O Salão Internacional da Alimentação, mais conhecido como Sial Paris, encerrou a edição deste ano com cerca de 8 mil expositores em pelo menos dez setores considerados chave. A organização contabilizou a presença de 305 mil visitantes de 192 países.
Por volta de uma hora da tarde de quarta-feira (21/10) em Paris (8h em Brasília), grande parte dos expositores já desmontava seus estandes. E quem circulava pela exposição aproveitava os últimos momentos para degustar produtos de todas as regiões do mundo.
O diretor do Sial Paris, Jean-Gabriel Mollard, explica que a feira adotou uma ferramenta baseada em inteligência artificial para promover encontros de negócios. A plataforma contabilizou 15 mil reuniões, integrando um poder de compra estimado em 100 bilhões de euros.
“O público superou o da edição de 2024 (a anterior na capital francesa). O Sial Paris confirmou sua habilidade de conectar mercados, promover a cooperação internacional e transformar tendências em oportunidades de negócios”, diz.
Mollard destaca que a programação da feira coincidiu com a reunião de ministros da Agricultura do G7, também em Paris, o que estimulou a presença de representações internacionais e de alto nível no Salão Internacional de Alimentação. O Sial abriu suas portas ao público em um momento político e social tenso em Paris.
A capital francesa passa por uma onda de protestos que começou com estudantes de ensino médio e foi agregando outros grupos, com reivindicações, por exemplo, de melhoria do custo de vida no país. O dia da abertura do evento, 17 de outubro, foi também o de manifestação mais forte em Paris e outras cidades da França, com participação estimada em cerca de 500 mil pessoas.
Na segunda-feira (19/10), o governo francês decretou toque de recolher em algumas regiões. Os organizadores do Salão Internacional da Alimentação afirmam que os protestos causaram dificuldades de acesso, especialmente no sábado (17/10), por causa de interrupções no sistema de transportes.
Mas pontuam que os problemas foram temporários e não prejudicaram o evento e seus negócios. “A feira, em si, continuou funcionando normalmente, apesar das dificuldades temporárias, e as atividades comerciais não foram afetadas.
Previmos a situação e estabelecemos um sistema de monitoramento. E as delegações internacionais foram avisadas com antecedência”, relata Mollard.
Diversidade entre os expositores Dentro do Parque de Exposições Paris-Nord Villepinte, vitrines coloridas dos estandes mostraram, em cerca de 400 mil produtos, uma diversidade de sabores e culturas alimentares em grãos, carnes, bebidas, processados, itens in natura para preparo e prontos para consumo.
Entre esses produtos, um brasileiro se destacou. A AMZ Tropical venceu o prêmio de inovação do Sial 2026 na categoria de bebidas.
Foi o único do país entre os 28 vencedores, com quatro drinques prontos inspirados na biodiversidade da Amazônia. Carnes em exposição no Sial Paris 2026
Raphael Salomão A premiação foi disputada por mais de 2,7 mil concorrentes em diversas categorias.
Nos destaques internacionais, o grande vencedor do prêmio deste ano foi o equipamento de uma empresa suíça: uma máquina para fritura em água. O setor alimentício do Brasil esteve no Sial Paris com mais de 150 empresas e cooperativas, especialmente da agricultura familiar.
Grande parte estava em espaços montados em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações Investimento (Apex Brasil). Outras companhias, como a Minerva Foods, montaram espaços independentes.
Os resultados da participação dos brasileiros devem ser divulgados nos próximos dias pela própria Apex e por entidades setoriais. Futuro da alimentação
O Salão Internacional da Alimentação também foi palco de discussões sobre tendências. Temas como segurança alimentar e resiliência das cadeias produtivas estiveram em debate, em meio a pressões geopolíticas, econômicas e ambientais.
“Nosso papel não é apenas exibir produtos, mas ajudar a indústria alimentícia global a compreender os desafios emergentes, antecipar transformações do mercado e identificar soluções”, argumenta Mollard. Uma dessas tendências é a substituição de refeições tradicionais por lanches ao longo do dia.
Pesquisa da Kantar, apresentada na feira, aponta que a proporção de pessoas que adotam a prática em nível global é de 10%. Na França, são 4%.
A explicação está na busca pela conveniência e por formatos funcionais de consumo. “As estruturas tradicionais das refeições estão evoluindo.
Os consumidores buscam, cada vez mais, produtos práticos e prontos”, diz o diretor do Sial Paris, acrescentando que o chamado ‘snacking’ cresce de forma contínua. Mollard menciona também que o uso da inteligência artificial e da tecnologia digital traz mudanças na forma de desenvolver produtos e entender os hábitos de consumo.
Os consumidores, diz ele, estão mais preocupados com questões sociais e ambientais. Querem que os alimentos reflitam essas preocupações com preços que possam pagar.
“Isso incentiva as empresas a desenvolver soluções práticas de fornecimento responsável, redução de desperdício de alimentos, embalagens e inovação acessível”, analisa o executivo. A próxima Sial Paris será em 2028.
O evento compõe uma rede, que inclui o Sial Canadá, Sial China (em Xangai e Guangzhou), Sial Interfood (Jacarta, na Indonésia) e Sial Índia. *O jornalista viajou a convite da Apex Brasil
Globo Rural