O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta terça-feira (8) que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), representa uma "esperança" para o Brasil. A fala ocorre no dia seguinte ao seu pronunciamento em manifestação na Avenida Paulista, em que cobrou "respostas" sobre atuação de Alexandre de Moraes na corte. — O André (Mendonça) hoje representa uma esperança. Existe uma saturação, ninguém aguenta mais determinadas situações (...) Existe uma certa unanimidade que a coisa não está indo no bom caminho. E eu não vejo isso, porque o André Mendonça é uma pessoa muito discreta, muito firme, porém também muito sábia. E eu rogo a Deus para que ele tenha essa sabedoria. Eu rogo a Deus para que Fachin tenha essa sabedoria, porque é o presidente do Supremo numa situação super delicada. E o Brasil não pode perder o seu tribunal, não pode perder a sua Corte Suprema — disse o governador, durante evento de campanha no Centro de São Paulo.
Tarcísio também foi questionado sobre a decisão de Mendonça de afastar o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, sob a alegação de sofrer constrangimento ilegal. Mendonça afirmou ter sido alvo de um “monitoramento sistemático” e ilegal realizado pela área de inteligência da Polícia Federal por mais de um mês. O magistrado listou seis relatórios produzidos entre os dias 3 e 31 de agosto com análises sobre sua atuação e sua relação com o advogado-geral da União, Jorge Messias. Para Tarcísio, Mendonça agiu de maneira correta. — Olha, o ministro André tem as razões, expôs essas razões, ele está falando do constrangimento ilegal. Isso não pode ser permitido, eu acho que a polícia sempre foi uma polícia de Estado e a partir do momento que autoridades que têm a responsabilidade de conduzir investigações que são importantes para o Brasil, quando essas autoridades são constrangidas ilegalmente, uma providência tem que ser tomada, uma resposta tem que ser tomada, essa resposta foi dada pelo ministro André e foi referendada pela maioria da segunda turma, então eu acho que é um caminho que tem que ser seguido — disse o governador. Mudança no tom Tarcísio também foi questionado nesta terça sobre a mudança no tom de seus discursos nas manifestações do 7 de Setembro, na Avenida Paulista, na comparação entre 2025 e 2026. No ano passado, ao usar palavras como "tirania" e "ditadura" para se referir a Moraes, na segunda ele optou por termos mais genéricos, embora sem dar seus recados. – As últimas revelações sobre o Moraes, sobre o Supremo, precisam de resposta. Quando há dúvida acerca da conduta e o exercício da magistratura, uma resposta institucional precisa ser dada. Está na hora do tribunal se unir para dar apurar e dar a resposta que a sociedade precisa — disse Tarcísio, na véspera. Nesta terça, o governador afirmou que ambas as abordagens são circunstâncias do momento. — O tom foi o correto pro momento que a gente tá vivendo. Acho que a gente tem que dar o tom institucional que a gente está dando. O Brasil cobra uma resposta e essa resposta tem que ser institucional — afirmou Tarcísio.
O Globo