Os contratos futuros da soja encerraram a quinta-feira, 29 de outubro de 2026, com a quarta queda consecutiva na Bolsa de Chicago, mesmo após os Estados Unidos divulgarem vendas externas de 2,576 milhões de toneladas da safra 2026/27, volume superior às expectativas dos analistas.
O contrato com entrega prevista para janeiro recuou 0,26%, terminando o pregão cotado a US$ 12,34 por bushel, pressionado pelo avanço da colheita norte-americana, pela queda do farelo e pela concorrência internacional. As informações foram publicadas pela CNN Brasil com análises da Granar e dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
O levantamento mostra que a entrada de novos grãos no mercado e a maior competitividade da soja brasileira contribuíram para manter as cotações em baixa, apesar do desempenho positivo das vendas externas americanas. A soja completou o quarto pregão consecutivo de desvalorização na Bolsa de Chicago, principal referência internacional para a negociação de contratos futuros da oleaginosa.
O vencimento de janeiro registrou queda de 0,26% e encerrou a sessão a US$ 12,34 por bushel. O resultado ocorreu mesmo com a divulgação de números favoráveis para a demanda internacional pela soja norte-americana.
A pressão sobre os preços veio principalmente do lado da oferta, com o avanço da colheita nos Estados Unidos, e do comportamento de outros produtos da cadeia da soja. O avanço dos trabalhos agrícolas nos Estados Unidos foi um dos principais fatores apontados pela Granar para explicar a desvalorização.
Com a colheita em andamento, novos volumes de soja entram no mercado, ampliando a disponibilidade do produto. Essa movimentação exerce pressão sobre os contratos futuros, especialmente quando a oferta adicional supera o efeito positivo dos indicadores de demanda.
A análise mostra que o ritmo da colheita norte-americana teve peso relevante na formação dos preços durante o pregão de quinta-feira. A desvalorização do farelo de soja também contribuiu para pressionar os contratos do grão em Chicago.
O contrato do derivado com vencimento em dezembro registrou queda de US$ 7,05 por tonelada, encerrando a sessão a US$ 362,99 por tonelada. O farelo faz parte da cadeia de processamento da soja, e seu desempenho é acompanhado pelos participantes do mercado como um dos indicadores de valorização dos derivados.
Segundo a Granar, a queda esteve relacionada, em parte, ao desempenho das exportações argentinas e à concorrência da soja brasileira no comércio internacional. A Argentina aparece entre os fatores que explicam o enfraquecimento dos preços do farelo durante a sessão.
Segundo a análise da Granar, o forte desempenho das exportações argentinas aumentou a pressão competitiva sobre o derivado. O movimento ocorreu simultaneamente ao avanço da colheita norte-americana, ampliando os fatores desfavoráveis às cotações.
A reportagem não apresenta o volume exato das exportações argentinas no período, mas identifica seu desempenho como uma das explicações para a queda do farelo. A soja brasileira também participou da pressão sobre os preços internacionais, segundo a avaliação apresentada pela Granar.
A desvalorização do real diante do dólar favoreceu a competitividade do produto brasileiro no mercado externo. Esse movimento tornou a concorrência brasileira um fator relevante para os contratos negociados em Chicago.
A pressão ocorreu em um momento no qual os Estados Unidos também registravam vendas externas superiores às expectativas. O resultado mostra que o desempenho das cotações depende da combinação entre oferta, demanda e concorrência entre os países exportadores.
O relatório semanal do USDA apresentou números positivos para as exportações norte-americanas. Entre 16 e 22 de outubro de 2026, as vendas externas de soja da safra 2026/27 alcançaram 2,576 milhões de toneladas.
O volume superou o intervalo projetado pelos participantes do mercado. Apesar disso, os contratos futuros permaneceram pressionados, indicando que o desempenho das vendas não foi suficiente para compensar a entrada de novos grãos e a concorrência internacional.
Antes da divulgação do relatório do USDA, os operadores trabalhavam com expectativas bastante diferentes para as vendas semanais. As projeções variavam entre 400 mil e 2,2 milhões de toneladas.
O resultado efetivo, de 2,576 milhões de toneladas, ficou acima do limite superior desse intervalo. A diferença mostra que a demanda externa norte-americana apresentou desempenho melhor do que o previsto pelos analistas.
Mesmo assim, a reação dos preços foi negativa, porque outros fatores continuaram exercendo pressão sobre o mercado. O relatório também mostrou uma redução das vendas em relação à semana anterior.
Segundo o USDA, o volume comercializado apresentou queda de 9% na comparação semanal. No levantamento anterior, as vendas haviam alcançado 2,841 milhões de toneladas, resultado superior ao registrado entre 16 e 22 de outubro.
Apesar da redução, o desempenho mais recente apresentou crescimento expressivo em relação à média das quatro semanas anteriores. Portanto, as vendas foram inferiores às da semana imediatamente anterior, mas permaneceram fortes quando comparadas às expectativas e à média recente.
O mercado de milho apresentou comportamento semelhante ao da soja na sessão de quinta-feira. Os contratos futuros encerraram o pregão majoritariamente em baixa, pressionados pelo avanço da colheita nos Estados Unidos e pelos dados de vendas externas.
O vencimento de dezembro registrou queda de 0,11%, terminando cotado a US$ 4,51 por bushel. Segundo a Granar, a entrada de novos grãos no mercado continuou limitando a recuperação das cotações.
O movimento está relacionado ao andamento daquela que foi descrita pela análise como a segunda maior colheita de milho já registrada nos Estados Unidos. A colheita norte-americana de milho também ampliou a disponibilidade do cereal no mercado.
