O futuro não existe. É ficção.
Porque o futuro é construído aos poucos, no presente. Então, qualquer que seja o resultado das eleições para presidente da República, todos os olhos dos políticos de Goiás estarão voltados, a partir de 5 de outubro de 2026, para a disputa das prefeituras.
Por sinal, o resultado das eleições para deputado estadual e federal e senador deu uma sinalização forte de quem estará — na verdade, já está — no jogo para 2028, ou seja, daqui a um ano e onze meses. Parece um tempo muito longo? Políticos verdadeiros — absolutos, profissionais, no sentido expresso por Max Weber — sabem que não há cedo em política, só tarde.
Quem não se colocar, desde já, acabará fora da disputa. Sandro Mabel: proativo e eficiente; por que trocá-lo por uma incógnita? | Foto: Alex Malheiros/Prefeitura de Goiânia
Por isso, no silêncio dos bastidores — longe da imprensa —, os políticos estão conversando, cogitando possíveis alianças. Ressalte-se: lealdades às vezes são provisórias, em termos políticos.
O aliado de ontem pode, dadas as circunstâncias, ser o adversário de amanhã. Assim como o adversário de ontem pode ser o aliado de amanhã.
Cada uma eleição conta com sua própria história. O que falta para Mabel? Conectar a boa imagem da gestão à sua imagem.
Trata-se de um gestor eficiente e a tendência é que os eleitores percebam isto no momento de votar. Afinal, por que trocar aquele que gere bem — com pulso firme — por uma incógnita?
O prefeito Sandro Mabel, do União Brasil (comenta-se que irá para o Republicanos; afinal, Bruno Peixoto é o presidente do União Brasil), será candidato à reeleição. Sandro Mabel faz uma gestão muito melhor do que a de Rogério Cruz.
Os goianienses sentem a mão do prefeito na cidade, que não está, como se costuma registrar, mais encardida. Trata-se de um gestor eficiente e criativo.
Bruno Peixoto e Romário Policarpo: parceria pela Prefeitura de Goiânia? | Foto: Divulgação O que falta para Sandro Mabel? Conectar a boa imagem de sua gestão à sua própria imagem.
E isto é claramente possível. Se fosse um gestor ruim, não seria.
Trata-se, na verdade, de um gestor eficiente e a tendência, para além dos campos das ideologias, é que os eleitores percebam isto no momento de votar. Afinal, por que trocar aquele que gere bem — com pulso firme — por uma incógnita?
Então, a tendência é que, quando começar a campanha, Sandro Mabel seja o favorito. Mas há, claro, vários políticos pleiteando enfrentá-lo.
Porque, além ser a capital — com o segundo maior orçamento de Goiás (só perde para o do governo estadual) —, conta com maior número de eleitores do Estado (pouco mais de 1 milhão) e é uma espécie de cartão postal eleitoral para os demais municípios. Então, o próximo prefeito, qualquer que seja, tende, um dia, a pleitear o governo estadual.
Pode ser em 2030, 2034 ou 2038. Hoje, Bruno Peixoto é aliado do prefeito Mabel, certamente um de seus colaboradores no pleito de 2026.
Mas, cacifado pelo expressivo resultado nas urnas, pode acabar sendo candidato. Seu objetivo é, se eleito prefeito, cavar espaço, adiante, para a disputa do governo
A seguir, listaremos os possíveis candidatos. Alguns disputarão, outros farão composição e cerca de dois talvez nem disputem.
Todos os cotados estão apontados. Fred Rodrigues: aposta de Wilder Morais ou do PL? | Foto: Guilherme Alves/Jornal Opção
Eleito deputado federal mais votado da disputa de 2026, o presidente da Assembleia Legislativa, Bruno Peixoto, pode ser a aposta do União Brasil para prefeito de Goiânia. Na capital, ele obteve 45.642 votos — o que mostra força eleitoral e presença política.
