O Senado do Peru aprovou nesta quarta-feira um projeto de lei que permitirá à presidente Keiko Fujimori legislar contra o crime organizado sem passar pelo Congresso. Com 34 milhões de habitantes, o Peru atravessa sua pior crise de segurança desde o fim do conflito armado interno (1980–2000), com um aumento explosivo dos homicídios e das extorsões. O GLOBO no Mundo: receba as notícias internacionais em seu WhatsApp Quer morar fora do Brasil? Guia completo de imigração reúne informações de 36 países com mais apelo para brasileiros Fujimori recebeu autorização para editar normas sobre controle migratório, uso de armas e reforma do sistema penitenciário. Segundo as autoridades, as prisões estão superlotadas e, de dentro delas, são coordenadas ações criminosas. O projeto já havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados, mas o Senado incorporou novas atribuições, que provocaram a rejeição da oposição. Entre os poderes adicionais, a presidente poderá autorizar a intervenção das Forças Armadas no combate às organizações criminosas quando houver risco de a polícia ser sobrepujada. Presidente do Peru, Keiko Fujimori, cumprimenta o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em Lima ERNESTO BENAVIDES / AFP Delegação de poderes legislativos ao Executivo Ela também poderá criar um cadastro de organizações criminosas que adotem práticas “utilizadas pelo terrorismo ou semelhantes”. Essas organizações poderão ser investigadas por meio de “técnicas especiais”, ter seu patrimônio rastreado e ser levadas a julgamento, conforme o texto aprovado. “O plenário do Senado aprovou a delegação de poderes legislativos ao Poder Executivo nas áreas de segurança pública e do fenômeno El Niño, pelo prazo de 90 dias”, informou o Parlamento na rede social X. Escudo das Américas: EUA anunciam escritório antinarcóticos no Paraguai para coordenar operações no Cone Sul A oposição teme que as Forças Armadas possam cometer eventuais abusos ao atuar em conjunto com a polícia no controle da ordem pública. O Congresso também concedeu poderes a Fujimori para enfrentar o fenômeno climático El Niño, que eleva a temperatura do oceano Pacífico e altera os padrões de ventos e precipitações no planeta. Segundo cientistas, o fenômeno poderá ser o mais intenso já registrado. Filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990–2000), Keiko assumiu o poder em julho e prometeu, durante a campanha eleitoral, combater a criminalidade com mão de ferro, assim como seu falecido pai, condenado por violações dos direitos humanos.
Senado peruano dá a Keiko Fujimori poder para promulgar leis contra o crime organizado sem passar pelo Congresso
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