Secretário nacional de Comunicação do PT ironizou brasão com a inscrição ‘Estados Unidos do Brazil’, contestou alegações de fraude eleitoral e defendeu que o senador responda pelas declarações Éden Valadares, secretário nacional de Comunicação do PT (Partido dos Trabalhadores), cobrou um posicionamento do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) após o senador Flávio Bolsonaro (PL) se declarar “o verdadeiro presidente eleito do Brasil” em uma carta divulgada nesta quarta-feira (28).
Em publicação no X, antigo Twitter, Valadares criticou o conteúdo do documento, questionou o símbolo utilizado e contestou as alegações de fraude eleitoral apresentadas pelo parlamentar. Na publicação, o dirigente petista chamou Flávio de “Guaidó Tupiniquim”, em referência ao político venezuelano Juan Guaidó, e ironizou a inscrição ‘Estados Unidos do Brazil’ presente no brasão reproduzido na carta.
“Eu não sei se todo mundo reparou, mas o discurso golpista do Guaidó Tupiniquim vem com um brasão da República tão fake que está escrito ‘Estados Unidos do Brazil’. Sim! Estados Unidos, e não República Federativa; e Brasil com Z!”, escreveu Valadares.
O secretário também pediu que o TSE se pronuncie sobre as declarações do senador. Para ele, ao se apresentar como presidente eleito e contestar o resultado oficial das eleições, Flávio deve responder pelas afirmações.
Eu não sei se todo mundo reparou, mas o discurso golpista do Guaidó Tupiniquim vem com um brasão da República tão fake que está escrito “Estados Unidos do Brazil”. Sim! Estados Unidos, e não República Federativa; e Brasil com Z!
— Éden Valadares (@edenvaladares) October 28, 2026 Na carta, Flávio Bolsonaro se dirigiu ao povo brasileiro e à comunidade internacional como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”.
O senador alegou que houve fraude eleitoral e questionou a decisão que, segundo ele, teria prorrogado o horário de votação no segundo turno. O parlamentar afirmou que a mudança teria permitido que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebesse mais de 10 milhões de votos em relação ao primeiro turno.
Também acusou instituições brasileiras de perseguição política e disse que pretende liderar a oposição a partir dos Estados Unidos. Valadares contestou especificamente a alegação relacionada ao horário de votação.
Segundo o secretário do PT, dados divulgados pelo TSE indicam que foram registrados 34.393 votos após as 17h. Ele também afirmou que a diferença entre Flávio e Lula foi de 4,4 milhões de votos.
“Mesmo considerando que todos esses votos fossem anulados, a diferença ainda seria de 4,360 milhões de votos”, escreveu Valadares, ao argumentar que a quantidade de votos registrados após as 17h não alteraria o resultado apontado por ele. O dirigente petista classificou como falsa a alegação de que a mudança no horário teria acrescentado 10 milhões de votos ao resultado de Lula e cobrou uma resposta institucional sobre o conteúdo da carta.
Além de questionar as declarações do senador, Valadares defendeu que o caso seja investigado. Na avaliação do secretário, a contestação do resultado eleitoral por um agente público, acompanhada de acusações de fraude sem apresentação de provas, pode justificar apurações nas esferas eleitoral e criminal.
O dirigente afirmou que Flávio deveria responder por crime de responsabilidade e mencionou possíveis investigações por desinformação contra a integridade do processo eleitoral e denunciação caluniosa com finalidade eleitoral. Valadares ressalvou que não é advogado nem jurista ao apresentar sua interpretação sobre o enquadramento legal das declarações.
Ele citou o artigo 85 da Constituição Federal, que trata dos crimes de responsabilidade do presidente da República, e defendeu que as instituições avaliem o caso. “Com a palavra o Tribunal Superior Eleitoral!”, concluiu o secretário na publicação.
As avaliações jurídicas apresentadas por Valadares representam a posição dele sobre o episódio. A eventual responsabilização de Flávio Bolsonaro depende da análise das autoridades competentes e da aplicação das normas pertinentes ao caso.
No documento, Flávio afirmou que deixou o Brasil por considerar que enfrenta perseguição política e disse que pretende continuar sua atuação política a partir dos Estados Unidos. O senador agradeceu ao presidente argentino Javier Milei, ao presidente norte-americano Donald Trump e ao povo dos Estados Unidos pela acolhida.
Também alegou que a eleição foi marcada por irregularidades e questionou decisões do STF (Supremo Tribunal Federal) e do TSE. Flávio declarou que não pretende abandonar seus apoiadores e anunciou que deve se dirigir regularmente aos brasileiros para apresentar uma estratégia de mobilização da oposição.
Segundo ele, as ações serão realizadas por meios que classificou como pacíficos e legítimos. Na carta, o parlamentar também comparou sua situação à de figuras históricas que atuaram politicamente fora de seus países, como Rui Barbosa, Charles de Gaulle e José Martí, além de citar opositores do governo venezuelano.
Ao final do documento, Flávio reiterou que se considera o presidente eleito e afirmou que a disputa política não terminou com o resultado das urnas. A declaração provocou reação de Éden Valadares, que pediu uma manifestação do TSE e contestou as alegações apresentadas pelo senador.
Lidia Gabriella é repórter do ND Mais, no Núcleo Nacional, e acompanha de perto as tendências digitais e os assuntos que mais repercutem no noticiário brasileiro e mundial. Curiosa e atenta aos temas que movimentam o país, escreve sobre comportamento, entretenimento, ciência, astrologia e assuntos que repercutem nas redes e no cotidiano dos leitores.
É jornalista em formação pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e atua na área esde 2022. Tem experiência em portal de notícias e assessoria de comunicação no Ceart-Udesc.
Participou de coberturas de Carnaval, Olimpíadas e das enchentes no Rio Grande do Sul. Também cobriu as Eleições 2024 pelo ND Mais, focada na produção de matérias factuais sobre o andamento do pleito em diversas cidades do Brasil.
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