Supermercado coloca número 22 no uniforme de funcionários e vira alvo de ação de R$ 50 mil por dia

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Fonte da notícia: ND Mais ND Mais

Rede de supermercados afirma que número faz referência aos 22 anos da empresa, mas MPT aponta suspeita de assédio eleitoral e Justiça determina retirada das camisetas Uma rede de supermercados virou alvo da Justiça após funcionários serem vistos usando uniformes com o número 22, o mesmo de Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais de 2026.

O MPT (Ministério Público do Trabalho) suspeita de assédio eleitoral e afirma que trabalhadores eram obrigados a vestir as camisetas durante o expediente na Bahia. A ação foi apresentada na sexta-feira (23) contra a Rede Mix, que afirma utilizar o número para comemorar seus 22 anos de funcionamento.

Segundo o MPT, porém, a campanha pode ser interpretada como apoio político e constranger os empregados em suas escolhas eleitorais. O caso levou a Justiça do Trabalho a determinar a suspensão dos uniformes, sob pena de multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento.

A investigação começou após denúncias acompanhadas de fotografias que mostravam funcionários utilizando as camisetas diante de clientes e colegas de trabalho. Segundo a procuradora Manuella Gedeon, responsável pela ação, a campanha de aniversário ganhou força durante o período eleitoral, levantando suspeitas sobre uma possível associação com a candidatura de Flávio Bolsonaro.

O MPT chegou a notificar a empresa para revisar os materiais promocionais e interromper práticas que pudessem configurar assédio eleitoral. Mesmo após o alerta, os uniformes continuaram sendo utilizados, conforme novas denúncias e uma fiscalização realizada pelo órgão.

Para o Ministério Público, a situação pode comprometer a liberdade política dos trabalhadores, especialmente porque o uso das camisetas ocorria durante a jornada de trabalho. A 9ª Vara do Trabalho de Salvador concedeu uma liminar, na sexta-feira (23), determinando a suspensão dos uniformes comemorativos.

A decisão, assinada pelo juiz Murilo Carvalho Sampaio Oliveira, prevê multa de R$ 50 mil por dia caso a determinação seja descumprida. Na ação, o MPT também solicitou medidas para proteger os direitos dos funcionários, entre elas:

O órgão ainda pretende apresentar uma ação civil pública para discutir eventual indenização por danos morais coletivos, caso as irregularidades sejam confirmadas. A empresa nega qualquer intenção político-partidária e sustenta que a numeração faz referência ao seu aniversário de 22 anos.

Segundo a rede, campanhas comemorativas são realizadas anualmente, e documentos de edições anteriores foram apresentados ao MPT para justificar a escolha. Após a decisão judicial, a Rede Mix informou que retirou as camisetas e retomou o uniforme tradicional.

A empresa também afirmou respeitar a liberdade de orientação política dos funcionários. A liminar tem caráter provisório e não representa uma condenação definitiva por assédio eleitoral.

O mérito da acusação ainda será analisado pela Justiça do Trabalho. Carolina Sott é repórter e editora no ND Mais, onde acompanha de perto os movimentos da política, segurança pública e economia no Brasil.

Atuante na área desde 2020, é formada em Jornalismo pela Uniplac (Universidade do Planalto Catarinense) e tem MBA em Jornalismo Digital. Escreve matérias que revelam bastidores, contextualizam disputas de poder e mostram, de forma clara, como decisões feitas no alto escalão impactam o cotidiano dos brasileiros.

Interessada pelo que move Brasília, São Paulo e outras capitais, costuma ler sobre política e assuntos relevantes para o cenário político e social. Indicada ao prêmio Microfone de Ouro da Acaert, já passou por portal de notícias e rádio, onde produziu e apresentou conteúdos que traduzem escolhas complexas para a vida das pessoas.

Cobriu as Eleições Municipais em Lages (2020) e Florianópolis (2024), além de trabalhar na cobertura das Eleições Gerais de 2022 em um portal de notícias. Leia mais ▾

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