Galeão, existem quiosques legalizados no interior do aeroporto, que oferecem mais segurança. Também há táxis estacionados em frente ao terminal que, em geral, são vinculados a cooperativas e legalizados.

Além disso, é importante verificar a identificação do próprio taxista, que deve estar à mostra para o passageiro. A concessionária que é responsável pelo aeroporto orienta os passageiros a utilizarem os guichês oficiais de táxi, localizados tanto nas áreas de desembarque doméstico e internacional quanto na área restrita, e a seguirem a sinalização nas saídas dos terminais até os pontos de embarque dos credenciados.

Em nota, o aeroporto informou que também oferece reserva de táxis pelo GaleON, área de embarque para aplicativos, como a Uber, e conexão com o BRT, incluindo uma linha expressa para o Terminal Gentileza. Como a investigação começou?

A denúncia que deu origem à operação de ontem foi feita em janeiro de 2026 por um passageiro abordado pela quadrilha no Galeão. Ele embarcou no táxi com destino à Tijuca e observou, durante a corrida, que os valores “pulavam” rapidamente no taxímetro.

A vítima reclamou com o motorista, que chegou a oferecer um desconto, mas decidiu anotar a placa do carro e procurar a polícia. Na investigação, o táxi foi localizado.

As análises do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) identificaram uma pequena placa eletrônica conectada ao taxímetro. O dispositivo contava com um chip e podia ser acionado discretamente pelo motorista, acrescentando, de uma só vez, cerca de 20% ao valor da corrida.

O taxista flagrado com o equipamento alegou, em depoimento, que alugava o veículo de uma empresa. Segundo ele, o aparelho foi instalado em uma oficina especializada na manutenção de taxímetros.

Destaque internacional: Rio de Janeiro ganha três novas praias com selo Bandeira Azul Procurada, a Superintendência Executiva de Táxi e Transporte Individual de Passageiros, da Prefeitura do Rio, informou que os taxistas comprovadamente envolvidos nos crimes terão as suas licenças cassadas.

Em nota, a concessionária que administra o Galeão disse ter colaborado com a Polícia Civil nas investigações e “orienta os passageiros a utilizarem os guichês oficiais de táxi e a seguirem a sinalização nas saídas dos terminais até os pontos de embarque dos credenciados”.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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