Há anos, Donald Trump levanta dúvidas sobre o processo eleitoral nos Estados Unidos. O presidente americano já questionou a integridade das urnas eletrônicas, a validade de votos pelo correio e sustenta até hoje, sem provas, que o pleito que ele perdeu para o democrata Joe Biden, em 2020, foi fraudado. Diante disso, uma pesquisa realizada pelo jornal The Washington Post, a emissora ABC News e o instituto Ipsos revelou, nesta terça-feira, 20, que enquanto a maioria dos eleitores confia na lisura da votação, 70% não acreditam que Trump aceitará os resultados das eleições de meio de mandato caso os republicanos saiam perdendo. Em 3 de novembro, as midterms, como são chamadas, renovarão todos os 435 assentos da Câmara e 35 das 100 cadeiras do Senado, além de dezenas de governadores e um sem-número de cargos estaduais de alto nível. Historicamente, quase sempre impuseram derrotas ao mandatário em exercício — alvo fácil de todo tipo de insatisfação popular, que agora há de sobra. Trump amarga apenas 32% de aprovação, o menor índice de sua carreira política, tolhida principalmente pelo aumento do preço dos combustíveis e da inflação devido à guerra no Oriente Médio.
Diante da concreta possibilidade de que a oposição democrata recupere o controle não apenas de uma, mas de ambas as casas do legislativo — o que aconteceu apenas quatro vezes nos últimos 50 anos –, os eleitores estão preocupados com a possível reação do presidente americano, dado seu histórico de questionar derrotas nas urnas. Isso se estende ao próprio partido de Trump: 36% dos eleitores republicanos afirmam não acreditar que ele aceitaria a derrota de seus aliados, uma opinião compartilhada por 77% dos eleitores independentes e 94% dos democratas. Ainda assim, americanos de ambos os espectros concordam, em proporções quase idênticas, que os resultados das votações são confiáveis (67% dos republicanos e 70% dos democratas).
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Já os líderes do Partido Democrata, acredita a maioria dos entrevistados (61%), aceitariam um potencial revés nas urnas. Manobras de Trump Pela Constituição, a administração das eleições cabe aos estados americanos, e o presidente não tem participação direta no processo. Contudo, Trump declarou que deseja “nacionalizar a votação” e “assumir o controle” das eleições. Em uma entrevista ao jornal The New York Times, em janeiro, ele disse lamentar não ter mobilizado o Exército para tomar posse das urnas eletrônicas após sua derrota em 2020.
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Ao longo de seu segundo mandato, o ocupante do Salão Oval tentou alterar a forma como as eleições são conduzidas. Seu governo enfraqueceu agências federais responsáveis por proteger o processo eleitoral, e tentou restringir o voto por correio, até ser impedido pela Suprema Corte dos Estados Unidos. Ele também disseminou informações imprecisas sobre a possibilidade de pessoas que não são cidadãs americanas votarem e sobre supostas tentativas de interferência estrangeira nas midterms. Questionado pela emissora NBC News, em fevereiro, se confiaria nos resultados das eleições de meio de mandato caso os republicanos perdessem o controle do Congresso, ele respondeu: “Sim — se o pleito for honesto”.
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Apesar das dúvidas lançadas pelo presidente, 60% dos americanos creem na integridade do processo eleitoral e 65% dizem que os votos são contados com precisão. Os índices não sofreram mudanças significativas desde as últimas midterms, em 2022, mas a confiança entre os eleitores republicanos na votação está muito mais alta do que no pleito presidencial de 2024 (na época, menos da metade acreditava que a apuração seria justa). A pesquisa foi realizada online entre 9 e 13 de outubro, abrangendo 2. 545 adultos nos Estados Unidos. Os participantes foram contatados por meio do Ipsos KnowledgePanel, um painel contínuo de domicílios americanos recrutados via correio, utilizando métodos de amostragem aleatória. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
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