A Siemens Healthineers anunciou uma ampla reestruturação que culminará na remoção do nome Siemens de sua marca, passando a se chamar apenas Healthineers, à medida que avança para a cisão definitiva de sua controladora e dá início ao processo de separação de sua divisão de diagnósticos in vitro.
Sob o novo desenho, o braço de diagnósticos passará a se chamar Olyrian Diagnostics, como primeiro passo para se tornar uma companhia independente, em um processo de transição que ocorrerá em paralelo à mudança da marca da matriz. A reorganização acompanha o movimento estratégico de longo prazo do conglomerado industrial alemão Siemens, focado em se afastar do setor de tecnologia médica para concentrar esforços em inteligência artificial industrial.
Após abrir o capital da Healthineers em 2018, a matriz manteve uma participação relevante que vem sendo reduzida gradualmente. Em 2025, o grupo estruturou planos para desmembrar o negócio distribuindo uma fatia de 30% aos acionistas, o que reduzirá sua fatia dos cerca de 67% atuais para uma posição minoritária.
A cisão será submetida à deliberação dos investidores nas assembleias gerais anuais de ambas as companhias em fevereiro. O cronograma prevê que a migração para a marca Healthineers comece em 2027, com período de transição de três anos, enquanto a consolidação da Olyrian Diagnostics deve ser concluída até meados de 2028, permanecendo sob a estrutura do grupo durante a execução.
Em relatório, a analista Natalia Webster, do RBC Capital Markets, avaliou os anúncios de governança como positivos, mas ponderou que a separação do braço de diagnósticos levará tempo e acarretará custos superiores a 200 milhões de euros, despesas que a companhia pretende neutralizar por meio de um novo plano de eficiência e economia de custos.
Em contrapartida, o banco destacou que o abandono do nome Siemens dissipará as incertezas e discussões recorrentes do mercado quanto ao pagamento de taxas de licenciamento de marca à antiga controladora. Os anúncios foram divulgados juntamente com o balanço do quarto trimestre fiscal, encerrado em setembro, que decepcionou as estimativas de analistas e pressionou as ações da fabricante alemã, que recuavam 2,45% na Bolsa de Frankfurt.
O lucro líquido trimestral ficou praticamente estável em 589 milhões de euros, frente a 588 milhões de euros um ano antes, aquém dos 651 milhões de euros projetados pelo consenso da Vara Research. A rentabilidade foi prejudicada por volatilidade cambial desfavorável, inflação de custos e provisões adicionais para contingências judiciais e riscos de produto em seu segmento de imagem.
O lucro ajustado antes de juros e impostos (Ebit) recuou 2%, para 1,08 bilhão de euros, também abaixo do 1,11 bilhão de euros esperado. Já o faturamento avançou 5,9% em base comparável, somando 6,78 bilhões de euros e superando ligeiramente a estimativa de 6,73 bilhões de euros do mercado.
Para o ano fiscal de 2027, a Healthineers projeta um crescimento de receita comparável entre 4% e 5%, com o lucro por ação ajustado básico estimado na faixa de 2,20 a 2,40 euros, ante os 2,42 euros no encerramento do exercício de 2026.
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