Sucesso estrondoso de Janones esconde contundência e brilho de 5 generais da guerra de Lula contra Flávio Bolsonaro

Sucesso estrondoso de Janones esconde contundência e brilho de 5 generais da guerra de Lula contra Flávio Bolsonaro - Foto
Fonte da notícia: Jornal Opção Jornal Opção

O “Exército de Lula”, apresentado aos gritos — mas coordenados — pelo deputado federal André Janones (Avante), num grupo de WhatsApp que acabou ganhando outras redes, se tornou um fenômeno tão estrondoso, com mais de 10 milhões de “soldados”, que acabou ofuscando outros militantes digitais, muitos deles gabaritados e até mais articulados, em termos de ideias, do que o “pregador” mineiro.

Além de André Janones, outros cinco militantes digitais defenderam o presidente Lula da Silva, a civilização, e vergastaram Flávio Bolsonaro, a barbárie, de maneira implacável. Não se trata, a rigor, de uma militância coordenada.

Mas, em conjunto, contribuíram, de maneira ampla, para o sucesso da candidatura do petista-chefe. André Janones, o general, e Lula da Silva, o marechal: o Exército de Lula saiu vitorioso | Foto: Reprodução

Os seis militantes digitais se tornaram, grosso modo, contrapontos, diretos e incisivos, dos jornais em tese “sem” militância. Ressalte-se que, por certo tempo, a revista “Veja” parece ter aderido ao bolsonarismo, numa tentativa, quem sabe, de segurar a ascensão de Lula da Silva, sobretudo no segundo turno.

O “Estadão” entusiasmou-se e, logo, desentusiasmou-se com Flávio Bolsonaro, mas sem aderir ao petismo. O militante digital mais sofisticado da luta anti-bolsonarismo é, sem dúvida, João Cezar de Castro Rocha, professor de Literatura Comparada da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

Durante anos, João Cezar divulgou análises nas redes sociais e publicou livros analisando o bolsonarismo e suas guerras culturais. É, possivelmente, um dos mais qualificados analistas — e combatentes — do bolsonarismo, pois percebeu o problema no ovo, antes do nascimento da serpente.

“Bolsonarismo: Da Guerra Cultural ao Terrorismo Doméstico — Retórica do Ódio e Dissonância Cognitiva Coletiva” (Autêntica, 192 páginas) é uma obra imperdível. João Cezar de Castro Rocha: o crítico mais articulado do bolsonarismo | Foto: Guilherme Alves/Jornal Opção

Durante a campanha eleitoral, despindo-se do intelectualismo de matiz acadêmico, João Cezar partiu para a militância desabrida e combatente, com o objetivo de evitar que a barbárie bolsonarista solapasse a democracia patropi. Às vezes, parecendo possuído pelos espíritos da democracia, operava para “entrar” na cabeça das pessoas para despertá-las.

Ao descer do pedestal acadêmico, João Cezar de Castro Rocha pode ter simplificado algumas de suas ideias, mas ganhou em amplitude, ao ser ouvido pelo público de fora do circuito universitário. Ele dissecou o bolsonarismo

Acompanhei os posts-vídeos de João Cezar com interesse, porque eram bem feitos e o conteúdo verdadeiro. Exagerou, por vezes? Como não exagerar quando se combate um fenômeno exagerado — extremista — como o bolsonarismo?

O fato é que o doutor por Stanford e pós-doutor pela Freie Universität e Princeton acertou a mão nas suas críticas ao bolsonarismo. Trata-se do crítico mais contundente da extrema direita, com mais background.

Ao descer do pedestal acadêmico, pode ter simplificado algumas ideias, mas ganhou em amplitude, ao ser ouvido pelo público de fora do circuito universitário. Flavio Bolsonaro: a direita, que só batia, passou a apanhar duramente | Foto: Divulgação

Patrícia Lélis é de uma coragem inaudita. Enfrentar a matilha bolsonarista, que não tem limites, não é nada fácil.

