Sem citar Flávio, Ana Campagnolo fala em futuro da direita no Brasil e quer novos líderes ‘fiéis às pautas e valores, não ao personalismo’

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Fonte da notícia: ND Mais ND Mais

Reeleita com 387.523 votos em SC, deputada defende autocrítica do movimento conservador, fortalecimento de lideranças locais e estratégias políticas para além das eleições e das redes sociais A deputada estadual Ana Campagnolo (PL) defendeu uma autocrítica da direita brasileira após o resultado das eleições de 2026 e cobrou a construção de lideranças e estruturas políticas capazes de sustentar o movimento conservador para além das disputas eleitorais.

Em uma manifestação sobre o futuro da direita, a parlamentar não citou Flávio Bolsonaro nominalmente, mas questionou a estratégia de concentrar as expectativas do grupo político na eleição de um presidente da República. Reeleita para o terceiro mandato na Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina), com 387.523 votos nas eleições de 2026, Campagnolo afirmou que a direita precisa avaliar o que construiu nos últimos anos e investir em organização política local, formação de lideranças e presença nas instituições.

“Mais uma vez, a direita apostou tudo, tudo no resultado de uma eleição e não devia ser assim”, afirmou. O posicionamento ocorre após a disputa presidencial de 2026, em que Flávio Bolsonaro (PL) enfrentou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno.

A derrota do candidato apoiado pela direita reacendeu o debate sobre os rumos do movimento conservador e as estratégias para os próximos anos. Embora não mencione Flávio diretamente, Campagnolo questiona a dependência de uma candidatura presidencial como principal caminho para promover mudanças no país.

“Eu quero discutir o que que nós vamos fazer daqui para frente”, declarou. Ana Campagnolo fala sobre o futuro da direitaVídeo: Reprodução/@anacampagnolo/ND Mais

Na avaliação de Campagnolo, o movimento conservador precisa olhar para a trajetória iniciada antes da eleição de Jair Bolsonaro, em 2018, e avaliar quais conquistas conseguiu transformar em mudanças duradouras. A parlamentar citou as manifestações de junho de 2013, a eleição presidencial de 2014, o impeachment de Dilma Rousseff, a vitória de Bolsonaro em 2018 e o retorno de Lula ao poder em 2022.

Para ela, a sequência de acontecimentos deveria servir de base para uma reflexão sobre os avanços e as perdas da direita brasileira. “O que que a direita construiu de duradouro que resistisse mais que uma eleição? Quais foram os resultados práticos? O que que nós conquistamos além de votos?”, questionou.

Campagnolo também comparou a trajetória dos conservadores à da esquerda, que, segundo ela, conseguiu se reorganizar depois da derrota de 2018 e voltou à Presidência quatro anos depois. Para a deputada, a direita precisa compreender como seus adversários mantiveram a articulação política mesmo fora do governo e desenvolver uma estratégia que não dependa exclusivamente do resultado das urnas.

“Precisamos urgentemente fazer uma autocrítica”, afirmou. Um dos principais pontos da manifestação foi a necessidade de fortalecer a atuação política nos municípios e nas regiões.

Campagnolo defendeu que parlamentares utilizem seus mandatos para formar novas lideranças e construir redes de apoio em instituições locais, em vez de concentrar esforços apenas na disputa presidencial. A deputada mencionou prefeituras, câmaras municipais, escolas, associações e outras organizações como espaços importantes para a consolidação de um projeto político.

“Eu não deveria pensar no Estado se eu não domino a prefeitura, eu não deveria pensar na Presidência se eu não domino o governo”, afirmou. A parlamentar também criticou a atuação de políticos que, na avaliação dela, concentram energia em manifestações nas redes sociais e em disputas internas, mas não apresentam resultados concretos na construção de uma base política.

“Porque para gravar vídeo caçando traidor, expondo melancia, aí um monte de gente faz. Mas quais são os resultados práticos?”, questionou.

A expressão foi usada em referência a críticas e disputas dentro do próprio campo conservador. Ao longo da manifestação, Campagnolo defendeu que a prioridade seja fortalecer projetos e valores políticos, em vez de concentrar a atuação em ataques a adversários ou divergências entre integrantes da direita.

Ela também argumentou que conquistar um mandato deve representar o início de um trabalho mais amplo, com capacidade de formar sucessores, ampliar a influência regional e manter uma estrutura política ativa entre uma eleição e outra. Para defender a importância do trabalho de base, Campagnolo utilizou a própria trajetória eleitoral em Santa Catarina como exemplo.

Em 2018, quando chegou à Alesc, recebeu 34.825 votos. Na eleição seguinte, em 2022, foi reeleita com 196.571 votos.

Em 2026, alcançou 387.523 votos. A votação deste ano consolidou a parlamentar como a candidata mais votada para a Assembleia Legislativa catarinense.

