Seca não explica sozinha colapso dos Maias, aponta estudo

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Ruínas de na cidade Maia 'Uxmal', MéxicoDivulgação/Jeffrey Greenberg/Universal Images Group/Getty Images Há três décadas, a seca era apontada como a principal explicação para o colapso da civilização Maia, uma das maiores da Antiguidade que habitou a Mesoamérica de 2000 a.C até entrar em declínio no século X. Contudo, um novo estudo reforça a hipótese de que uma conjuntura de fatores explica o declínio da civilização. O povo maia enfrentou a colonização e continua vivo até a atualidade.Uma pesquisa publicada em setembro deste ano analisou 294 sítios arqueológicos em Belize e identificou um resultado que derruba o protagonismo da seca: regiões com maiores índices de chuvas foram abandonadas antes de áreas mais secas.O resultado reforça teorias de que a derrocada Maia envolveu fatores para além do clima, como política e questões sociais. O estudo “Ancient Maya settlement abandonment and climate instability in Belize (700–1600 CE): A spatial analysis of adaptive resilience” foi publicado no Journal of Archaeological Science.A principal hipótese até então sustentava que uma sequência de secas históricas entre 760 e 910 d.C ressecou terras da civilização entre Belize, El Salvador, Guatemala, Honduras e México, o que provocou um êxodo das grandes cidades e o desaparecimento dos maias enquanto civilização.Ao lado de outras pesquisas recentes, a maneira como os cientistas interpretam o mistério do desaparecimento se tornou ainda mais complexo. Segundo McLellan, as descobertas reacenderam debates sobre como grandes civilizações entram em declínio.Maias não formaram impérioA civilização Maia não constituiu um império centralizado como outras grandes da Antiguidade. A estrutura societária era composta de cidades-Estado espalhadas pela região da Mesoamérica, mantendo relações comerciais, alianças políticas e também conflitos entre si.Com o tempo, a civilização prosperou, construindo cidades com estruturas políticas complexas, avanços científicos à frente da maior parte do mundo da época e grandes pirâmides.A derrocada teria tido início entre 760 e 930 d.C, quando muitas das grandes cidades, que eram centros de poder, começaram a ser abandonadas gradualmente. Os povos, porém, se mantiveram na região, onde ainda existem até a atualidade.De acordo com Benjamin Gwinneth, geógrafo da Universidade de Montreal e autor de um dos estudos recentes, as novas descobertas não eliminam evidências de que as mudanças climáticas contribuíram para a queda da civilização maia.Elas acrescentaram nuances importantes, já que, segundo o autor, as secas, isoladamente, talvez não fossem suficientes para provocar o colapso da civilização, e sim ter agravado outras causas do declínio ou contribuído para desencadear novos problemas.Por exemplo, as cidades-Estado eram profundamente interligadas, com migrações e comércio entre elas. Mesmo que uma cidade não sofresse com seca, indiretamente a crise provocada noutros lugares ainda surtiu efeitos, aprofundando instabilidades políticas, migrações em massa ou guerras.A pressão que isso causou pode ter levado as cidades a ultrapassarem limites que conseguiam suportar e prover, gerando um efeito em cadeia de abandono dos grandes centros urbanos.  Waters, pesquisador da Universidade de Auburn, acrescenta que as sociedades modernas, por exemplo, raramente sofrem somente um fator de pressão para que entrem em declínio, e os maias podem ter sido um caso similar. O foco em causas climáticas começou em 1990Com a falta de materiais deixados pelos maias por causa da destruição promovida por colonizadores espanhóis, pesquisas tentaram encontrar outras formas de preencher as lacunas sobre a história da civilização antiga.Por volta dos anos de 1960, métodos palinológicos foram utilizados, com grãos de pólen e esporos preservados no solo da época, em uma tentativa de reconstruir a história climática da região habitada pelos maias.Contudo, o desmatamento e alteração da paisagem natural promovido pelos próprios maias levaram as análises a resultados pouco conclusivos. Um avanço de 1990 com isótopos de oxigênio conseguiu reconstruir com maior precisão o clima.Os resultados apontaram para as secas consideradas das mais severas em 7 mil anos, o que motivou uma série de pesquisas na mesma linha, à medida que os episódios de secas coincidiam com o abandono das grandes cidades maias.

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