A S&P Global Ratings cortou a nota de crédito global da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) de “B” para “B-” e a S&P National Ratings reduziu as notas nacionais da CSN e CSN Mineração de “brA-” para “brBBB”, todas mantidas com perspectiva negativa. Confira resultados e indicadores da CSN e das demais companhias de capital aberto no portal Valor Empresas 360
Os analistas Matheus Cortes e Flávia Bedran, da S&P Global, e Alexandre Galafazzi, Marcelo Schwarz e Wendell Sacramoni, da S&P National, afirmam que os cortes se dão por conta da perspectiva de continuidade na pressão de alavancagem financeira da CSN.
A decisão reflete a rápida deterioração das condições operacionais no segmento de mineração, o principal motor de geração de caixa do grupo, em meio ao cenário de custos elevados de frete marítimo e de combustíveis e preços mais baixos da commodity.
Como a maior parte dos contratos de venda da CSN segue a modalidade custo e frete, a disparada logística penalizou diretamente a rentabilidade da operação e reduzindo sua competitividade frente a pares no mercado.
Em resposta ao encarecimento logístico e de combustíveis, a mineradora cortou fatias de produção com custo marginal mais elevado e reduziu compras de terceiros, ajustando seus volumes anuais para o intervalo de 39 milhões a 41 milhões de toneladas em 2026.
Diante disso, a projeção de Ebitda consolidado da CSN para 2026 foi rebaixada para R$ 7,7 bilhões pela agência, ante R$ 10,1 bilhões esperados anteriormente e R$ 8,8 bilhões registrados em 2025.
O enfraquecimento do faturamento operacional ocorre em um momento em que as saídas de caixa da CSN permanecem em patamares substanciais por conta dos altos investimentos e com os juros elevados prejudicando o resultado financeiro.
A agência calcula que a alavancagem medida pela relação dívida sobre Ebitda atingirá um pico entre 7,6 e 7,9 vezes ao final de 2026, mantendo-se acima de 6 vezes em 2027 caso não haja novas vendas de ativos.
A liquidez da companhia foi classificada pelos analistas como “menos que adequada”, com um índice projetado de fontes sobre usos de caixa em torno de 1,1 vez para os próximos 12 meses.
A holding apresenta uma situação financeira particularmente restrita, detendo apenas R$ 1,5 bilhão em caixa disponível em junho contra R$ 4,9 bilhões em vencimentos de dívida de curto prazo.
Além disso, alertam que a folga para o cumprimento da cláusula contratual (“covenant”) que exige uma relação dívida líquida sobre Ebitda inferior a 4,5 vezes ao final de cada exercício fiscal caiu para menos de 10% em 2026.
Para a S&P, a execução rápida e integral do plano de desinvestimentos tornou-se determinante para conter o estrangulamento financeiro e viabilizar os investimentos de expansão.
A perspectiva negativa adverte que novos cortes poderão ser feitos na notas da CSN nos próximos seis meses caso ocorram atrasos na execução dessas vendas de ativos ou tropeços operacionais pressionem de forma insustentável a liquidez da siderúrgica.
A agência calcula que a alavancagem medida pela relação dívida sobre Ebitda atingirá um pico entre 7,6 e 7,9 vezes ao final de 2026, mantendo-se acima de 6 vezes em 2027 caso não haja novas vendas de ativos Divulgação
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