Rocinha recebe novas iniciativas sociais

 

Fonte:


Enquanto meninas ocupam o campo de futebol, estudantes se reúnem para discutir literatura e ampliar a visão de mundo. Duas iniciativas que começam a ganhar força na Rocinha apostam no esporte e na leitura como ferramentas de transformação social.

Para elas, com carinho: Mês da Mulher inspira programação especial na Barra

'O calçadão é um milk-shake cultural': Tese de doutorado sobre Copacabana dá origem a livro

O Craques da Rocinha, do Instituto Sempre Movimento, passou a contar com turmas específicas para garotas entre 7 e 12 anos. Hoje, 20 meninas participam da iniciativa, mas a meta é dobrar esse número até o fim do ano. Criado em 2021, o projeto atende crianças e adolescentes de 7 a 17 anos e utiliza o futebol como ferramenta de desenvolvimento social, incentivando a prática esportiva aliada à formação socioeducativa.

Segundo Amanda Costa, fundadora do Instituto Sempre Movimento e professora de educação física, a novidade surgiu após o interesse demonstrado pelas próprias meninas da comunidade. A ideia é oferecer um ambiente seguro em que elas possam se desenvolver dentro e fora de campo.

— Este é um espaço de proteção, onde as mulheres são protagonistas numa modalidade esportiva em que a visibilidade ainda é predominantemente masculina. Queremos brilho nos olhos e potência feminina dentro e fora de campo — diz Amanda.

Para participar é preciso estar matriculado numa escola e com bom desempenho acadêmico. O programa também inclui distribuição de cestas básicas para as famílias atendidas.

Craques da Bola. Projeto oferece aulas de futebol exclusivas para meninas entre 7 e 12 anos na Rocinha

Divulgação/Instituto Sempre Movimento

Já na área cultural, o projeto de educação Pecep criou o clube Dando a Letra para ampliar o acesso à leitura e estimular a interpretação, a escrita e o pensamento crítico entre jovens de classes populares. A iniciativa prevê encontros quinzenais para discutir obras literárias, além de conversas com escritores e contadores de histórias. Nesta primeira edição, 60 estudantes já foram selecionados para participar das atividades e receberão gratuitamente os livros trabalhados nos encontros.

— Ler, hoje, é um privilégio. Não apenas pelo acesso aos livros, cada vez mais caros, mas também pelo tempo necessário para ler, refletir e compartilhar impressões. Em um mundo marcado pela rapidez e a superficialidade da informação, a leitura crítica torna-se um exercício de desaceleração e de escuta do mundo. É também uma ferramenta importante para desenvolver empatia e formar cidadãos. O clube surge como um convite a desacelerar e a estimular a interpretação e o pensamento crítico — conta Pedro Lauria, diretor do Pecep.

Entre as obras escolhidas estão “Quarto de despejo – O diário de uma favelada”, da escritora Carolina Maria de Jesus; e “O som do rugido da onça”, de Micheliny Verunschk. O projeto também prevê a criação de uma biblioteca com mais de 200 títulos, que ficará disponível gratuitamente para estudantes e voluntários.

Interessados em participar podem se inscrever por meio de formulário disponível no Instagram @pecep.ong. Quem quiser atuar como voluntário pode enviar e-mail (contato@pecep.org) ou fazer contato via rede social.

Initial plugin text