A carta golpista na qual Flávio Bolsonaro (PL) se autoplocama presidente da República foi enviada por aliados do senador a jornalistas inicialmente com um brasão antigo que se refere ao país como "Estados Unidos do Brazil". O símbolo foi utilizado no período da Proclamação da República, em 1889, até 1968, quando foi substituído durante a ditadura militar.
Treze minutos depois, foi compartilhada uma nova versão do texto, já com o brasão correto da "República Federativa do Brasil". Repercussão: Fuga de Flávio Bolsonaro para os EUA é criticada por democratas, que miram Trump às vésperas das eleições
'Seguiremos firmes ao lado do senador': Líderes do PL no Congresso citam 'total apoio' a Flávio após fuga para os EUA O documento foi divulgado inicialmente por Paulo Figueiredo, aliado de Flávio que também mora nos Estados Unidos, para onde o senador fugiu após a derrota nas urnas para o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ao enviar o novo arquivo, o bolsonarista escreveu: "Versão com brasão correto". Logo na abertura do documento, que o próprio Flávio divulgou nas redes em seguida, ele se apresenta como vencedor da disputa presidencial, embora tenha sido superado por cerca de 4,4 milhões de votos.
"Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil", alegou. Na carta, Flávio anunciou que pretende comandar a oposição ao governo petista a partir dos EUA, para onde seguiu com a família, e prometeu apresentar uma estratégia de mobilização de seus apoiadores nos próximos dias.
Ele também agradeceu aos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, pelo acolhimento após sua saída do Brasil, e sustentou, sem apresentar provas, que houve fraude na eleição presidencial. No documento, Flávio questiona a decisão de prorrogar o horário de votação até as 19h, tomada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já divulgou, no entanto, que pouco mais de 30 mil votos foram computados entre 17h e 19h, sem qualquer impacto no resultado geral. O texto não apresenta nenhuma prova de irregularidades capazes de alterar o resultado, acusa o governo Lula de abuso de poder político e econômico durante a campanha e defende a cassação da chapa adversária.
"Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos", afirma. Ao final, Flápromete manter uma comunicação frequente com seus eleitores e anunciar uma estratégia de atuação política a partir dos Estados Unidos.
"Nos próximos dias, vou me dirigir regularmente ao povo brasileiro, e apresentaremos uma estratégia para mobilizar a oposição e o imenso apoio popular que temos, por todos os meios pacíficos e legítimos", diz. Fuga do Brasil
Flávio está nos Estados Unidos desde a manhã desta quinta-feira. O governo argentino informou na madrugada que Flávio entrou no país às 22h50 de terça-feira pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Puerto Iguázu, na província argentina de Missiones.
O senador entrou na Argentina usando o passaporte italiano. De lá, embarcou em um jatinho rumo a Guayaquill.
Já no Equador, decolou às 6h22, no horário de Brasília, com destino ao aeroporto Opa Locka, um terminal executivo no condado de Miami-Dade. O bolsonarista chegou aos Estados Unidos nesta manhã, às 10h24.
Flávio teve os passaportes cancelados por decisão de Moraes, a pedido da Polícia Federal (PF), que alegava risco de fuga no curso das investigações a que o bolsonarista responde. Ele descumpriu a decisão e não entregou os documentos no prazo determinado.
O Globo