A atriz Selma Blair, de 54 anos, se pronunciou pela primeira vez após ser presa por um incidente a bordo de um voo da Delta Air Lines, nos Estados Unidos. Em comunicado divulgado por seu representante à revista People nesta sexta-feira, a artista afirmou ter sofrido uma emergência médica durante a viagem e negou que tenha tentado abrir a porta do avião ou que pretendesse ferir alguém.
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— Selma passou por uma emergência médica durante o voo. Não houve tentativa de abrir a porta da aeronave.
Selma não tinha intenção de machucar ninguém — declarou o representante. O episódio ocorreu em 11 de outubro, durante um voo de Los Angeles para Nova York.
Segundo relatos policiais, Blair teria agredido dois comissários de bordo, um deles com uma mordida e o outro com um soco. Após o pouso no Aeroporto Internacional John F.
Kennedy, em Nova York, a atriz foi detida e encaminhada a um hospital para avaliação médica. De acordo com documentos judiciais citados pela imprensa americana, Blair também é acusada de chutar repetidamente uma policial durante o transporte para a unidade de saúde e de atingir uma enfermeira no peito.
A atriz foi denunciada por duas acusações de agressão em segundo grau, relacionadas aos episódios com a policial e a profissional de saúde. Ela se declarou inocente em audiência realizada em 12 de outubro e foi liberada após o pagamento de fiança.
O FBI investiga o caso, que também envolve as alegadas agressões durante o voo. Se condenada pelas acusações estaduais, Blair poderá enfrentar uma pena de prisão.
Atriz Selma Blair lança livro de memórias Instagram/Reprodução
Defesa cita esclerose múltipla No comunicado, o representante da atriz criticou a cobertura do episódio e afirmou que as informações divulgadas até agora não apresentam todo o contexto do ocorrido.
— Desde domingo à noite, o relato público do que aconteceu com Selma a bordo de um voo para Nova York foi construído quase inteiramente com base em um comunicado policial e em uma manchete de uma década atrás — afirmou. Blair revelou em 2018 que tem esclerose múltipla, doença autoimune crônica que afeta o sistema nervoso central.
Segundo o representante, a atriz convive diariamente com dores e ainda enfrenta períodos de piora dos sintomas. A equipe também informou que ela tem afeto pseudobulbar, uma condição neurológica associada à esclerose múltipla que pode provocar manifestações emocionais involuntárias ou desproporcionais.
De acordo com o comunicado, a condição tem relação direta com a maneira como um episódio médico pode ser interpretado por pessoas que desconhecem seu histórico de saúde. A defesa já havia atribuído o comportamento da atriz à falta de doses de medicamentos para controlar sintomas neurológicos, ao cansaço extremo após uma rotina intensa de trabalho e a um possível ferimento na cabeça durante o voo.
Segundo o advogado Shawn Barnes, esses fatores, combinados à altitude, teriam provocado um estado de confusão e desorientação. O representante também rebateu especulações sobre o diagnóstico da atriz e destacou que ela viaja acompanhada de um cão de serviço.
Segundo a equipe, o animal foi retirado dela pelas autoridades após o incidente. Companhia aérea defende segurança dos passageiros
A Delta Air Lines afirmou anteriormente que não tolera comportamentos considerados indisciplinados ou ilegais e ressaltou que a segurança dos passageiros e da tripulação é sua prioridade. O piloto do voo solicitou a presença de profissionais de saúde no portão de desembarque para atender integrantes da tripulação.
Áudios de comunicação obtidos pela imprensa americana mencionam ferimentos, incluindo sangramento no nariz e marcas de mordida. Blair já havia se envolvido em outro incidente a bordo de um avião, em 2016.
Na ocasião, foi retirada de um voo após uma crise durante a viagem. Posteriormente, a atriz afirmou que havia misturado álcool com medicamentos, o que provocou um apagão, e pediu desculpas pelo comportamento.
No novo comunicado, a equipe ressaltou que a atriz nunca havia sido presa antes do episódio de outubro e pediu que o caso seja avaliado considerando todas as circunstâncias. — Há muito mais nessa história do que foi noticiado.
Pedimos que todos considerem a totalidade dos fatos antes de tirar conclusões precipitadas, seja no tribunal, seja no julgamento da opinião pública — concluiu o representante.
O Globo