A Polícia Civil determinou a apreensão das armas dos policiais envolvidos na abordagem que terminou com a morte do secretário de Desenvolvimento Econômico e ex-vereador de Queimados Jefferson Dias da Silva. O carro em que ele estava foi abordado por agentes do 22º BPM (Maré) na Avenida Brasil, na altura de Bonsucesso, na Zona Norte do Rio, e atingido por vários disparos. Os policiais envolvidos na ocorrência afirmaram que o motorista desobedeceu a diversas ordens de parada e que foram ouvidos tiros nas proximidades do acesso à comunidade Nova Holanda. Segundo os agentes, a situação levou à reação armada diante da percepção de perigo. A família da vítima, por sua vez, afirma que a viatura policial estava descaracterizada. Nesta terça-feira, o governador interino do Rio, Ricardo Couto, determinou o afastamento de cinco agentes envolvidos no caso.
Aos 152 anos: Lamas reabre no Rio nesta quarta-feira; conheça a história do restaurante mais antigo da cidade Durante abordagem: Secretário de Desenvolvimento Econômico de Queimados é morto pela A perseguição começou por volta das 20h, quando policiais do 22º BPM (Maré), durante patrulhamento, receberam informações via rádio sobre a movimentação suspeita de um BYD branco. Após localizarem o veículo, os agentes afirmaram que ordenaram ao motorista que desligasse o motor e desembarcasse, mas ele não teria obedecido.
Segundo os policiais, foram ouvidos disparos de arma de fogo nas proximidades, e a equipe reagiu atirando contra um dos pneus do carro. Em seguida, o motorista teria fugido, e os agentes iniciaram a perseguição. Secretário de Desenvolvimento Econômico de Queimados é morto pela PM na Avenida Brasil Em vídeos que circulam nas redes, é possível ver o momento em que o carro do secretário é alvejado. No registro, dá para ouvir uma conversa entre dois homens. "Largou o prego na BYD agora", diz um deles. O outro responde: "É bandido, você sabe?". "Tá gritando, tá mandando sair", diz o primeiro interlocutor, numa forma de confirmar que acreditava que o ocupante do carro fosse um criminoso. Em seguida, ele completa: "Olha lá, está tentando sair. Caraca, largando o prego. Foi atrás, mané". PMs relatam fuga Os PMs envolvidos na ocorrência relataram que o motorista passou por dois pontos de bloqueio durante a perseguição. O veículo só foi interceptado na altura da passarela 14, depois que o condutor perdeu o controle e colidiu contra uma mureta de proteção. Segundo os PMs, ele ainda tentou dar marcha à ré para escapar da abordagem. Familiares do secretário, por sua vez, afirmam que a viatura envolvida na abordagem era descaracterizada e estava com o giroflex desligado. Ex-presidente da Alerj: Relatório da Senappen mostra primeira foto de Bacellar em presídio federal Já os policiais envolvidos na ocorrência disseram que, diante da possibilidade de fuga, fizeram novos disparos contra os pneus. Outra equipe que prestou apoio ao 22º BPM também relatou ter ouvido tiros próximo de onde o carro foi interceptado. Um dos PMs afirmou ter disparado sete vezes com um fuzil ao perceber uma situação de perigo. Vítima estava em quiosque Jefferson morava na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio. Antes do episódio, o secretário estava em um quiosque e teria ingerido bebida alcoólica durante a tarde. A esposa dele contou à polícia que recebeu uma ligação em que Jefferson dizia que estavam brigando com ele, mas que não conseguiu compreender o que estava acontecendo. A família suspeita que ele tenha deixado o quiosque e seguido pela Avenida Brasil em direção à Baixada Fluminense, onde moram seus pais. Os parentes afirmam que foram informados de que, além dos policiais militares envolvidos na ocorrência, um frentista de um posto de combustíveis próximo ao local dos disparos também foi ouvido. A viúva de Jefferson prestou depoimento. Agentes foram afastados Após o episódio, o governador em exercício do Estado do Rio, desembargador Ricardo Couto, determinou o afastamento dos policiais militares envolvidos na abordagem. Em nota o Governo do Estado afirma que sente "profunda consternação" com parente e amigos de Jefferson.
"A gravidade do episódio exige uma apuração rigorosa, célere e transparente. A Polícia Civil iniciou imediatamente as investigações para esclarecer as circunstâncias da ocorrência. A perícia foi realizada no local, as armas dos policiais foram apreendidas e imagens de câmeras corporais estão sendo analisadas. A Polícia Militar também apura o caso por meio da Corregedoria Geral e se comprometeu a colaborar integralmente com as investigações. O Governo do Estado acompanhará de perto a apuração e adotará todas as providências cabíveis para garantir o completo esclarecimento dos fatos e as devidas responsabilizações", diz a nota.
O Globo