O governo Lula adotou a estratégia de não se envolver no assunto da fuga do senador Flávio Bolsonaro para evitar um conflito diplomático, especialmente com os Estados Unidos. A ordem dada pelo presidente é dizer que o assunto é um problema da Justiça e não do Executivo e, assim, distanciar o Ministério das Relações Exteriores nesse conflito.
Apesar do tom de cautela, internamente integrantes do Itamaraty disseram que o cenário é avaliado com frieza e prudência para não atrapalhar a relação do Brasil com o país americano, especialmente em um momento de negociação em torno do tarifaço. Embora o discurso seja de equilíbrio, o governo apura nos bastidores as suspeitas de participação dos governos de Javier Milei, da Argentina, e dos EUA, de Donald Trump, na megaoperação de fuga de Flávio.
O Brasil também está trabalhando para saber se houve algum tipo de apoio inclusive do governo do Equador. Em meio a esse clima de tensão, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, deve se encontrar nesta semana com Marco Rubio, secretário de estado americano, em um evento do G20, em Atlanta.
O professor de Relações Institucionais, Vladimir Feijó, avalia que a postura do Brasil é uma escolha estratégia para evitar um confronto direto com os Estados Unidos. "Seria misturar uma investigação criminal, ou seja, um assunto que é do poder Judiciário com um assunto do poder Executivo.
Assim, se misturaria a diplomacia técnica com algo que é um procedimento político. Sobre a perspectiva da diplomacia moderna, vigora o princípio do pragmatismo de Estado.
O Brasil precisa gerir as relações estratégicas de longo prazo com os Estados Unidos e isso envolve não só os temas comerciais, mas também os temas geopolíticos, os temas institucionais densos", explica. O tom de prudência por parte do governo federal ocorre um dia depois de Lula ter criticado a fuga de Flávio.
Ele chegou a dizer que era um ato vergonhoso e que o Brasil era a segunda pátria de Flávio, porque a primeira era "lamber as botas" dos Estados Unidos. Lula ainda comparou a conduta de Flávio à própria postura quando foi preso, em 2018 e afirmou que o senador deveria ter cumprido a determinação judicial de entregar os passaportes.
CBN