Congresso dos EUA pede explicações de CEO da Nvidia sobre suposto romance com espiã chinesa

Congresso dos EUA pede explicações de CEO da Nvidia sobre suposto romance com espiã chinesa - Foto
Fonte da notícia: Epoca Negócios Epoca Negócios

Autoridades americanas produziram um documento de inteligência que apontava um relacionamento amoroso entre Jensen Huang, presidente-executivo da Nvidia, e Alice Huang, executiva que os Estados Unidos suspeitam ter sido recrutada pelo serviço de espionagem da China, segundo nova apuração do Financial Times.

Alice Huang trabalhou na Megaspeed, empresa de Singapura que compra processadores da Nvidia e aluga capacidade computacional para desenvolvedores de inteligência artificial. A companhia está sob escrutínio americano por suspeitas de que chips sujeitos a restrições de exportação tenham chegado à China.

De acordo com o FT, o memorando foi preparado a partir de informações obtidas por agências americanas e circulou entre um grupo restrito de autoridades antes de um encontro entre Donald Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, em maio. A avaliação era de que Alice Huang havia sido recrutada pelo Ministério da Segurança do Estado, principal serviço de inteligência civil da China.

A Nvidia não comentou com o jornal o suposto romance nem a existência do memorando. A companhia remeteu às declarações anteriores de Jensen Huang, que classificou sua relação com a executiva como um contato comercial comum entre a fabricante e uma cliente.

A empresa também afirma que não compartilha informações classificadas com compradores e que seus clientes de computação em nuvem na Ásia recebem apenas dados comerciais rotineiros. Alice Huang não foi localizada pelo Financial Times.

A Casa Branca e a CIA não comentaram. Congresso pede explicações a Huang

A nova revelação amplia a pressão política sobre o executivo que comanda a empresa mais importante da cadeia mundial de chips para inteligência artificial. Os presidentes de três comissões da Câmara enviaram uma carta a Jensen Huang solicitando sua participação numa reunião conjunta e fechada.

O pedido foi feito por John Moolenaar, do Comitê Especial sobre a China; Brian Mast, do Comitê de Relações Exteriores; e Rick Crawford, do Comitê de Inteligência. No comunicado oficial, os parlamentares afirmam que as interações entre Huang e a executiva da Megaspeed levantam dúvidas sobre o acesso da China a tecnologia e informações sensíveis dos Estados Unidos.

A reunião foi solicitada para 18 de novembro. Huang deve aceitar o convite ou apresentar datas alternativas até o dia 11.

O comunicado não informa se o executivo já respondeu. Os congressistas querem discutir a natureza dos contatos, o que a Nvidia sabia sobre Alice Huang e quais protocolos mantém para impedir operações de inteligência estrangeira.

A carta também pede informações sobre os mecanismos utilizados pela empresa para proteger sua tecnologia e seus executivos. A convocação não significa que Huang seja acusado de colaborar com o governo chinês.

A investigação está concentrada no risco de que uma pessoa próxima ao executivo tenha buscado informações sobre os planos da Nvidia e as negociações para reduzir os controles americanos sobre a venda de chips à China. Megaspeed já estava sob investigação

As suspeitas em torno de Alice Huang surgiram inicialmente numa apuração do New York Times e foram desenvolvidas pelo Wall Street Journal. O WSJ informou que autoridades americanas acreditavam que a executiva compartilhava informações com Pequim enquanto mantinha contato com a Nvidia.

A Megaspeed opera data centers no Sudeste Asiático e compra equipamentos americanos para oferecer processamento remoto. Esse modelo despertou preocupação em Washington porque empresas chinesas poderiam utilizar, pela nuvem, chips que não podem importar diretamente.

Autoridades americanas investigam se a Megaspeed desviou processadores avançados da Nvidia para a China ou permitiu que clientes chineses acessassem remotamente esses equipamentos. A empresa nega ter violado as restrições comerciais.

A Nvidia realizou sua própria análise sobre as vendas e disse não ter encontrado evidências de irregularidades. Jensen Huang também afirmou em entrevista à Bloomberg que os negócios com a Megaspeed eram “normais” e que a fabricante havia verificado o destino dos equipamentos.

O governo de Singapura negou ter investigado Alice Huang por ligações com a inteligência chinesa. A China também rejeitou as acusações e classificou reportagens anteriores sobre o caso como ataques sem fundamento.

O interesse americano aumentou porque Huang se tornou um personagem central na disputa comercial entre Washington e Pequim. A Nvidia pressiona o governo dos Estados Unidos para vender à China processadores mais avançados, incluindo o H200, sob o argumento de que restrições excessivas fortalecem concorrentes chineses.

O Financial Times relata que Huang se reuniu diversas vezes com Trump e chegou a acompanhá-lo no avião presidencial durante uma viagem à China. O executivo também participou de um jantar de Estado oferecido a Xi Jinping.

A audiência solicitada pelas três comissões deverá tratar justamente do encontro entre as duas frentes: a tentativa da Nvidia de preservar o mercado chinês e a preocupação de Washington com operações de espionagem em torno da tecnologia que sustenta a corrida global pela inteligência artificial.

Mais Lidas

Publicação Original Epoca Negócios epocanegocios.globo.com
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →