O candidato à Presidência da República pelo Partido Liberal, Flávio Bolsonaro, voltou a atacar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, a quem chamou de “laranja podre” dentro da Corte. Em entrevista após visita do senador ao ex-assessor internacional Filipe Martins na cadeia em Ponta Grossa, no Paraná, Flávio buscou se distanciar de críticas ao STF e personalizar os ataques no ministro Alexandre de Moraes.
“Hoje, Alexandre de Moraes é uma laranja podre dentro do Supremo Tribunal Federal. A gente não pode deixar que toda a Corte seja contaminada por isso. Porque a magistratura, gente, não é Alexandre de Moraes. Essa não é a regra entre os magistrados, entre os juízes desse país. Essa não é a regra nem dentro do Supremo Tribunal Federal. Então, nós temos que proteger a população de pessoas como Alexandre de Moraes, que não tem a menor condição de continuar sendo ministro”, declarou Flávio.
Filipe Martins foi condenado pela Primeira Turma do Supremo a 21 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e está preso na cadeia pública de Ponta Grossa, no Paraná. A visita de Flávio foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes. Segundo Flávio, ele é “uma pessoa muito importante para nós” e que “não fez absolutamente nada de errado”.
Flávio acusou Moraes de incluir no inquérito das Fake News, do qual é relator, “alguém que ele obviamente quer perseguir”. “O gabinete do ministro Alexandre de Moraes é o gabinete da perseguição. É isso que ele tentou fazer com André Mendonça. Não vai conseguir fazer porque a opinião pública está vendo tudo o que está acontecendo nesse país”, disse o candidato.
Moraes pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que Mendonça seja investigado por suposto abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Ele também acusa o colega de quebra da imparcialidade judicial e favorecimento de grupos políticos nas investigações que tratam de um esquema de fraudes em descontos associativos de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do escândalo do Banco Master.
O pedido de investigação ocorreu dois dias depois de Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF) que citava mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, a um contato atribuído a Moraes. Nelas, Vorcaro buscava interferir e obter informações sobre as apurações que o levaram a ser preso em novembro do ano passado. O episódio abriu uma crise sem precedentes no Supremo, intensificada pelo pedido para que Mendonça seja investigado.
O senador Flávio Bolsonaro também fez críticas ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), depois que ele fez circular entre os colegas no Congresso Nacional que, se a pressão para dar início ao processo de impeachment de Moraes se tornar insustentável, iria também autorizar o processo contra André Mendonça.
“Eu lamento que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para minha decepção, agora tenha tomado coragem de falar em impeachment de ministro. Já tem mais de 54 pedidos de impeachment de Alexandre de Moraes parados, engavetados lá com ele na Presidência do Senado Federal”, pontuou Flávio.
“Por que agora ele quer pautar o impeachment de André Mendonça, exatamente o ministro que está relator de uma investigação que [trouxe] à tona a forma como Alexandre de Moraes conduz o seu gabinete dentro do Supremo Tribunal Federal, como toma as suas decisões? É lamentável”, completou o presidenciável.
Apesar das críticas, Flávio fez questão de diferenciar os ataques a Moraes de críticas à instituição do Supremo Tribunal Federal e disse que, se for eleito, seu papel como presidente da República será o de “proteger as instituições”. Flávio vem sendo aconselhado a não subir o tom contra a instituição e manter os ataques focados e personalizados em Moraes.
“A gente tem que proteger as instituições. Temos que proteger o Supremo Tribunal Federal de pessoas como Alexandre de Moraes. Já passou da hora de o impeachment dele ser pautado no Senado”, afirmou.
Flávio já havia enviado interlocutores para conversar com ministros da Suprema Corte após ampliar os ataques a Moraes. O coordenador de sua campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), procurou o ministro Gilmar Mendes para pôr panos quentes na relação com o STF.
Segundo relato feito ao Valor, Marinho disse a Gilmar Mendes ter convicção que a campanha bolsonarista sairá vitoriosa das eleições e que o próximo governo deverá preservar o diálogo institucional com o Supremo, o respeito às instituições e a normalidade democrática.
“A conversa foi objetiva, sou o coordenador da campanha e fui pra dizer o óbvio: que temos todo o interesse de manter a relação institucional e queremos a compreensão do ministro de que iremos cobrar a Suprema Corte, mas o tribunal não é nosso adversário. Podemos ter coisas objetivas contra um ministro que cometer irregularidades, mas fui lá conversar e dizer que a campanha e o futuro novo governo tem todo interesse em manter as relações institucionais”, afirmou Marinho ao Valor.
Os gestos demonstram uma tentativa por parte da campanha de Flávio de descolar as críticas a Moraes e o apelo pelo impeachment do ministro de ataques à instituições que possam ser vistos como “antidemocráticos”. A postura é uma mudança de tom do bolsonarismo, que costumeiramente atacava ao Supremo Tribunal Federal como um todo.
Valor