Hoje, Bruno Peixoto é aliado do prefeito Sandro Mabel, certamente um de seus colaboradores no pleito de 2026. Mas, cacifado pelo expressivo resultado nas urnas, pode acabar sendo candidato.
Seu objetivo é, por certo, se eleito prefeito, cavar espaço, adiante, para a disputa do governo. Queria seria o vice de Bruno Peixoto? O vereador Romário Policarpo, eleito deputado estadual pelo Cidadania.
Conquistou 35.585 votos só em Goiânia. Pode-se afirmar que foi eleito com os votos apenas da capital.
Trata-se de um político articulado. Contou também com o empenho de Sandro Mabel.
O Partido Liberal planeja lançar a prefeito de Goiânia? Sim, e numa possível aliança com o MDB do governador Daniel Vilela — por sinal, aliado de Sandro Mabel desde 2024. O PL tem nomes consistentes em Goiânia.
Senador eleito, Gustavo Gayer foi o mais votado na capital, com 359.222 votos. O mais votado para deputado federal em Goiânia, Fred Rodrigues (79.783 votos), é do PL.
Deputado federal eleito, o vereador Major Vitor Hugo conquistou 20.383 votos. Ele conta com a simpatia dos Bolsonaros e de Gustavo Gayer.
Aava Santiago, vereadora: pode ser a aposta do PSB e do PT | Foto: Samuel Oliveira/Jornal Opção Então, o PL tem nomes consistentes, eleitoralmente, para prefeito de Goiânia.
Como será senador, Gustavo Gayer será, decerto, o elemento definidor do nome do candidato. Ele próprio dificilmente disputará, porque é um dos nomes fortes do partido no Congresso.
Será Fred Rodrigues ou Major Vitor Hugo? Pode ser, mas também pode surgir uma alternativa. Uma chapa com Fred Rodrigues (ou Major Vitor Hugo) para prefeito e Zacharias Calil, do MDB, na vice seria forte, sem dúvida.
Mas é possível? Impossível, não é. Mas Gustavo Gayer bancaria Fred Rodrigues, aparentemente um aliado do senador Wilder Morais? Depende de pesquisas? Ainda não se sabe.
Ana Paula Rezende se tornou uma figura à parte no PL. É filiada, mas a cúpula, nem mesmo Wilder Morais, a leva a sério.
Dificilmente será candidata a prefeita pelo partido. Talvez o resultado eleitoral de 2026 a tenha aposentado precocemente.
Em termos políticos eleitorais, é uma decepção. Segundo mais votado para senador em Goiânia, Zacharias Calil (279.571 votos) pode ser candidato a prefeito pelo MDB? Pode.
Quem sabe pelo PL. Adriana Accorsi: consagradora votação a cacifa para a disputa da prefeitura | Foto: Guilherme Alves/Jornal Opção
O MDB e o PL poderão caminhar juntos em Goiânia, Anápolis e Aparecida de Goiânia? É possível. Mas há também outros aliados no front do MDB, como o União Brasil (Virmondes Cruvinel obteve 35.585 votos em Goiânia; Sanches da Federal, do pP, recebeu 24.864 votos na cidade fundada por Pedro Ludovico) e o Republicanos (pode ser o novo pouso político de Sandro Mabel).
A discussão da sucessão é necessária. O que é prematuro é a definição das alianças (pode-se discutir agora, mas definir ainda não).
Se Sandro Mabel estiver muito bem em 2028, as alianças podem ser reconfiguradas. Candidata a prefeita em Goiânia, Aava Santiago seria um fato novo.
Pode até não ser eleita, mas, com seu discurso afiado e presença imponente, pode ficar entre os mais votados. Trata-se de um nome que pode fortalecer o PT, ainda que filiada a outro partido
A esquerda obteve votação relevante em Goiânia, o que a colocará no centro do debate e da sucessão. Adriana Accorsi conquistou, só em Goiânia, 70.074 votos.