Segundo ela, o crescimento não pode ser explicado apenas pela presença nas redes sociais, mas pela construção de uma rede de apoiadores e lideranças distribuída pelo Estado. “Isso não aconteceu porque eu tenho só uma rede social forte.

Aconteceu porque eu trabalhei para construir uma rede presencial, local, forte, com pessoas que andam comigo, que me conhecem, associações, entidades, vereadores”, declarou. Campagnolo afirmou que essa estrutura contribuiu para manter seu projeto político mesmo diante de críticas e tentativas de enfraquecer sua atuação.

“Eu tinha ao meu redor, espalhado por toda Santa Catarina, uma rede de pessoas leais, ocupando posições estratégicas nas prefeituras, nos conselhos das associações. Essas pessoas permaneceram firmes nesse projeto, porque não se resume a um projeto eleitoral”, disse.

A deputada defendeu que o modelo de organização construído em Santa Catarina possa ser ampliado para outros estados, com o objetivo de fortalecer a atuação conservadora em nível nacional. Outro ponto levantado por Campagnolo foi a dependência da internet como ferramenta de mobilização política.

Ela citou a possibilidade de mudanças nas regras de funcionamento das redes sociais e defendeu que a direita tenha estruturas presenciais capazes de manter a articulação com os apoiadores independentemente do ambiente digital. “Diante da ameaça do Lula de ampliar ainda mais o controle sobre as redes sociais, é ainda mais urgente do que nunca que a direita acorde para esta realidade e construa estruturas sólidas de poder fora da internet”, afirmou.

Na avaliação da parlamentar, a eleição de representantes alinhados a determinadas pautas não garante, por si só, que essas ideias sejam implementadas. Ela argumentou que um presidente precisa contar com apoio técnico, institucional e político para transformar propostas em ações de governo.

Ao questionar a estrutura disponível para sustentar uma eventual administração federal da direita, Campagnolo perguntou se o movimento conservador está preparado para ocupar espaços estratégicos no Estado e dar suporte a um presidente eleito. A deputada ressaltou que sua manifestação não tem como objetivo responsabilizar individualmente os integrantes do movimento, mas provocar uma reflexão coletiva, especialmente entre os políticos que já exercem mandatos.

“Eu não tô culpando, é claro, ninguém especificamente. Eu estou propondo para todos nós uma autocrítica, principalmente aos colegas de direita que já estão eleitos agora nessa nova legislatura estaduais ou federais”, declarou.

Ao falar sobre os próximos passos, a parlamentar defendeu que os políticos de direita aproveitem os próximos quatro anos para consolidar estruturas locais e regionais e compartilhar experiências que, segundo ela, contribuíram para o fortalecimento do conservadorismo em Santa Catarina.

“Que tal nós que temos mandato e os outros ao redor também nos dedicarmos nos próximos quatro anos a ampliar e replicar o modelo que funcionou em Santa Catarina, que funcionou no meu mandato para outros estados”, propôs. Campagnolo afirmou que está à disposição do PL para preparar materiais, oferecer treinamentos e colaborar com iniciativas voltadas à organização do movimento conservador.

Ela também mencionou o livro Mapeando o Caminho, de sua autoria, ao defender que a direita estude as estratégias utilizadas pela esquerda para construir influência política e ocupar espaços de poder. Ao concluir, a deputada reforçou que o trabalho precisa continuar mesmo longe dos períodos eleitorais e que a mobilização deve envolver pessoas que atuam em diferentes áreas da sociedade.

“Não adianta ficar esperando eleição de quatro em quatro anos ou eleição de um presidente, isso sozinho não vai transformar o Brasil”, afirmou. Campagnolo também destacou que continuará à frente do trabalho do PL Mulher em Santa Catarina.

Para ela, o desafio da direita é construir uma organização política duradoura, capaz de formar lideranças, fortalecer suas bases e manter a atuação alinhada às pautas defendidas pelo movimento conservador. Thaane Otero é editora e repórter no portal ND Mais, onde atua no Núcleo de Santa Catarina e acompanha a produção de conteúdos e cobre o cotidiano de Florianópolis e cidades da região, como São José, Biguaçu e Palhoça.

Também produz matérias sobre o que há de relevante em solo catarinense, incluindo destaques de segurança pública, saúde, política e mais, sempre com olhar atento e conectado à realidade local. Formada em Jornalismo pela UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), atua na área desde 2019 e tem experiência em produção multiplataforma, com passagem por veículos digitais e impressos.

Também trabalhou com assessoria de imprensa e assina projetos editoriais especiais, como revistas de municípios do Médio Alto Uruguai, no Rio Grande do Sul. Atuou nas Eleições 2022 e 2024 na produção de conteúdos multimídia, debates ao vivo e apuração de votos em veículos com abrangência no Rio Grande do Sul.

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