Empresas do setor de bioinsumos e defensivos agrícolas esperam avanços nas discussões sobre a modernização da legislação durante o quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com a nova composição do Congresso. Em entrevista, ontem, ao podcast do Correio, a presidente da CropLife Brasil, Ana Repezza, defendeu que a discussão sobre a Lei de Proteção de Cultivares, a regulamentação dos bioinsumos e dos defensivos químicos e a redução do tempo de análise para a aprovação de novas tecnologias destinadas ao campo precisam ser a prioridade do Lula 4.Aos jornalistas Roberto Fonseca e Rafaela Gonçalves, Ana Repezza afirmou que o setor precisa de maior previsibilidade regulatória para manter os investimentos em pesquisa e inovação.
Segundo ela, há moléculas de defensivos químicos que aguardam de seis a oito anos pela aprovação dos órgãos reguladores. "A nossa expectativa é que a gente consiga fazer a regulação no Brasil ser ainda mais dinâmica", afirmou a presidente da entidade, que representa 53 empresas ligadas a quatro segmentos: bioinsumos, defensivos químicos, biotecnologia e sementes.
As associadas faturaram R$ 114 bilhões em 2024 e investem mais de R$ 3 bilhões em pesquisa e inovação.Leia também: Franqueadores temem carga tributária, custos e falta de mão de obraUma das principais demandas da CropLife é a Lei de Proteção de Cultivares. Segundo Repezza, a legislação precisa ser modernizada para acompanhar as novas tecnologias disponíveis para a agricultura.
Regras mais claras sobre a inovação são importantes para estimular investimentos e ampliar o acesso dos produtores a novas tecnologias. No Congresso, a expectativa é manter o diálogo com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).
Ana Repezza avalia que a frente reúne representantes de diferentes estados e tem importância na tramitação de propostas relacionadas ao agronegócio.Repezza citou casos em que o desenvolvimento de uma nova molécula exige investimentos de aproximadamente US$ 11 milhões, além de anos de pesquisa e da elaboração de dossiês técnicos para comprovar a eficácia e a segurança do produto.
Atualmente, a avaliação envolve o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).CeleridadeA proposta da entidade é estabelecer um fluxo de trabalho mais coordenado entre os três órgãos, com maior protagonismo do Ministério da Agricultura.
Ana argumenta que a demora prejudica tanto as empresas responsáveis pela inovação quanto os produtores que deixam de ter acesso às novas tecnologias. Ela ponderou que a regulação brasileira tem critérios importantes para garantir a qualidade e a segurança dos produtos agrícolas, mas pode ganhar dinamismo sem perder o rigor.Segundo dados da Croplife, mais de 194 milhões de hectares brasileiros tiveram cobertura de bioinsumos em 2025.
Nos últimos cinco anos, a adoção da tecnologia registrou taxas de crescimento superiores a 10%. A pesquisa com bioinsumos no país, de acordo com Repezza, não é recente.
A Embrapa trabalha com o tema há mais de 70 anos, enquanto empresas privadas ampliaram os investimentos no desenvolvimento de soluções para proteção das culturas, nutrição do solo, fixação de nitrogênio e estímulo ao crescimento das plantas.Leia também: Governo libera R$ 5,1 bilhões para reforçar despesas de órgãos federaisA disputa por mercados e padrões regulatórios também esteve entre os temas da conversa.
Repezza afirmou que o Brasil é um mercado atrativo para empresas estrangeiras e defendeu que fabricantes chineses possam atuar no país desde que cumpram as exigências legais aplicadas às demais companhias. Na avaliação da presidente, as relações comerciais entre Brasil e China tendem a crescer, com oportunidades para o fornecimento de insumos agrícolas e para a exportação de produtos brasileiros.
Ela mencionou que a China busca se aproximar de padrões internacionais de regulação e qualidade. Saiba Mais Mundo Desabamento de coluna rochosa deixa três mortos na Capadócia, na Turquia Mundo Quatro petroleiros pegam fogo no Estreito de Ormuz após colisão com minas Esportes Após mais um gol no Atlético, Kaio Jorge joga milho para torcida do Galo Ciência e Saúde Entenda a demência com corpos de Lewy que afetou Patrick Stewart
Correio Brazilliense