Para muitos fãs, o encontro com um ídolo pela primeira vez é uma experiência que vai muito além da emoção. O coração acelera, as mãos suam, as pernas tremem e, não raro, as lágrimas aparecem antes mesmo de a primeira música terminar. Em um festival como o Rock in Rio, a expectativa de ver de perto um artista admirado ainda se soma ao calor, às horas em pé, à multidão e à adrenalina de um show. Mas, afinal, o que acontece no corpo e, especialmente, no coração quando a emoção chega ao auge? Rock in Rio 2026: as maquiagens que vão muito além do básico nos shows Vai ao Rock in Rio? Veja por que beber pouca água para evitar o banheiro pode ser uma cilada Rock in Rio: do sapato ao energético, 7 cuidados para encarar a maratona A explicação está na resposta fisiológica do organismo. Segundo o cardiologista Daniel Petlik, situações de grande expectativa ou euforia ativam o sistema nervoso simpático, responsável por preparar o corpo para reagir a estímulos intensos. Nesse processo, há liberação de substâncias como a adrenalina, o que pode acelerar os batimentos, elevar temporariamente a pressão arterial e aumentar a frequência respiratória. "Quando vivemos uma situação de grande expectativa ou euforia, o sistema nervoso simpático é ativado e ocorre liberação de substâncias como adrenalina. O coração pode bater mais rápido, a pressão arterial pode subir temporariamente e a respiração fica mais acelerada. É a resposta do organismo à intensidade daquele momento", explica. Sim, é possível o coração disparar só de ver uma pessoa Não é preciso estar correndo, pulando ou fazendo esforço físico para perceber o coração acelerar. Uma emoção intensa, por si só, pode provocar aumento da frequência cardíaca, inclusive quando a pessoa está parada esperando o início de um show. "Nosso coração responde ao estado emocional. Uma pessoa pode estar parada esperando o show começar e apresentar aumento importante da frequência cardíaca simplesmente pela ansiedade e expectativa. Quando o artista entra no palco, existe um pico de emoção e essa resposta pode ficar ainda mais evidente", afirma o cardiologista Heron Bomfim. Na maioria das pessoas saudáveis, essa aceleração é transitória. Depois do impacto inicial, o organismo tende a se adaptar à situação e os batimentos gradualmente retornam ao padrão habitual. E o choro, o tremor e a sensação de fraqueza? Se o coração acelera, outras reações físicas também podem aparecer. Suor, tremor, sensação de calor, palpitação e até a impressão de que as pernas estão fracas fazem parte da resposta do organismo diante de emoções intensas. "A palpitação, suor, tremor, sensação de calor e até uma percepção de fraqueza podem aparecer diante de uma emoção muito intensa. O corpo não separa completamente aquilo que sentimos emocionalmente da resposta física. É justamente por isso que algumas experiências conseguem ser tão marcantes", observa o cardiologista Carlo Bonasso Filho. É por isso que a reação de um fã ao encontrar um artista pode parecer desproporcional para quem observa de fora, mas ter uma manifestação física bastante concreta para quem está vivendo aquele momento. No festival, emoção não é o único fator Em um evento de longa duração, o coração também precisa lidar com uma série de estímulos que não têm relação direta com a música. Caminhar e permanecer horas em pé, enfrentar temperaturas elevadas, beber pouca água e consumir álcool ou energéticos são alguns dos fatores que podem contribuir para palpitações e mal-estar. Cantar e pular durante o show acrescentam esforço físico à equação. "Uma pessoa que está desidratada, passou muitas horas sem se alimentar adequadamente e ainda consumiu estimulantes pode perceber palpitações e mal-estar com mais facilidade. A emoção pode ser o gatilho final, mas existe todo um contexto físico que precisa ser considerado", alerta Petlik. Por isso, hidratação, alimentação e pausas para descanso também entram na conta quando a ideia é atravessar uma maratona de shows. Quando a emoção pode ser um problema para o coração? Para a maioria das pessoas saudáveis, a euforia provocada por um show não representa um problema cardíaco. Há, no entanto, situações raras em que um estresse emocional muito intenso pode desencadear alterações cardiovasculares importantes, especialmente em pessoas predispostas. O principal cuidado, segundo Heron, é não presumir que qualquer sintoma seja apenas ansiedade. "O ponto não é ter medo de se emocionar. Emoção faz parte da experiência. O alerta é não atribuir automaticamente qualquer sintoma à ansiedade. Dor no peito importante, desmaio, falta de ar intensa ou palpitação persistente precisam ser avaliados, principalmente em quem já possui alguma condição cardiovascular", orienta. Talvez esteja aí parte da explicação para a sensação de que assistir ao artista favorito ao vivo é diferente de simplesmente apertar o play. A experiência envolve expectativa, emoção e significado — e o corpo responde a tudo isso. "O cérebro reconhece aquele momento como algo muito significativo e o organismo acompanha essa experiência. Então, quando alguém diz que o coração quase saiu pela boca ao ver o ídolo entrar no palco, existe um pouco de fisiologia nessa frase", brinca Carlo. No Rock in Rio, portanto, o coração não acompanha apenas a batida da música. Ele também reage à expectativa, à memória e à emoção de finalmente viver, diante do palco, um momento aguardado por meses ou até anos.
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Rock in Rio: por que o coração dispara quando você vê seu ídolo pela primeira vez?
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