O logotipo da Binance é visto em um smartphone, em 28 de fevereiro de 2023, em Marple Township, Pensilvânia. Matt Slocum/AP
A Binance, maior plataforma de negociação de criptomoedas do mundo, informou nesta quinta-feira que está investigando relatos de um possível problema de segurança, enquanto seu fundador afirmou que o incidente “parece, sim, ser um ataque hacker à Binance”. A empresa informou, no fim da quinta-feira, que o impacto total estimado superava US$ 6 bilhões, o que poderia tornar o caso um dos incidentes de segurança mais significativos já registrados.
Não ficou claro de imediato qual foi a extensão dos danos que os hackers podem ter causado, e a Binance ainda não havia confirmado explicitamente que recursos foram roubados. A empresa afirmou que suas equipes estão “trabalhando 24 horas por dia” para resolver o problema.
“Podem ficar tranquilos, os fundos dos usuários estão completamente seguros”, afirmou um porta-voz da Binance em comunicado. “Nossas equipes de segurança estão analisando com urgência todas as informações relevantes, e divulgaremos atualizações pelos canais oficiais da Binance assim que tivermos informações verificadas”, acrescentou o comunicado.
Agora no g1 A empresa escreveu em sua conta no X que o impacto total estimado estava em cerca de US$ 6,3 bilhões.
Segundo a Binance, a companhia trabalhou com parceiros do setor de blockchain para congelar os ativos afetados, e cerca de US$ 3 bilhões já haviam sido congelados na blockchain. “A investigação inicial da Binance sugere que o incidente de segurança pode envolver o laptop comprometido de um engenheiro de DevOps, o que permitiu que um invasor obtivesse acesso a um contêiner de serviço e enviasse transações de saque não autorizadas”, informou a empresa.
“Não encontramos evidências de vazamento de nenhuma chave privada de carteira”, acrescentou. A Binance afirmou que divulgará mais detalhes técnicos assim que a investigação for concluída e os fatos estiverem “totalmente verificados”.
“Nossas equipes trabalham em estreita colaboração com autoridades, emissores, empresas de inteligência de blockchain e parceiros do setor para rastrear e congelar ativos adicionais”, escreveu a empresa em outra publicação, feita mais cedo nesta quinta-feira. A Binance também informou que todos os depósitos e saques estão temporariamente suspensos enquanto realiza verificações de segurança, congela recursos e trabalha com as autoridades.
As empresas de stablecoins Tether e Circle disseram que congelaram recursos nesta quinta-feira em resposta ao incidente. Jeremy Allaire, cofundador e CEO da Circle, escreveu no X que a empresa havia congelado o equivalente a mais de US$ 800 milhões em moedas associadas ao incidente, “em coordenação com as autoridades”.
O CEO da Tether, Paolo Ardoino, disse no X que a empresa congelou o equivalente a mais de US$ 1,5 bilhão em moedas relacionadas a “um possível ataque hacker à Binance”. O preço do bitcoin caiu 3,2% na noite de quinta-feira, ficando abaixo de US$ 79 mil.
A Binance foi fundada em 2017 por Changpeng Zhao, que, em 2023, se declarou culpado de um crime relacionado à sua falha em impedir a lavagem de dinheiro na plataforma e deixou o cargo de CEO. O presidente Donald Trump concedeu perdão a Zhao em 2025.
Zhao publicou no X nesta quinta-feira que “os fundos dos usuários estão seguros!”, mas acrescentou que o incidente “parece, sim, ser um ataque hacker à Binance”. Ele afirmou ainda que, embora não administre mais a Binance, “como acionista, espero que todos os fundos dos usuários sejam integralmente cobertos”.
Zhao foi libertado da prisão no ano passado após ser condenado por violar a Lei de Sigilo Bancário dos Estados Unidos (Bank Secrecy Act). Ele foi a primeira pessoa condenada à prisão por violações dessa lei, que exige que instituições financeiras dos EUA saibam quem são seus clientes, monitorem transações e apresentem relatórios sobre atividades suspeitas.
Promotores afirmaram que ninguém havia violado as regras na mesma dimensão que Zhao. Zhao e a Binance têm sido importantes apoiadores de alguns dos empreendimentos de criptomoedas da família Trump.
G1