Sepultura se aproxima do último show - banda prepara despedida após mais de 40 anos de história

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Fonte da notícia: Whiplash Whiplash

Por Sérgio Dall'AlbaPostado em 06 de novembro de 2026 Com apresentação nesta quinta-feira (5), em São Paulo, grupo faz os últimos movimentos da turnê "Celebrating Life Through Death"; encerramento da trajetória nos palcos está marcado para sábado (7)

Uma das histórias mais importantes do rock brasileiro está chegando ao seu capítulo final. O Sepultura, banda formada em Belo Horizonte em 1984 e responsável por levar o metal nacional aos principais palcos do mundo, realiza neste sábado (7), em São Paulo, sua última apresentação da carreira.

A despedida acontece após mais de quatro décadas de trajetória, marcada por transformações musicais, mudanças de formação, reconhecimento internacional e uma contribuição decisiva para a consolidação do Brasil no cenário mundial do heavy metal. Antes do encerramento definitivo, o grupo realiza nesta quinta-feira (5) uma apresentação especial no Cine Joia, também em São Paulo.

Batizado de The Last Ceremony, o espetáculo foi concebido em formato mais intimista e com repertório preparado especialmente para a ocasião, funcionando como um dos últimos encontros entre a banda e seus fãs. A apresentação final será no Suhai Music Hall, no dia 7 de novembro, encerrando a turnê mundial Celebrating Life Through Death, anunciada em dezembro de 2023 como celebração dos 40 anos do grupo.

A história do Sepultura começou em 1984, em Belo Horizonte, quando os irmãos Max e Igor Cavalera deram os primeiros passos para formar uma banda que mudaria o patamar do metal brasileiro. Ao lado de Paulo Xisto e Jairo Guedz, o grupo surgiu na efervescente cena underground da capital mineira, que também revelou nomes importantes da música pesada nacional.

Os primeiros trabalhos, como Bestial Devastation (1985) e Morbid Visions (1986), apresentavam uma sonoridade extrema, influenciada pelo death e pelo thrash metal. A entrada do guitarrista Andreas Kisser ampliou as possibilidades musicais do grupo e ajudou a construir a identidade que o levaria ao reconhecimento internacional.

O lançamento de Beneath the Remains (1989) representou um divisor de águas. Com distribuição internacional pela Roadrunner Records, o álbum abriu portas para o mercado estrangeiro e colocou o Sepultura entre os nomes de destaque do metal mundial.

Na sequência, Arise (1991) consolidou essa posição. Já com Chaos A.D.

(1993), a banda ampliou sua linguagem musical, incorporando elementos de groove metal, hardcore e influências de diferentes culturas. Em 1996, Roots marcou outra transformação importante.

O disco aproximou o metal de ritmos e instrumentos da música brasileira, incluindo referências indígenas, e se tornou um dos trabalhos mais emblemáticos da carreira do grupo. A trajetória do Sepultura também foi marcada por mudanças profundas.

A saída de Max Cavalera, em 1996, abriu uma nova fase na história da banda. Em 1997, o norte-americano Derrick Green assumiu os vocais, estreando em estúdio no álbum Against, lançado em 1998.

Anos depois, em 2006, foi a vez de Igor Cavalera deixar o grupo. Mesmo diante dessas transformações, Andreas Kisser e Paulo Xisto mantiveram o projeto em atividade, construindo uma nova etapa com diferentes músicos.

A formação que chega ao encerramento da turnê reúne Andreas Kisser na guitarra, Derrick Green nos vocais, Paulo Xisto no baixo e Greyson Nekrutman na bateria. O jovem baterista norte-americano assumiu o posto em 2024, após a saída de Eloy Casagrande, que posteriormente se juntou ao Slipknot.

Ao longo dessa trajetória, o Sepultura mostrou capacidade de se reinventar sem abandonar a identidade construída desde os primeiros anos em Belo Horizonte. A despedida também ganhou um capítulo musical com o lançamento de The Cloud of Unknowing, em 24 de abril de 2026.

Com quatro faixas - All Souls Rising, Beyond the Dream, Sacred Books e The Place -, o EP representa o último registro de estúdio da banda. O trabalho apresenta diferentes características da sonoridade do Sepultura e aborda questões sociais, religiosas e políticas.

Entre os temas está a imigração, explorada em The Place, enquanto All Souls Rising traz referências à revolta de escravizados no Haiti. Gravado com Greyson Nekrutman na bateria, o EP funciona como um registro final da criatividade do grupo, que decidiu não encerrar sua história apenas revisitando os sucessos do passado, mas também apresentando material inédito ao público.

A reta final da turnê Celebrating Life Through Death reserva dois momentos especiais em São Paulo. Nesta quinta-feira (5), o Sepultura apresenta The Last Ceremony, no Cine Joia.

A proposta é realizar um espetáculo em formato intimista, diferente dos grandes palcos que marcaram a turnê mundial. O repertório foi preparado especialmente para a ocasião, com momentos exclusivos para os fãs.

Já no sábado (7), acontece a apresentação que marcará oficialmente o encerramento da trajetória da banda nos palcos. O show será realizado no Suhai Music Hall, em São Paulo, após alteração do local inicialmente anunciado, o Mercado Livre Arena Pacaembu.

A noite contará com participações de Metal Allegiance, Krisiun e Sacred Reich, além de músicos que fizeram parte da história do Sepultura, como Jean Dolabella e Jairo Guedz. A apresentação representa o fim de uma jornada que atravessou continentes, gerações e diferentes fases do heavy metal.

Mais do que uma banda de sucesso internacional, o Sepultura representa uma conquista para a música brasileira. Em uma época em que o mercado mundial do metal era dominado principalmente por grupos europeus e norte-americanos, quatro jovens de Belo Horizonte conseguiram construir uma carreira internacional sem abrir mão de suas origens.

A influência do grupo ultrapassou as fronteiras do gênero. Sua trajetória ajudou a abrir caminhos para outras bandas brasileiras, demonstrando que a música pesada produzida no país poderia conquistar espaço nos principais mercados internacionais.

O encerramento dos shows não apaga essa história. Pelo contrário: transforma a despedida em uma oportunidade de reconhecer a dimensão de uma obra construída ao longo de mais de quatro décadas.

O Sepultura nasceu em Belo Horizonte, conquistou o mundo e deixa um legado que continuará reverberando muito depois de seu último acorde. Sábado, 7 de novembro de 2026Suhai Music Hall – São Paulo (SP)Metal Allegiance, Krisiun e Sacred ReichIngressos e informações: Ticketmaster.

Publicação Original Whiplash whiplash.net
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