PF investiga ajuda de Eduardo Bolsonaro em fuga de FlávioReprodução/Instagram A Itália reconheceu a cidadania de Eduardo, Carlos e Flávio Bolsonaro em 05 de janeiro de 2023, apenas 58 dias depois de os três apresentarem os documentos necessários. O governo italiano declarou que o processo seguiu as regras em vigor na época.As informações foram apresentadas nesta sexta-feira (06) pelo Ministério das Relações Exteriores da Itália em resposta a um questionamento do deputado Angelo Bonelli, integrante do partido Aliança Verdes e Esquerda (AVS), que afirmou que os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro receberam tratamento prioritário na embaixada italiana em Brasília.Como aconteceu o pedido de cidadania dos irmãos BolsonaroSegundo o governo italiano, Eduardo Bolsonaro entrou na lista de espera da embaixada em Brasília em 22 de dezembro de 2020.
Carlos e Flávio fizeram o pedido em 26 de outubro de 2021.Na época, os três moravam em Brasília e haviam apresentado documentos para comprovar que tinham direito à cidadania italiana por descendência.Em 20 de outubro de 2021, Eduardo entrou em contato com o setor consular da embaixada para pedir informações sobre o andamento do processo.
Cerca de um ano depois, em 08 de novembro de 2022, os três irmãos foram convocados para apresentar os pedidos de reconhecimento da cidadania.Siracusano explicou que Carlos e Flávio foram chamados com Eduardo porque os três são descendentes do mesmo antepassado italiano. Segundo ela, reunir os pedidos de pessoas da mesma família era uma prática já adotada pela embaixada.A cidadania foi reconhecida em 05 de janeiro de 2023, 58 dias depois da apresentação dos documentos.
Segundo o governo, a documentação estava completa e atendia às exigências da legislação da época.Os passaportes, no entanto, foram emitidos em datas diferentes. Flávio recebeu o documento em 08 de novembro de 2023, enquanto Eduardo obteve o seu em 03 de abril de 2024 e Carlos, em 14 de junho do mesmo ano.VEJA MAIS: Flávio Bolsonaro diz que fugiu sem ajuda para os EUA Deputado questiona rapidez do reconhecimentoDurante a sessão, Bonelli questionou a explicação do governo e disse que os irmãos Bolsonaro receberam tratamento prioritário em comparação com outros descendentes de italianos que aguardavam o reconhecimento da cidadania.O deputado citou uma decisão de 2024 do Tribunal de Florença, relacionada a processos de brasileiros descendentes de italianos que, segundo ele, esperaram mais de dez anos para conseguir a cidadania.Para Bonelli, o reconhecimento dos irmãos Bolsonaro em apenas 58 dias indica que o processo teve uma tramitação acelerada.
O parlamentar ainda questionou se houve autorização para que os três fossem convocados antes de outras pessoas que já estavam na fila de espera. O deputado pediu esclarecimentos sobre quem teria solicitado ou autorizado uma possível prioridade e afirmou que considera necessário investigar se houve interferência política no procedimento.Bonelli também mencionou a proximidade política entre os irmãos Bolsonaro e o grupo da Liga, liderado por Matteo Salvini, vice-primeiro-ministro da Itália.Processo seguiu as regras da épocaAo justificar o reconhecimento da cidadania, o governo italiano explicou que a legislação em vigor em 2022 permitia que descendentes de italianos tivessem a cidadania desde que comprovassem uma linha familiar ininterrupta até um antepassado nascido na Itália.
Naquele momento, não havia limite de gerações para esse tipo de reconhecimento.Segundo a subsecretária de Estado para as Relações com o Parlamento, Matilde Siracusano, a análise não dependia de uma escolha pessoal do funcionário responsável pelo processo. Cabia à administração checar se os documentos comprovavam que a pessoa atendia às exigências da lei.Siracusano ainda disse que, quando os passaportes foram emitidos, a embaixada italiana em Brasília não tinha registros de processos judiciais contra os três irmãos.As regras para obter a cidadania por descendência foram modificadas em 28 de março de 2025.
Uma reforma aprovada pelo governo italiano estabeleceu critérios mais rigorosos e passou a exigir uma ligação mais direta de descendência com a Itália.
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