A secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Tatiana Prazeres, defendeu na quarta-feira, 4 de novembro de 2026, que o Brasil amplie acordos comerciais sem abrir mão da defesa da indústria contra práticas desleais. A declaração foi feita na abertura do Fórum da Diplomacia Industrial, na sede da Confederação Nacional da Indústria, em Brasília.
A secretária afirmou que as duas agendas não são caminhos opostos. O desafio é criar regras que permitam às empresas brasileiras competir em condições equilibradas e ampliar o acesso a mercados, diversificar parceiros e agregar valor à produção nacional.
O evento reúne empresários e representantes do governo para discutir os rumos da política comercial. A edição deste ano ocorre num cenário de tensões geopolíticas e de barreiras unilaterais adotadas por grandes economias.
Barreiras tarifárias e não tarifárias se multiplicam pelo mundo nos últimos anos. O Brasil tenta se posicionar como defensor do comércio aberto enquanto protege setores sensíveis da indústria.
A diplomacia industrial é a frente que articula negociações comerciais com a estratégia de desenvolvimento produtivo. O conceito ganhou peso num mundo em que o comércio virou instrumento de disputa entre potências.
Prazeres ressaltou que a política comercial precisa acompanhar essa transformação do cenário internacional. Nesse ambiente, defendeu instrumentos atualizados para enfrentar práticas que prejudiquem os fabricantes brasileiros.
A secretária afirmou que políticas comerciais vêm sendo usadas por alguns países para atender a interesses que vão além das questões econômicas. A referência implícita está nas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos nacionais, que criaram obstáculos adicionais às exportações.
As tarifas americanas foram adotadas num contexto de atrito entre os dois países. Na leitura do governo brasileiro, os Estados Unidos usaram o instrumento comercial para pressionar o país em temas fora do comércio.
O Brasil reagiu com diplomacia e buscou negociar a redução das sobretaxas. Até agora, as tarifas seguem em vigor e continuam a pesar sobre os exportadores.
Apesar das barreiras, o Brasil registrou o maior volume de exportações já alcançado entre janeiro e setembro de um ano. O desempenho mostra que as tarifas americanas não impediram o crescimento das vendas externas do país.
Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás da China. A pauta vendida aos americanos tem mais produtos industrializados, o que explica o peso das tarifas sobre a indústria nacional.
O período também teve recorde nas importações brasileiras. O avanço das compras externas é justamente o que move a agenda de defesa comercial.
A proteção contra práticas desleais busca evitar que a concorrência externa desorganize setores vulneráveis. O Brasil aplica taxas sobre produtos vendidos abaixo do custo e aciona salvaguardas para reagir a subsídios de outros países.
A modernização das regras é vista pelo setor industrial como condição para competir em igualdade. O setor quer evitar que importações subsidiadas prejudiquem a produção local.
Prazeres reconheceu o papel da Confederação Nacional da Indústria na articulação de uma missão empresarial aos Estados Unidos. A missão buscou abrir canais de diálogo com o governo americano para tratar das barreiras comerciais.
Para a secretária, o crescimento das trocas precisa se traduzir em resultados concretos para a economia nacional. A produção brasileira precisa agregar mais valor antes de chegar ao mercado externo.
O Brasil exporta majoritariamente produtos básicos, e a agregação de valor é um desafio histórico. A diversificação da pauta depende de investimento em tecnologia e de uma indústria mais competitiva.
O governo e o setor industrial discutem a modernização dos mecanismos de defesa comercial. A intenção é acelerar a resposta a práticas que prejudiquem a indústria, dentro dos prazos e dos compromissos internacionais do Brasil.
O governo quer garantir que as medidas sejam adotadas dentro dos prazos necessários. A demora reduziria o efeito da proteção à produção local.
A diversificação de parceiros é parte da resposta brasileira às barreiras americanas. O país busca ampliar acordos com novos mercados além dos Estados Unidos.
A China já é o principal destino das exportações brasileiras, à frente dos Estados Unidos. O peso crescente do mercado chinês reduziu a dependência do país em relação aos americanos.
O Mercosul serve de plataforma para acordos em bloco, e o país busca parcerias com economias da Ásia e do Oriente Médio. A abertura de novos mercados é apresentada como caminho para compensar as perdas com as tarifas.
Ao mesmo tempo, a concentração em poucos parceiros e em produtos básicos segue como fragilidade da pauta. A venda de soja, minério de ferro e petróleo responde por boa parte das exportações brasileiras.
O recorde de exportações reforça o argumento do governo de que a economia resiste às pressões externas. A diversificação de mercados é apresentada como prova de que o país não depende de um único parceiro.
A modernização da defesa comercial e a abertura de novos mercados seguem como as duas frentes da política comercial brasileira. O ritmo dessas mudanças deve definir a resposta do país às barreiras que hoje pressionam a indústria.
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