Após a eleição surpreender e piorar a percepção de investidores sobre as contas do governo, analistas aumentaram a cautela com as ações brasileiras e a concentração nas indicações para investir em novembro. Apenas 35 papéis foram recomendados para a Carteira Valor, o que não acontecia desde março de 2018.
Das dez ações mais indicadas, cinco mudaram. A Petrobras foi para o topo no lugar do Itaú, aconselhada por nove casas.
As exportadoras se tornaram o setor favorito, enquanto as companhias financeiras perderam a preferência e as empresas de consumo deixaram o portfólio. As exportadoras contam com cinco indicações.
Além da Petrobras, o segmento tem a Vale e a Suzano, com seis recomendações cada, a Embraer, com cinco sugestões, e a WEG, com quatro. Já o setor financeiro inclui o Itaú, com seis recomendações, e a Caixa Seguridade, que entrou com quatro indicações.
Saíram das sugestões B3, BTG e Banco do Brasil. Nas prestadoras de serviços de utilidade pública, continuaram a Sabesp, com três sugestões, e a Axia Energia, aconselhada por duas casas.
A Telefônica entrou na carteira com três indicações. Já as empresas de consumo Localiza e Lojas Renner saíram.
A surpresa dos mercados com a eleição, que piorou a percepção sobre as contas do governo, levou a maior parte dos analistas a apostar em dólar, inflação e juros mais altos. Nesse ambiente, as companhias de consumo e do setor financeiro são mais sensíveis aos juros elevados, enquanto as exportadoras ganham com o dólar alto.
A Carteira Valor inclui as dez ações mais recomendadas por 16 bancos, corretoras e casas de análise independentes participantes. Cada instituição sugere cinco papéis para a formação da lista mensal.
Em caso de empate, prevalecem as ações com maior volume financeiro médio negociado nos últimos 90 pregões na bolsa. O desempenho da carteira é calculado pela variação média das ações a cada mês, sem pesos diferentes entre os ativos.
As participantes que integram atualmente a Carteira Valor são: Ágora Investimentos, Andbank, Ativa Investimentos, Banco Daycoval, BB Investimentos, Benndorf Research, CM Capital Corretora, Empiricus, Genial, Monte Bravo, Nova Futura, Planner Corretora, Safra Corretora, Santander Corretora, Terra Investimentos e XP Investimentos.
A Carteira Valor teve queda de 16,97% no mês passado, enquanto o Ibovespa tombou 9,88%. Nos últimos 12 meses, a seleção caiu 2,23%, e o índice subiu 12,29%.
A Petrobras foi a mais indicada para investir neste mês porque segue gerando caixa, dividendos e ganhando com a alta do petróleo, em meio à guerra entre Estados Unidos e Irã. Na análise da Ágora, a empresa reportou bons números no segundo trimestre, acompanhados de dividendos elevados.
A Vale foi indicada porque o menor preço do minério de ferro foi compensado pelo bom desempenho de vendas no terceiro trimestre, principalmente da subsidiária Vale Base Metals, aponta o BB. Já o Itaú foi indicado pelos analistas do BB porque a instituição vê consistência e capacidade de geração de resultados no banco.
“Até em um ambiente que continua seletivo para concessão de crédito, o Itaú segue demonstrando disciplina na originação, com inadimplência e custo de crédito estáveis, preservando elevados níveis de rentabilidade”, afirmam. A Suzano foi aconselhada pelos analistas por ser a maior produtora de celulose de eucalipto do mundo e por ter um baixo custo de produção.
A Ágora diz que isso importa porque o negócio de celulose é cíclico, e a empresa com custo menor sobrevive bem aos períodos ruins e ganha muito nos períodos bons. Confira as recomendações de cada corretora para a Carteira Valor valor.globo.com/valor-data/carteira-valor/
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