Pois a jornalista não recuou um milímetro e atacou, sem dó nem piedade, o bolsonarismo, Flávio Bolsonaro, Marco Feliciano (a quem acusa de tê-la estuprado), Celina Leão e vários outros e outras. Nas suas redes sociais, como o Instagram e o X, Patrícia Lélis mais atacou o bolsonarismo do que defendeu a candidatura de Lula da Silva.

Ainda assim, contribuiu, de maneira ampla, com o petista-chefe. Um dos motivos do sucesso de Patrícia Lélis é que fala bem e de maneira lógica.

Agrada muito, nas redes sociais, o fato de não ter papas na língua. Ela ataca de frente, duramente, sem tergiversações.

Que o bolsonarismo tenha apanhado tanto de um jovem carismática é praticamente um fenômeno. Patrícia Sem Medo foi um dos destaques deste ano.

Renato Rovai, editor da “Revista Fórum”: suas críticas reverberaram pelas redes sociais | Foto: Leonardo Attuch Com seu jeitão meio hipongo, Renato Rovai, da “Revista Fórum”, se tornou um dos combatentes mais duros da campanha deste ano.

Nos seus vídeos, sempre contundentes e militantes, desmentia ou contestava informações com extremo vigor. Patrícia Lélis e Joice Hasselmann fizeram um enorme estrago na imagem de Flávio Bolsonaro.

Duas mulheres, bonitas, inteligentes e articuladas, criticando, com rigor, o candidato do PL, obtiveram uma audiência imensa Articulado, firme e bem informado, Renato Rovai atuou como contraponto ao que se divulgou na imprensa e nas redes sociais.

Sua militância digital deve ser incluída entre as melhores da campanha deste ano. Poucos foram tão incisivos, diretos e rápidos quanto ele.

Eduardo Moreira, diretor do ICL: suas críticas ao bolsonarismo são das mais contundentes | Foto: ICL O que Renato Rovai dizia no Instagram reverberava em praticamente todas as redes.

Frequentemente, fui marcado por várias pessoas para ver suas postagens. Eduardo Moreira, do ICL, se tornou, ao menos nos momentos finais, uma espécie de Janones mais intelectualizado.

Passou a falar praticamente como o deputado mineiro, de maneira incisiva. Ao expor e discutir pesquisas, de maneira enfática, Eduardo Moreira chamou muito a atenção dos internautas.

Com jeito professoral, mas com linguagem acessível, Eduardo Moreira conseguiu que suas ideias e retórica reverberassem pelas redes socais. Seus materiais, verdadeiros petardos críticos, foram intensamente compartilhados.

Assim como Patrícia Lélis, a jornalista Joice Hasselmann é dotada de imensa coragem. Perseguida pelo bolsonarismo, que não tem limites quando ataca, não recuou um milímetro e continuou batendo, com rara firmeza, em Flávio Bolsonaro.

Joice Hasselmann, ex-deputada federal e jornalista: crítica intensa do bolsonarismo | Foto: Divulgação Sem açucarar palavras, Joice Hasselmann disse, o tempo todo, que Flávio era o pior dos Bolsonaros.

Porque era o mais dissimulado e mafioso. Não economizou adjetivos duros para nominá-lo.

Joice Hasselmann contou, nas redes sociais — que usa muito bem (fala com desenvoltura e é charmosa) —, que foi agredida por bolsonaristas, com extrema violência, há alguns anos. Ainda assim, ela não recuou e continuou criticando, sem nenhuma candura, os Bolsonaros, notadamente Flávio.

A fala convicta de Joice Hasselmann possivelmente influenciou muitas pessoas, notadamente mulheres, a não votarem em Flávio Bolsonaro. A rigor, Joice Hasselmann ajudou mais Lula da Silva não por defendê-lo, e sim por apontar a falta de qualidades de Flávio Bolsonaro.

Patrícia Lélis e Joice Hasselmann certamente fizeram um enorme estrago — ainda não dimensionado — na imagem de Flávio Bolsonaro e seus aliados. Duas mulheres jovens, bonitas e inteligentes, além de densamente articuladas, criticando, com extremo rigor, o candidato do PL, obtiveram uma audiência imensa.

Publicação Original Jornal Opção jornalopcao.com.br
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