Conheça mexilhão que saiu da Ásia para Argentina e virou ameaça no Brasil

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Fonte da notícia: D24am D24am

Argentina – A espécie invasora Limnoperna fortunei, também conhecida como mexilhão-dourado, vem se espalhando pelos rios brasileiros. Originário da China, o animal chegou à América do Sul provavelmente de forma acidental, atingindo a Argentina antes de entrar no Brasil. (Foto: Reprodução/Universidade Estadual de Montes Claros) A disseminação, especialmente na região amazônica, vem preocupando pesquisadores. Isso porque o mexilhão se espalha com rapidez e prejudica os ecossistemas locais, além de causar prejuízos econômicos. O que é o mexilhão? O mexilhão-dourado é um molusco bivalve originário da Ásia. Segundo a revista Science, a espécie se alimenta filtrando plâncton em alta velocidade, criando água transparente e pobre em nutrientes que priva as espécies nativas de recursos, como moluscos e peixes. Uma de suas principais características é a rápida reprodução. Além disso, o pequeno animal consegue se fixar em superfícies e formar estruturas semelhantes a recifes, deixando menos espaço para espécies nativas e obstruindo redes de pesca e turbinas, por exemplo.

Como a espécie chegou ao Brasil? O mexilhão-dourado chegou ao Brasil de forma acidental, de acordo com pesquisadores. Originário da China, o animal foi levado inadvertidamente para a América do Sul na década de 1990, por meio da água de lastro de navios que atracaram no Rio da Prata, na Argentina. Em seguida, ele se dispersou amplamente, sendo transportado por correntes marítimas e embarcações até rios brasileiros. Disseminação A primeira detecção do invasor na região amazônica aconteceu em agosto de 2023, quando 32 mexilhões foram encontrados incrustados em pedras no rio Tocantins, no Brasil. Na época, pesquisadores não tinham certeza se a espécie duraria no rio. No entanto, no ano seguinte, uma equipe do Instituto Evandro Chagas foi surpreendida ao retornar à região para coletar amostras e constatar que a densidade das colônias havia aumentado significativamente, com mexilhões cobrindo vastas áreas de pedras de rio. Resultados publicados em dezembro de 2025 na Acta Limnológica mostram que, ao longo de um ano, a densidade dos invasores aumentou de 88 indivíduos por metro quadrado para mais de 15 mil. Em publicação nesta quarta-feira (21), a Unimontes (Universidade Estadual de Montes Claros) repercutiu um estudo da revista científica CheckList que documenta a presença do animal em um trecho do Rio São Francisco, em Minas Gerais, a cerca de mil quilômetros do registro anterior da espécie.

“Este é o primeiro registro da espécie no Alto Médio São Francisco. A distância de cerca de mil quilômetros em relação ao ponto de ocorrência anterior, próximo à divisa entre Bahia e Pernambuco, indica uma expansão muito mais rápida e complexa do que se imagina”, explicou o professor Magno Borges, um dos coordenadores do estudo, juntamente com o professor Maurício Lopes de Faria.

Quais são os riscos? Para o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), os principais prejuízos causados pelo mexilhão-dourado são:

Destruição da vegetação aquática; Ocupação do espaço e disputa por alimento com os moluscos nativos; Prejuízos à pesca, já que a diminuição dos moluscos nativos diminui o alimento dos peixes; Entupimento de canos e dutos de água, esgoto e irrigação; Entupimento de sistemas de tomada de água para geração de energia elétrica, causando interrupções frequentes para limpeza e encarecendo a produção; Prejuízos à navegação, com o comprometimento de boias, trapiches, motores e de estruturas das embarcações.

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