Foi eleita praticamente com os votos dos goianienses. Por isso, está, mais uma vez, cacifada para a disputa da prefeitura.
Gustavo Mendanha: cotado para disputar em Goiânia ou em Aparecida de | Foto: Guilherme Alves/Jornal Opção Entretanto, ante derrotas anteriores, há a possibilidade de Adriana Accorsi optar por lançar outro candidato, e não necessariamente do PT.
O vereador Fabrício Rosa, do PT, conquistou 38.522 votos em Goiânia para deputado estadual. Portanto, é um nome cacifado para a disputa da prefeitura.
Ele tem discurso afiado e parece ter votos para além de seu partido. Eleita deputada estadual (21.848 votos em Goiânia), Kátia Maria, e Edward Madureira (pouco mais de 16 mil votos na capital) são os outros dois nomes do PT cotados para a disputa.
A grande surpresa, se for surpresa, para ser uma composição entre Aava Santiago, do PSB, com o PT de Adriana Accorsi. As duas estão competindo pelo mesmo espaço? Estavam, até 4 de outubro deste ano (a vereadora do Partido Socialista Brasileiro ganhou o voto de 60.295 eleitores só na capital).
Gustavo Mendanha teve uma votação em Goiânia abaixo do esperado. Vai pleitear a Prefeitura da capital (pelo PL? Seria a aposta de Wilder Morais, mas não é a Gayer) ou de Aparecida de Goiânia? Há quem acredite que poderá ser vice de Mabel ou de Bruno Peixoto
Candidata a prefeita em Goiânia, pelo PSB ou pelo PT, Aava Santiago seria um fato novo. Pode até não ser eleita, mas, com seu discurso afiado e presença imponente, pode ficar entre os mais votados.
Trata-se de um nome que pode fortalecer o PT, ainda que filiada a outro partido (na última eleição, se estivesse filiada ao PT, teria eleita deputada federal, com mais votos do que Rubens Otoni). Marconi Perillo estaria de olho em Goiânia, Aparecida e Pirenópolis | Foto: Divulgação do PSDB
Quem seria o vice de Aava Santiago? Há três nomes: Luis Cesar Bueno (terceiro mais votado para governador, superando Marconi Perillo, do PSDB), Kátia Maria e Edward Madureira. O PSDB terá um nome para a disputa da prefeitura de Goiânia? Fala-se em Marconi Perillo, mas não se ressalta que é exatamente na capital que sua rejeição é mais alta.
Por isso, comenta-se que poderá ser candidato em Aparecida de Goiânia ou Pirenópolis. A tendência é que o tucano-chefe resguarde-se por um tempo.
Nova derrota seria terrível para o ex-governador. Há comentários de que Marconi Perillo poderia repassar o comando do PSDB em Goiás para Wilder Morais — que assim poderia ser candidato a prefeito de Goiânia.
Dificilmente o senador será mantido na presidência do PL. Ele aproximou-se de Flávio Bolsonaro, mas sabe que a preferência do partido — local e nacionalmente — é por Gustavo Gayer.
Wilder Morais sairia do PL? Muito difícil. Porque seu oxigênio é o bolsonarismo.
Em 2030, vai disputar a reeleição e poderá enfrentar um peso-pesado como o governador Daniel Vilela. Gustavo Mendanha teve uma votação em Goiânia — 121.352 votos (ficou em quinto lugar) — abaixo do esperado.
Vai pleitear a Prefeitura de Goiânia (pelo PL? Consta que é a aposta de Wilder Morais, mas não é a de Gustavo Gayer) ou de Aparecida de Goiânia? Há quem acredite que poderá ser vice de Sandro Mabel ou de Bruno Peixoto. Quanto a Vanderlan Cardoso, que não terá mandato entre 2027 e 2028, certamente será candidato a prefeito de Senador Canedo.
Deve transferir seu domicílio para lá.
Jornal Opção