Rivaldo Barbosa, Álvaro Lins e Marcus Amim: quem são os ex-chefes da Polícia Civil do Rio que já foram presos

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A prisão do ex-secretário de Polícia Civil Marcus Amim nesta quinta-feira fez chegar a cinco o número de antigos chefes da corporação presos no Rio de Janeiro desde 2008. Antes dele, os delegados Álvaro Lins, Ricardo Hallak, Allan Turnowski e Rivaldo Barbosa também foram detidos em operações policiais. Os casos, registrados ao longo de 18 anos, envolvem suspeitas de corrupção, ligações com o jogo do bicho, lavagem de dinheiro e obstrução à Justiça. Unha e Carne: Ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella e ex-secretário de Polícia Civil Marcus Amim são presos pela PF Investigação: PF afirma que Márcio Canella é 'patrono político' e 'articulador' de organização criminosa ligada ao Comando Vermelho Os ex-comandantes foram investigados em diferentes momentos e tiveram desdobramentos judiciais distintos. Enquanto alguns chegaram a ser condenados, outros conseguiram decisões favoráveis nos tribunais, incluindo a anulação de uma sentença e a revogação de prisões preventivas. Marcus Amim foi preso nesta quinta-feira pela Polícia Federal (PF) na oitava fase da Operação Unha e Carne, que investiga uma organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio como plataforma de lavagem de dinheiro. A ação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), também resultou na prisão do ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), além de quatro policiais civis. Segundo a PF, a rede de empresas investigada movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, conforme dados de um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O montante corresponde à movimentação financeira identificada, não necessariamente ao valor efetivamente lavado. Prisão de Canella e Amim: veja como funcionava esquema de lavagem de dinheiro em postos que movimentou R$ 7,6 bilhões, segundo a PF Os ex-comandantes foram investigados em diferentes momentos e tiveram desdobramentos judiciais distintos. Enquanto alguns chegaram a ser condenados, outros conseguiram decisões favoráveis nos tribunais, incluindo a anulação de uma sentença e a revogação de prisões preventivas. Marcus Amim foi preso pela Polícia Federal (PF) na oitava fase da Operação Unha e Carne, que investiga uma organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio como plataforma de lavagem de dinheiro. A ação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), também resultou na prisão do ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), além de quatro policiais civis. Segundo a PF, a rede de empresas investigada movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, conforme dados de um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O montante corresponde à movimentação financeira identificada, não necessariamente ao valor efetivamente lavado. Lavagem de dinheiro: PF aponta movimentação de R$ 7,6 bi em esquema investigado em operação que prendeu Marcio Canella e ex-secretário de Polícia Civil do Rio Amim, que comandou a Polícia Civil entre outubro de 2023 e setembro de 2024, é apontado pelos investigadores como um dos responsáveis por oferecer proteção institucional ao grupo. A investigação também o identifica como possível sócio oculto de postos de combustíveis e aponta o recebimento de R$ 1,8 milhão por meio de um contrato de consultoria sob suspeita. Antes de chefiar a corporação, o delegado presidiu o Detran-RJ. Em julho deste ano, já havia sido alvo de mandados de busca e apreensão na sexta fase da mesma operação. A chegada de Marcus Amim ao comando da corporação foi marcada por uma mudança na legislação estadual. Para viabilizar sua nomeação, o governo Cláudio Castro (PL) enviou à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) um projeto que alterava a Lei Orgânica da Polícia Civil, até então restrita a delegados com pelo menos 15 anos de exercício na função para ocupar o posto de secretário. Amim, que havia ingressado na instituição em 2002, tinha cerca de dez anos como delegado. A proposta, aprovada em regime de urgência em 18 de outubro de 2023, passou a considerar o tempo total de serviço na Polícia Civil, independentemente do cargo anteriormente ocupado. A mudança foi sancionada quando Amim foi nomeado secretáriO. Relembre os casos dos outros ex-chefes da Polícia Civil que foram presos Álvaro Lins: corrupção e exploração de caça-níqueis O delegado Álvaro Lins, que comandou a Polícia Civil durante os governos de Anthony e Rosinha Garotinho, foi preso em 29 de maio de 2008, durante a Operação Segurança Pública S/A, da Polícia Federal. Na ocasião, ele exercia o mandato de deputado estadual e foi acusado de integrar um esquema de corrupção que oferecia proteção a contraventores ligados ao jogo do bicho e à exploração de máquinas caça-níqueis. Segundo as investigações, a organização criminosa utilizava a estrutura da segurança pública para garantir proteção a atividades ilegais e cobrar propina. Lins foi acusado de crimes como corrupção passiva, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha armada e facilitação ao contrabando. Veja também: Quem é Márcio Canella, segundo deputado estadual mais votado do Rio, preso em operação da PF Um dia após a prisão, a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) aprovou