Para aliados, Tarcísio se fortalece como liderança da direita com fuga de Flávio, mas governador ainda calcula reação

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A fuga de Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos ainda não havia se concretizado quando o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), publicou um vídeo nas redes sociais sobre o resultado da eleição. A mensagem foi clara: ao repetir por seis vezes que “a eleição passou”, Tarcísio explicitou que não iria embarcar no discurso de fraude encampado por Flávio ao fim da apuração, e conclamou a direita a se unir para fazer uma oposição forte a Lula (PT).

A decisão do senador de deixar o país rumo aos Estados Unidos não foi comentada pelo governador, que foi pego de surpresa e ainda avalia reações, mas aliados já afirmam que ele sai “naturalmente fortalecido” da situação como possível líder da direita, já que Flávio estará longe. Na segunda-feira, um dia antes de cruzar a fronteira para a Argentina, Flávio falou em liderar a oposição contra Lula e disse que não sairia do país.

Tarcísio decidiu adotar essa linha no primeiro e único pronunciamento feito até agora após a derrota do aliado. O governador não fez agendas públicas nesta semana e vem calculando o que vai dizer, assim como outros nomes da direita, que também estão em compasso de espera.

Foi somente no fim da tarde desta quarta-feira (28) que Flávio se pronunciou pela primeira vez após a saída do país. Em uma carta com teor golpista, ele se autoplocama presidente da República, diz que o resultado das urnas foi fraudado e anunciou que pretende comandar a oposição ao governo petista a partir do exterior.

No documento, ele se dirige a quem votou nele e diz que será a "voz e a liderança livre da nação". Parlamentares e políticos próximos a Tarcísio ouvidos pelo GLOBO afirmam que a fuga repentina de Flávio causou “desconforto” porque soou contraditória com o que ele mesmo havia sinalizado no dia anterior, ainda que haja uma “compreensão” de alguns de que ele estaria apenas se protegendo de uma provável decretação de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Mas as mesmas fontes afirmam que, com o senador longe, recairá sobre Tarcísio a expectativa de comandar uma oposição contra Lula dentro do Brasil, e que o episódio reforça o nome dele para disputar a presidência em 2030. Uma pessoa próxima ao governador diz que isso não virá de maneira fácil, entretanto, e já espera atritos com a família Bolsonaro, devido ao histórico.

A militância mais ligada ao bolsonarismo já chegou a chamar Tarcísio de “traidor” quando ele apoiou a Reforma Tributária do governo Lula, em 2023, por exemplo, ou quando aplaudiu Alexandre de Moraes durante um evento em dezembro de 2025, no qual Lula também estava. Pavimentar esse caminho para se cacifar o candidato da direita no próximo pleito, diz outro aliado, exigirá “esforço e diálogo com a família Bolsonaro” para evitar “atritos”, avalia outra fonte.

Para um parlamentar ligado a Tarcísio, boa parte da direita ainda está esperando para ver qual será a postura de Flávio nos Estados Unidos, que poderá “se manter como o maior opositor do Lula”, já que o governador tem “obrigações institucionais” do cargo e não poderia viver brigando publicamente com o presidente, mas para isso o senador terá de saber “se comunicar melhor” do que o irmão, Eduardo Bolsonaro (PL), que também vive nos Estados Unidos.

Nas redes sociais, o movimento “Tarcísio 2030” já começou. Nos últimos dois dias, surgiram algumas dezenas de páginas de apoiadores, apócrifas, conclamando em prol do governador como candidato a presidente na próxima eleição.

No vídeo no qual Tarcísio reconhece o resultado da eleição e prega oposição a Lula, há vários comentários de seguidores usando expressões como “Tarcísio presidente” e defendendo que ele seja o candidato. A possibilidade de Tarcísio concorrer ao Planalto não é uma novidade, e antes de Flávio ser consagrado o candidato ao cargo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2026, o governador era um dos mais cotados.

Durante a campanha, Tarcísio fez uma campanha com aparições públicas pontuais com Flávio no primeiro turno e, a partir do segundo turno, embarcou com mais assiduidade no “projeto Flávio”: organizou eventos para o candidato do PL em São Paulo, gravou vídeos e áudios para a propaganda de TV e rádio, e até viajou o país para participar de eventos com o senador.

Um dos compromissos que Flávio fez tanto publicamente para seus eleitores, quanto nos bastidores para Tarcísio, foi que, se eleito, ele pautaria o projeto de fim da reeleição para presidente, o que abriria portas para que o chefe do Palácio dos Bandeirantes concorresse em 2030.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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