O prefeito de Queimados, Glauco Kaizer, afirmou que conversou na manhã desta terça-feira com o governador em exercício do Rio, Ricardo Couto, sobre a morte do secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Jefferson Dias da Silva, conhecido como Jefferson da Linave, baleado durante uma abordagem de policiais militares na Avenida Brasil, na noite de segunda-feira. Segundo Kaizer, o governador garantiu que haverá uma apuração rigorosa do caso. O prefeito disse ainda ter alertado Couto sobre a informação de que uma das viaturas envolvidas na abordagem estava com o giroflex desligado, conforme relatado pela família da vítima. Vídeo mostra PMs atirando contra carro em que estava secretário de Queimados morto na Avenida Brasil: 'Largou o aço' Ruas define equipe de transição de governo com nomes que devem assumir secretarias do primeiro escalão e outras áreas; entenda — Uma perda irreparável. Grande amigo. Falei com o governador hoje cedo e ele garantiu que será uma apuração rigorosa — afirmou o prefeito, durante o velório do secretário, realizado no Cemitério Municipal de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Kaizer também cobrou a responsabilização dos envolvidos, caso sejam comprovadas irregularidades na ação policial. — Alertei a ele sobre a abordagem policial, com o giroflex desligado. Encontrando a culpa, esperamos que os agentes públicos arquem com essa situação — disse. Jefferson Dias da Silva, conhecido como Jefferson da Linave, foi morto na Avenida Brasil @jefferson.1975/Instagram Ao lembrar do secretário, o prefeito destacou o temperamento tranquilo do amigo: — É o cara mais tranquilo que já conheci na minha vida. Mais de cem pessoas acompanharam a cerimônia. Após uma salva de palmas durante o sepultamento de Jefferson, um amigo lamentou a morte e cobrou uma resposta das autoridades, questionando a conduta dos policiais. — Nada vai trazer ele de volta. Mas que fique o recado: quantas famílias ainda vão sofrer pelo despreparo do Estado? Por mais que a Justiça seja feita, não paga — desabafou Marcelo Matos, amigo da vítima há 18 anos. 40% da arrecadação: operação da PF mostra que a internet é um grande negócio para o tráfico Jefferson, que também foi vereador de Queimados, morreu após o carro que dirigia, um BYD branco, ser atingido por disparos de policiais militares durante uma abordagem na Avenida Brasil, na altura de Bonsucesso, na Zona Norte do Rio. Cinco agentes envolvidos na ocorrência foram afastados de suas funções por determinação do governador em exercício. A Polícia Civil também determinou a apreensão das armas utilizadas pelos militares. Como foi a abordagem A ocorrência começou por volta das 20h de segunda-feira, quando policiais do 22º BPM (Maré), durante patrulhamento, receberam informações pelo rádio sobre a movimentação suspeita de um BYD branco. Após localizarem o veículo, os agentes afirmaram que ordenaram ao motorista que desligasse o motor e desembarcasse, mas não teriam sido obedecidos. Segundo os policiais, naquele momento foram ouvidos disparos de arma de fogo nas proximidades do acesso à comunidade Nova Holanda. Diante da percepção de perigo, os militares relataram ter reagido atirando contra um dos pneus do carro. Em seguida, o motorista teria fugido, dando início a uma perseguição pela Avenida Brasil. Os agentes afirmaram que Jefferson passou por dois pontos de bloqueio antes de ser interceptado por duas viaturas na altura da passarela 14. De acordo com a versão dos militares, após ser fechado por um dos carros da PM, o secretário perdeu o controle da direção e colidiu contra uma mureta de proteção. Os policiais disseram ainda que o motorista tentou dar marcha à ré para escapar da abordagem. Jacaré de mais de 2 metros é resgatado de bueiro na Região Oceânica de Niterói Imagens obtidas pela polícia mostram o momento em que o carro gira na Avenida Brasil. Registros de uma câmera de segurança também revelam que, no momento da interceptação, as viaturas estavam caracterizadas e uma delas tinha o giroflex ligado. Segundo familiares do secretário, no entanto, a viatura envolvida na abordagem inicial era descaracterizada e estava com o giroflex desligado. Novo vídeo mostra momento que carro em que estava secretário é atingido e roda na pista Mesmo depois que o veículo parou, os policiais relataram ter efetuado novos disparos contra os pneus, diante da possibilidade de fuga. Uma equipe do Batalhão Tático de Motociclistas (BTM), que prestou apoio ao 22º BPM, também afirmou ter ouvido tiros nas proximidades. Um dos militares da unidade declarou ter feito sete disparos de fuzil ao perceber uma situação de perigo. Vídeos que circularam nas redes sociais mostram o momento em que o veículo do secretário é atingido por disparos. Nas imagens, também é possível observar policiais retornando às viaturas e continuando a perseguição após atirarem contra o automóvel. Jefferson morava na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio. Antes da ocorrência, o secretário esteve em um quiosque, onde teria ingerido bebida alcoólica durante a tarde. A esposa contou à polícia que recebeu uma ligação em que o marido dizia que estavam brigando com ele, mas afirmou não ter conseguido compreender o que acontecia. A família suspeita que Jefferson tenha deixado o quiosque e seguido pela Avenida Brasil em direção à Baixada Fluminense, onde moram seus pais. Segundo os parentes, além dos policiais envolvidos na ocorrência, um frentista de um posto de combustíveis próximo ao local dos disparos também foi ouvido pela polícia. A viúva prestou depoimento. Policiais afastados e armas apreendidas Na manhã desta terça-feira, o governador em exercício do Rio, desembargador Ricardo Couto, determinou o afastamento dos cinco policiais militares envolvidos na ocorrência. A Polícia Civil também determinou a apreensão das armas utilizadas pelos agentes durante a abordagem. Em nota, o governo do Estado do Rio manifestou “profunda consternação” pela morte de Jefferson e afirmou que a gravidade do episódio exige uma investigação rigorosa, célere e transparente. A Polícia Civil realizou uma perícia no local, apreendeu as armas dos policiais envolvidos e analisa imagens das câmeras corporais dos agentes. A Corregedoria-Geral da Polícia Militar também apura a conduta dos militares e se comprometeu a colaborar integralmente com as investigações.
Secretário de Queimados morto por PMs: prefeito diz que governador garantiu ‘apuração rigorosa’
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O Globo
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