Ter pelo menos um dos pais que chegou aos 100 anos está associado a uma vida mais longa e ao surgimento mais tardio de alguns problemas de saúde. Filhos de centenários morreram, em média, cerca de três anos mais tarde do que os grupos usados para comparação, segundo um novo estudo destacado pela ScienceAlert. A pesquisa, publicada no JAMA Network Open, reuniu dados de três estudos longitudinais independentes realizados nos Estados Unidos e no Reino Unido, com 4.030 participantes na comparação principal. Desse total, 2.319 eram filhos de pessoas que chegaram aos 100 anos. Os modelos estatísticos estimaram que a idade da morte era adiada em aproximadamente 3,1 anos entre os filhos de centenários. A hipertensão apareceu ainda mais tarde: o diagnóstico ocorreu cerca de 5,2 anos depois do observado nos grupos de comparação. Durante o acompanhamento, os filhos de centenários também apresentaram mortalidade 42% menor, além de reduções de 33% para doenças cardiovasculares e de 32% para hipertensão. “A consistência geral desses resultados em estudos tão diferentes foi especialmente notável”, afirmou Eric Reed, pesquisador do Albert Einstein College of Medicine e primeiro autor do trabalho. Vantagem aparece em três estudos diferentes Os pesquisadores analisaram dados do LonGenity, realizado na região de Nova York, do New England Centenarian Study, nos Estados Unidos, e do UK Biobank, no Reino Unido. Além da mortalidade, a equipe avaliou quatro problemas associados ao envelhecimento: doença cardiovascular, hipertensão, acidente vascular cerebral e câncer. As associações com maior longevidade e menor incidência de doença cardiovascular e hipertensão apareceram de maneira relativamente consistente nas três populações estudadas. No caso do AVC, a redução foi observada no LonGenity e no New England Centenarian Study, mas não no UK Biobank. Para câncer, os pesquisadores não encontraram uma redução estatisticamente significativa em nenhum dos três estudos. A equipe também testou se diferenças de comportamento ou condições sociais poderiam explicar os resultados. As análises consideraram, quando os dados estavam disponíveis, fatores como tabagismo, escolaridade, situação socioeconômica, consumo de álcool, atividade física e alimentação. De forma geral, o padrão observado permaneceu após esses ajustes. Os autores ressaltam, porém, que algumas associações com mortalidade e doença cardiovascular deixaram de atingir o limite convencional de significância em análises mais rigorosas, após correções para múltiplas comparações. A associação com hipertensão apresentou os resultados mais robustos. Estudo não prova que a explicação esteja nos genes Os resultados reforçam a hipótese de que famílias excepcionalmente longevas possam compartilhar características que favoreçam um envelhecimento mais saudável, mas não permitem concluir que a vantagem seja puramente genética. O trabalho não identificou genes responsáveis pela longevidade nem demonstrou que ter um pai ou uma mãe centenário cause diretamente anos adicionais de vida. Fatores genéticos, ambientais e comportamentais compartilhados dentro das famílias podem contribuir para a associação. “Isso não quer dizer que o estilo de vida não importe. Comportamentos saudáveis continuam importantes para todos”, afirmou Reed. Segundo o pesquisador, pessoas pertencentes a famílias excepcionalmente longevas podem carregar vantagens biológicas que as ajudam a permanecer saudáveis por mais tempo. O estudo também apresenta limitações. Parte das informações sobre estilo de vida foi relatada pelos próprios participantes, fatores ocorridos no início da vida, como alimentação durante a infância, não estavam disponíveis e duas das três coortes dependiam parcialmente de relatos dos participantes para registrar algumas doenças. Além disso, as três populações estudadas eram predominantemente brancas, o que limita a possibilidade de generalizar os resultados para outros grupos. Os pesquisadores pretendem agora investigar quais fatores genéticos e ambientais estão por trás da vantagem observada e por que filhos de pessoas que chegam aos 100 anos tendem a desenvolver algumas doenças associadas ao envelhecimento mais tarde. Mais Lidas
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Se um dos seus pais chegou aos 100 anos, você pode viver cerca de 3 anos a mais, aponta estudo
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