Rússia e Ucrânia trocam ataques apesar de expectativa de retomada das negociações

Rússia e Ucrânia trocam ataques apesar de expectativa de retomada das negociações - Foto
Fonte da notícia: Valor Valor

A Rússia bombardeou Kiev com mísseis balísticos, e a Ucrânia enviou centenas de drones em direção a Moscou durante a noite, apesar da mais recente iniciativa dos Estados Unidos para encerrar o conflito iniciado em 2022. Leia também:

Putin e Zelensky dizem aceitar reunião trilateral Rússia liberta americano preso desde 2022 durante encontro de Putin com Witkoff

A Rússia afirmou na quarta-feira que estava pronta para retomar as negociações com a Ucrânia, mediadas por Washington, no próximo mês, depois que o presidente Vladimir Putin recebeu o enviado americano Steve Witkoff para conversas em São Petersburgo. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, por sua vez, disse esperar que as negociações, que seriam as primeiras desde fevereiro, ocorram no início de novembro.

A Ucrânia afirmou que a Rússia disparou pelo menos 21 mísseis balísticos em três ondas de ataques, e Zelensky disse que três deles carregavam munições de fragmentação — pequenas bombas que se espalham por uma ampla área e são proibidas por muitos países devido ao perigo que representam para os civis.

O Ministério da Defesa russo não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. A Rússia afirmou que a Ucrânia lançou 630 drones em direção a Moscou durante a noite.

Os dois lados realizaram uma troca de corpos de militares mortos na guerra, com Moscou entregando 252 corpos e a Ucrânia, 25, segundo a agência estatal de notícias Belta, da vizinha Belarus. Trocas desse tipo acompanharam iniciativas de negociação no passado.

Mas, enquanto Witkoff falou em "algum grau de avanço" após se reunir com Zelensky e autoridades europeias e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Oslo, no início da semana, o Kremlin manifestou dúvidas. "Os americanos perceberam algumas novas nuances [em Oslo] e nos falaram sobre isso.

Mas essas nuances, por assim dizer, não nos satisfazem inteiramente", disse o assessor do Kremlin Yuri Ushakov. Uma autoridade russa de alto escalão, informada sobre os resultados das conversas entre Putin e Witkoff, afirmou que elas foram relativamente curtas e não tiveram discussões substanciais.

O americano levou um conjunto de propostas elaboradas em Oslo e as entregou a Putin para análise, segundo a fonte. Outra fonte próxima ao Kremlin disse que as propostas americanas incluíam um cenário no qual a Ucrânia cederia toda a região de Donbass à Rússia em troca de uma garantia de segurança futura da Otan.

A Rússia afirma que iniciou a guerra, a mais letal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, em parte para impedir a entrada da Ucrânia na Otan. Moscou tem reiterado que não encerrará os combates a menos que a Ucrânia ceda mais territórios, limite o tamanho de suas Forças Armadas e seja permanentemente impedida de integrar alianças.

A Ucrânia, que afirma que a invasão foi uma guerra de conquista não provocada, há muito rejeita as condições russas, considerando-as uma exigência de capitulação que deixaria o país indefeso diante de futuros ataques da Rússia. Cratera que se formou em uma área residencial de Kiev após ataques russos com mísseis durante a noite

REUTERS/Valentyn Ogirenko Elogio a Putin como ‘humanitário’ provoca reação negativa

A reunião de Zelensky com Witkoff teve, em parte, o objetivo de amenizar a deterioração das relações com Washington neste mês, depois que o presidente Donald Trump anunciou um acordo para comprar diesel russo e suspendeu sanções contra Moscou. Kiev afirma que Washington deixou de fornecer dados de alerta antecipado sobre lançamentos de mísseis russos, restringiu o sistema de satélites da SpaceX usado para orientar drones ucranianos e reteve sistemas de defesa antimísseis comprados em nome da Ucrânia por países europeus.

Washington nega qualquer mudança de política destinada a prejudicar intencionalmente as forças ucranianas. Trump repreendeu repetidamente a Ucrânia por atacar refinarias de petróleo russas, enquanto fez poucos comentários sobre os ataques russos à Ucrânia, muito mais letais.

Ele pediu que Zelensky fosse substituído e afirmou que as ações da Rússia na Ucrânia têm sido "aceitáveis". Zelensky, que durante muito tempo evitou criticar o governo Trump, tem reagido cada vez mais ao que descreve como uma mudança de postura em direção a uma maior simpatia por Moscou.

Na quinta-feira, Zelensky respondeu duramente a Witkoff por ter elogiado Putin como um "humanitário" durante sua visita à Rússia, quando o enviado americano agradeceu ao presidente russo pela libertação de um americano de 74 anos capturado pelas forças russas na Ucrânia.

"Três ondas de mísseis balísticos foram lançadas contra Kiev por 'humanitários' russos desde a noite de ontem", escreveu Zelensky na rede social X. "Eles usaram 21 mísseis.

Infelizmente, vários locais da cidade foram atingidos e danificados." Ele afirmou que duas pessoas morreram e 34 ficaram feridas, incluindo cinco crianças, em ataques contra uma dúzia de regiões ucranianas.

A Rússia afirmou ter realizado um "ataque maciço" durante a noite contra a infraestrutura portuária da região de Odessa, na Ucrânia, além de embarcações utilizadas pelas Forças Armadas ucranianas. Na Rússia, duas pessoas ficaram feridas nas proximidades de Moscou por drones lançados em direção à capital durante a noite, informou o prefeito Sergei Sobyanin no Telegram.

A maioria dos drones foi derrubada a longa distância, acrescentou. Na região russa de Belgorod, na fronteira com a Ucrânia, um homem morreu e outro ficou ferido em ataques de drones ucranianos, segundo autoridades locais.

Com as linhas de frente da guerra praticamente estagnadas, os dois lados intensificaram os ataques aéreos de longa distância neste ano. A Rússia tem como alvo, sobretudo, a rede elétrica ucraniana, enquanto a Ucrânia concentra seus ataques em refinarias de petróleo russas.

Ambos também atingiram centros de dados, armazéns comerciais e embarcações no Mar Negro. O conflito já se arrasta há mais de quatro anos e meio, contrariando a promessa feita por Trump durante a campanha eleitoral de 2024 de que poderia encerrá-lo em um dia.

Não houve avanços em três reuniões breves realizadas em Istambul no ano passado, nem em três rodadas de negociações mediadas pelos EUA em Abu Dhabi e Genebra no início deste ano.

Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →