Ruas garante verba para o carnaval de 2027, mas mantém promessa de acabar com camarote do governo na Sapucaí

Ruas garante verba para o carnaval de 2027, mas mantém promessa de acabar com camarote do governo na Sapucaí - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

O governador eleito do Rio, Douglas Ruas, confirmou nesta quinta-feira o repasse de recursos estaduais às escolas de samba para a realização dos desfiles do carnaval de 2027, mas voltou a defender que o dinheiro público não seja usado para custear camarotes destinados a políticos.

O anúncio foi feito durante reunião com o presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Gabriel David, e retoma uma das principais bandeiras de sua campanha: em setembro, o então candidato afirmou, em entrevista ao RJTV, da TV Globo, que pretendia acabar com o camarote do governo na Marquês de Sapucaí.

Na ocasião, classificou o desfile de 2026 como o "maior ataque já visto à instituição sagrada que é a família". Ex-marido de galerista norte-americano morto no Rio é sentenciado à prisão perpétua

‘As dificuldades que minha família enfrentou me influenciam muito’, diz filho de diarista da Baixada eleito nos EUA “Como eu disse na campanha eleitoral, meu governo não vai gastar dinheiro público com camarote para político se divertir de graça.

Mas para as escolas de samba e os trabalhadores do carnaval a verba está garantida”, declarou Ruas. Ruas também propôs que o governo estadual e a Liesa desenvolvam, em conjunto, um projeto voltado à valorização dos profissionais que dedicam suas vidas à preparação e à realização do carnaval.

Gabriel David destacou a importância do apoio do poder público às escolas de samba e o impacto econômico da festa para o estado. Segundo o presidente da Liesa, o carnaval movimenta a economia, gera empregos, impulsiona o turismo e projeta o Rio de Janeiro internacionalmente.

“Seguir com o apoio do poder público é investir na cultura, possibilitando avançarmos ainda mais em projetos que valorizam nossos artistas”, afirmou o presidente da Liesa. Críticas ao carnaval

As críticas de Ruas ao desfile deste ano foram motivadas pela passagem da Acadêmicos de Niterói pela Sapucaí. A escola teve como enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” e contou a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Uma das alas, intitulada “Neoconservadores em conserva”, representou grupos identificados com o conservadorismo, incluindo evangélicos, ruralistas e defensores da ditadura militar, em fantasias no formato de latas de conserva. — Nós vimos esse ano, no carnaval de 2026 na Sapucaí, o meu adversário, o Eduardo Paes, num camarote visivelmente embriagado, regado a uísque, cerveja, comida, tudo pago com dinheiro do povo, e ainda utilizou daquele momento para zombar das pessoas com deficiência visual.

Estavam ele e o Lula assistindo, sambando e aplaudindo ao maior ataque já visto à instituição sagrada que é a família. Tudo isso com o dinheiro público.

Então nós vamos acabar com essa farra e o dinheiro do contribuinte vai ser revertido para serviços de qualidade na saúde e na educação — afirmou Ruas em setembro, em entrevista ao RJTV, da TV Globo. Na época, as declarações de Ruas provocaram reação de integrantes do mundo do samba e foram exploradas pelo então adversário do candidato na disputa pelo governo, o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD).

O carnavalesco Leandro Vieira, da Imperatriz Leopoldinense, criticou a associação entre os desfiles e um ataque à família, enquanto o cantor Neguinho da Beija-Flor afirmou que o carnaval não deveria ser colocado no centro de uma disputa eleitoral. Na ocasião, Ruas negou ser contrário ao carnaval ou às escolas de samba e afirmou que suas críticas eram direcionadas aos privilégios de políticos em camarotes bancados com dinheiro público.

Também disse que sua manifestação sobre a família se referia especificamente a uma ala do desfile da Acadêmicos de Niterói.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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