sua libertação. Meses depois, em agosto daquele ano, os deputados cassaram seu mandato por quebra de decoro parlamentar. Em 2010, o ex-chefe da Polícia Civil foi condenado pela Justiça Federal a 28 anos de prisão. A sentença, no entanto, foi anulada em 2024, depois que o STF reconheceu a incompetência da Justiça Federal para julgar o caso e determinou a remessa do processo à Justiça Eleitoral. Em outubro daquele ano, Lins foi reintegrado à Polícia Civil do Rio, 15 anos depois de ter sido demitido administrativamente da corporação. Quem é Marcus Amim: delegado que comandou a Polícia Civil e teve nomeação articulada com Bacellar foi preso pela PF Ricardo Hallak: propina e ligações com o jogo do bicho Também preso em 2008, na mesma Operação Segurança Pública S/A, Ricardo Hallak havia sucedido Álvaro Lins no comando da Polícia Civil, durante o governo Rosinha Garotinho, em 2006. O delegado foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) por suspeita de participação em uma organização criminosa vinculada à exploração do jogo do bicho no Rio. De acordo com a acusação, integrantes do grupo utilizavam cargos públicos para obter vantagens indevidas e proteger atividades ilegais. Hallak foi condenado em primeira instância a cinco anos e nove meses de prisão por corrupção passiva. Após recurso, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) reduziu a pena para quatro anos e seis meses de reclusão. Prisão de Canella e Amim: PF identifica grupo criminoso que recebia avisos de servidores estaduais sobre fiscalizações em postos de combustíveis Esposas 'laranjas': investigação da PF mostra como policiais civis usavam mulheres em esquema de lavagem de dinheiro com postos de combustíveis Em 2020, a ministra Laurita Vaz, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), rejeitou um pedido da defesa para reduzir novamente a pena. A decisão considerou que Hallak havia se aproveitado da condição de delegado e do poder conferido pelo cargo de chefe da Polícia Civil para solicitar vantagem indevida. O ex-chefe da corporação morreu em novembro de 2023, aos 66 anos, após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC). Allan Turnowski: suspeita de ligação com bicheiros Ex-secretário de Polícia Civil nos governos Sérgio Cabral e Cláudio Castro, Allan Turnowski foi preso em setembro de 2022, durante a Operação Águia na Cabeça, conduzida pelo Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Rio. Turnowski chefiou a instituição em dois períodos, entre 2009 e 2011 e, posteriormente, entre 2020 e 2022. Ele havia deixado o cargo para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PL quando foi preso. De acordo com o Ministério Público, o delegado integraria uma organização criminosa formada por policiais civis e contraventores envolvidos na disputa pelo controle do jogo do bicho. Os investigadores apontaram que Turnowski teria atuado no vazamento de informações sigilosas e na proteção de interesses de integrantes do grupo. Segundo a denúncia, ele atuava como uma espécie de agente duplo na disputa entre os grupos dos contraventores Fernando Iggnácio, assassinado em 2020, e Rogério de Andrade. Eleições 2026: Ao contrário de São Paulo e Minas Gerais, Rio de Janeiro não teve fenômeno de votação nas urnas; especialistas analisam as razões O ex-secretário foi solto menos de um mês após a prisão, por determinação do ministro Nunes Marques, do STF, mediante o cumprimento de medidas cautelares. Em 2025, voltou à prisão após o restabelecimento da ordem de custódia. Em agosto daquele ano, no entanto, o STJ concedeu habeas corpus a Turnowski, substituindo novamente a prisão preventiva por medidas cautelares. Entre elas estavam a proibição de frequentar repartições da Polícia Civil, de manter contato com outros denunciados e de deixar o país. A defesa do ex-secretário nega as acusações. Rivaldo Barbosa: caso Marielle Franco O delegado Rivaldo Barbosa foi preso pela Polícia Federal em 24 de março de 2024, durante a operação que também deteve os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, apontados como mandantes dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorridos em março de 2018. Barbosa havia assumido a chefia da Polícia Civil em 13 de março de 2018, apenas um dia antes do atentado contra Marielle e Anderson. Ele foi nomeado durante a intervenção federal na segurança pública do Rio, comandada pelo general Walter Braga Netto, e permaneceu no cargo até dezembro daquele ano. Unha e carne: relembre todas as fases da operação da PF que tem revelado ligações de políticos com o crime organizado A investigação da PF apontou que o delegado teria atuado para garantir a impunidade dos responsáveis pelo crime, interferindo nas apurações e impedindo que os investigadores chegassem aos mandantes. Inicialmente, ele também foi acusado de participar do planejamento dos assassinatos. Em fevereiro de 2026, a Primeira Turma do STF condenou Rivaldo Barbosa a 18 anos de prisão pelos crimes de corrupção passiva e obstrução à Justiça. Os ministros, porém, não consideraram comprovada sua participação nos homicídios de Marielle e Anderson e o absolveram dessas acusações. Em junho, a Corte rejeitou recursos apresentados pelas defesas dos condenados no caso, mantendo a pena imposta ao ex-chefe da Polícia Civil.

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