247 – O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) ganhou protagonismo político após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e passou a ser considerado um dos nomes para assumir o Ministério da Fazenda no próximo governo. Com apoio de lideranças do PSB e de setores da administração federal, Alckmin é visto como uma alternativa capaz de ampliar a interlocução com o mercado financeiro e o setor produtivo, além de fortalecer a frente ampla que sustentou a vitória eleitoral de Lula.
Conhecido por seu perfil fiscalista, Alckmin já defendeu publicamente a ampliação do superávit primário como instrumento para reduzir a dívida pública. Em agosto, durante um encontro com investidores em São Paulo, o vice-presidente sustentou que o governo deveria avançar gradualmente na geração de resultados fiscais positivos, segundo reporta o Valor.
“É evidente que para um país em desenvolvimento, nós temos que reduzir essa dívida. A tarefa é ir fazendo o superávit.
Então, a meta aqui é de 1%. Vamos subir esse superávit e você vai avançando”, afirmou na ocasião.
Alckmin também ressaltou que decisões tomadas pelo Congresso Nacional e pelo Poder Judiciário têm impacto sobre as contas públicas, limitando a capacidade de atuação do Executivo na gestão fiscal. Papel decisivo na virada eleitoral
A projeção de Alckmin dentro do governo cresceu especialmente após sua participação na campanha do segundo turno, quando Lula conseguiu reverter a vantagem obtida por Flávio Bolsonaro (PL) na primeira votação. Depois de críticas à condução inicial da campanha, concentrada em um núcleo restrito do PT, o vice-presidente passou a integrar de forma mais ativa a articulação política, ao lado do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, do senador Camilo Santana e do senador eleito Rui Costa.
Alckmin intensificou sua presença no interior de São Paulo, promovendo encontros com prefeitos e lideranças municipais em cidades como Hortolândia, São Carlos e São Bernardo do Campo. Também participou de atividades no Rio de Janeiro, em Niterói, Curitiba e na capital paulista, incluindo uma agenda na comunidade de Paraisópolis.
Sua atuação foi considerada importante para ampliar o diálogo da candidatura de Lula com setores moderados e conservadores, especialmente em regiões onde o bolsonarismo apresentava maior força eleitoral. Lula reconhece lealdade do vice-presidente
Durante as comemorações da vitória no domingo (25), Lula fez questão de abrir espaço para que Alckmin discursasse antes dele, gesto interpretado como reconhecimento de sua importância política. “Feliz do presidente que tem um vice da qualidade, lisura de comportamento e lealdade que tenho no Alckmin”, declarou Lula.
A relação entre os dois se fortaleceu ao longo do terceiro mandato, período em que Alckmin também desempenhou papel relevante nas negociações para enfrentar as tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos às exportações brasileiras. Frente ampla deve ganhar mais espaço
A ampliação do protagonismo de Alckmin ocorre em um contexto de valorização da frente ampla que contribuiu para a reeleição de Lula. Durante o segundo turno, a candidatura petista recebeu manifestações de apoio de economistas associados à formulação do Plano Real, como Edmar Bacha, Persio Arida e Pedro Malan, além de familiares do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e lideranças históricas do PSDB, entre elas Aloysio Nunes Ferreira e José Aníbal.
A expectativa entre aliados é que essa composição política se reflita na formação do novo governo, com maior participação de forças de centro nas decisões estratégicas. Nesse cenário, a eventual indicação de Alckmin para a Fazenda representaria uma escolha de peso político, associando a condução da economia a uma liderança com experiência administrativa, trânsito no setor empresarial e compromisso declarado com o equilíbrio das contas públicas.
A definição, no entanto, dependerá das escolhas de Lula para a equipe econômica de seu quarto mandato.
Brasil 247