É de provocar arrepios, mas o trabalho no submundo da internet desempenhado pelo trio composto pelo empresário Pablo Marçal, pelo deputado Nikolas Ferreira e pelo candidato a vice na chapa bolsonarista, Alfredo Gaspar, tem força suficiente para alçá-los à condição de ministeriáveis em um eventual governo Flávio Bolsonaro.
Neste segundo turno, o trio acirrou sua presença ao lado do candidato, aconselhando-o desde como fazer micagens para desestabilizar a performance do presidente Lula no debate da Band, no último domingo, até espalhar boatos de que é preciso votar, no dia 25, até o meio-dia, porque ‘algo grave pode acontecer na parte da tarde’. Eles jogam com as armas do medo e da baixaria.
A Marçal já está assegurada, de acordo com o que se comenta abertamente em Brasília, a pasta a ser criada da Prosperidade, de modo a dar-lhe um poderoso canal de comunicação permanente com o público. Dali sairão despistes e embustes destinados a gerar factoides que encubram medidas até aqui não assumidas, mas que estão entre os maiores objetivos da chapa bolsonarista, como a privatização da Petrobras e do Banco do Brasil.
Na esfera parlamentar, Nikolas Ferreira lidera a mobilização da base conservadora jovem. Com forte penetração nas redes sociais e discursos estridentes, essa espécie de menino maluquinho do mal assume o atrito direto e a desconstrução das pautas oponentes em tempo real.
Ontem, o corregedor-geral do TSE, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, determinou a abertura de uma investigação contra os três personagens e também sobre o candidato a presidente. A ação, apresentada pela coligação Brasil Pronto pra Mais, liderada pelo PT, apura suspeitas de uso indevido dos meios de comunicação, abuso de poder econômico e de poder político durante a campanha eleitoral.
Segundo o pedido protocolado no TSE, postagens do parlamentar teriam alcançado escala desproporcional por meio de impulsionamentos ou algoritmos, motivando determinações cautelares da Corregedoria-Geral Eleitoral para proibir a replicação de materiais já removidos e vetar privilégios de distribuição e impulsionamento pago.
Completando a chapa, Alfredo Gaspar agrega o contraponto institucional focado na pauta de segurança pública e no embate técnico-jurídico, dando respaldo legal ao discurso de combate à criminalidade e às críticas ao governo.
Essa engenharia político-comunicacional revela uma estrutura articulada: enquanto a linha de frente assume o ônus do confronto e atrai as principais representações no TSE, Flávio Bolsonaro busca preservar sua margem de manobra política e o diálogo com o eleitorado moderado.
Mesmo que não seja concluída em tempo hábil, isto é, antes da ida às urnas no domingo, a investigação do TSE é uma barreira ao forte potencial de tumulto que os quatro personagens podem agregar às eleições de domingo. Em caso de vitória de Lula, em superação ao jogo sujo praticado agora, eles pagarão pelo que estão fazendo. Com Flávio, subirão a rampa do poder.
Brasil 247