Segundo a Granar, o país avançava nos trabalhos relacionados à segunda maior colheita de sua história. Esse aumento de oferta exerceu pressão sobre os preços negociados em Chicago.
O relatório semanal de exportações também não trouxe sustentação significativa às cotações, já que o volume vendido foi inferior ao registrado na semana anterior. A combinação entre maior oferta e vendas semanais menores contribuiu para o desempenho negativo do cereal.
O USDA informou que as vendas externas de milho da safra 2026/27 totalizaram 1,303 milhão de toneladas na semana encerrada em 22 de outubro. O volume ficou abaixo das 1,527 milhão de toneladas registradas no relatório anterior.
A redução semanal foi de 15%, segundo o departamento norte-americano. As estimativas de analistas privados variavam entre 1,1 milhão e 2,6 milhões de toneladas.
Dessa forma, o resultado ficou próximo do limite inferior do intervalo esperado pelo mercado. Apesar do recuo semanal, o desempenho das exportações de milho apresentou um resultado positivo em outra comparação.
Segundo o USDA, as vendas cresceram 32% em relação à média das quatro semanas anteriores. O relatório também mostrou que os destinos não especificados concentraram o maior volume de negociações durante o período.
O crescimento em relação à média recente, entretanto, não impediu a queda dos contratos futuros. A entrada de novos grãos no mercado e a redução das vendas em relação ao relatório anterior continuaram influenciando negativamente os preços.
Os dados acumulados de comercialização mostram uma diferença importante entre 2026 e o ano anterior. Até 22 de outubro de 2026, os Estados Unidos haviam vendido 23,50 milhões de toneladas de milho.
Na mesma data de 2025, o volume comercializado era de 35,37 milhões de toneladas. A comparação representa queda de 33,56% nas vendas acumuladas.
Esse resultado indica que, apesar de determinadas semanas apresentarem crescimento em relação à média recente, a comercialização acumulada permanecia abaixo do desempenho registrado no ano anterior. Enquanto soja e milho encerraram a sessão em baixa, os contratos futuros de trigo apresentaram valorização.
O vencimento de dezembro registrou alta de 0,79%, fechando a US$ 6,03 por bushel. O movimento foi sustentado pelo avanço das vendas externas dos Estados Unidos e por operações financeiras realizadas por fundos de investimento.
Segundo a Granar, os participantes do mercado aproveitaram os níveis de preços para realizar operações de hedge após uma liquidação expressiva de contratos nas sessões anteriores. A valorização ocorreu em um período de perdas acumuladas pelo cereal.
O mercado de trigo enfrentava uma sequência prolongada de quedas antes da recuperação registrada na quinta-feira. Segundo a Granar, o cereal acumulava oito semanas consecutivas de desvalorização.
A análise indicava que essa sequência ainda poderia se estender até o encerramento da semana. Mesmo com a alta de 0,79% registrada na sessão, a possibilidade de continuidade das perdas semanais permanecia em aberto.
As operações realizadas por fundos ajudaram a sustentar os preços naquele pregão, mas não representavam confirmação de uma reversão duradoura da tendência. O relatório semanal do USDA apresentou um avanço significativo nas vendas externas de trigo da safra 2026/27.
Na semana encerrada em 22 de outubro, os Estados Unidos comercializaram 849,8 mil toneladas do cereal. O volume ficou acima das 239,6 mil toneladas registradas no levantamento anterior.
Também superou as estimativas dos operadores, que variavam entre 275 mil e 600 mil toneladas. Segundo o USDA, o resultado representou o maior volume semanal de vendas líquidas do ano comercial.
O desempenho também apresentou crescimento expressivo em relação à média das quatro semanas anteriores. As Filipinas apareceram como o principal destino das vendas de trigo norte-americano na semana analisada.
Segundo o USDA, o país comprou 226,3 mil toneladas do cereal. O volume integrou o resultado semanal de 849,8 mil toneladas comercializadas pelos Estados Unidos.
A participação das Filipinas contribuiu para o desempenho positivo das exportações, que ajudou a sustentar a valorização dos contratos futuros em Chicago. O resultado reforçou a diferença entre o comportamento do trigo e o observado nos mercados de soja e milho durante a sessão.
Apesar do avanço semanal, as vendas acumuladas de trigo dos Estados Unidos continuavam inferiores às registradas no ano anterior. Até 22 de outubro de 2026, o país havia comercializado 11,52 milhões de toneladas.
Na mesma data de 2025, o volume alcançava 16,30 milhões de toneladas. A comparação representa uma redução de 29,33%.
O desempenho semanal acima das expectativas, portanto, não eliminou a diferença negativa acumulada em relação ao ano passado. O encerramento de 29 de outubro mostrou comportamentos diferentes entre os três principais grãos negociados na Bolsa de Chicago.
A soja completou quatro sessões consecutivas de queda, com o contrato de janeiro a US$ 12,34 por bushel. O milho também recuou, encerrando o vencimento de dezembro a US$ 4,51, enquanto o trigo avançou para US$ 6,03 por bushel.
Para a soja, os dados positivos de exportação não conseguiram superar os efeitos da colheita norte-americana, da desvalorização do farelo e da maior competitividade brasileira no mercado internacional. O avanço da oferta nos Estados Unidos e o ritmo das vendas externas continuam entre os fatores acompanhados pelos participantes do mercado, que avaliam se a demanda internacional será suficiente para absorver os grãos disponíveis e sustentar as cotações.
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