Preços de petroleiros com 15 anos de uso crescem 110% e superam os de embarcações novas

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Fonte da notícia: Valor Valor

Os preços de petroleiros usados estão disparando devido à alta demanda por embarcações, uma vez que o conflito militar entre os Estados Unidos e o Irã obriga as companhias de navegação a evitar o Estreito de Ormuz.

Com a capacidade de construção naval limitada e os prazos de entrega cada vez mais longos, os preços de embarcações com 15 anos de uso estão, atualmente, cerca de 20% acima dos valores de embarcações novas.

As encomendas internacionais no período de abril a setembro registraram um aumento de 3,6% em relação ao ano anterior, segundo dados divulgados na quinta-feira pela Associação de Exportadores de Navios do Japão. A carteira de pedidos dos estaleiros japoneses atingiu 29,91 milhões de toneladas de arqueação bruta, volume equivalente a 3,5 anos de produção, com base nos níveis projetados para o ano fiscal de 2025.

A associação informou que já estão sendo firmados contratos para embarcações com entrega prevista para depois de 2030.

A escassez de oferta não se restringe ao Japão. Os estaleiros chineses, que detêm mais da metade do mercado global, apresentavam, ao final de junho, uma carteira de pedidos equivalente a sete anos de produção (com base nos níveis de 2025).

À medida que os prazos de entrega para novas embarcações se alongam, surgiu uma inversão de preços atípica entre navios novos e usados.

Segundo a Clarksons Research, sediada no Reino Unido, petroleiros de grande porte (VLCCs) com cinco anos de uso estão sendo cotados a US$ 215 milhões. Embarcações com 10 anos de uso custam US$ 190 milhões, e aquelas com 15 anos, US$ 160 milhões.

Todos esses valores superam o preço de US$ 131 milhões de uma embarcação nova — sendo que, no caso dos navios com 15 anos de uso, o preço chega a ser 22% superior.

Os preços de petroleiros usados subiram acentuadamente desde meados de junho. Em comparação com janeiro, os preços de embarcações com cinco anos de uso subiram cerca de 70%, enquanto os de navios com 10 anos de uso saltaram 80%, e os de embarcações com 15 anos de uso registraram uma alta de 110%.

Com o Estreito de Ormuz ainda apresentando riscos à navegação, países que dependem fortemente do petróleo do Oriente Médio estão intensificando esforços para garantir fontes alternativas de suprimento de petróleo bruto.

Anteriormente, o petróleo bruto podia ser transportado pelo Estreito de Ormuz até o Japão e outras partes do Leste Asiático em cerca de 20 dias. Já a obtenção de petróleo a partir da Costa do Golfo dos Estados Unidos leva mais de 50 dias para os navios do tipo VLCC, que não conseguem atravessar o Canal do Panamá e precisam cruzar o Oceano Atlântico e contornar o Cabo da Boa Esperança, na extremidade sul da África.

Essas viagens mais longas elevaram drasticamente a demanda por navios-tanque.

As taxas de afretamento para esses navios também estão disparando. Segundo a Clarksons Research, a taxa diária para o afretamento de um VLCC por um período de três anos estava em torno de US$ 109 mil em outubro — quase o dobro do valor registrado em janeiro.

Os armadores buscam aproveitar o atual momento de alta, mas há escassez de navios-tanque. Como a construção de novas embarcações leva anos, os proprietários têm recorrido a navios usados.

Um armador grego comprou recentemente dois VLCCs com 15 anos de uso, segundo a empresa britânica Seasure Shipbroking. A MarineNet, empresa de informações sobre o setor marítimo sediada em Tóquio, afirmou que "há uma demanda forte por embarcações usadas que possam entrar em operação imediatamente, enquanto as condições de mercado permanecem favoráveis".

Tradicionalmente, o Japão depende do Oriente Médio para cerca de 90% de seu suprimento de petróleo bruto. Em resposta à crise atual, o governo está se mobilizando para garantir fornecedores alternativos e reduzir essa dependência. Movimentos semelhantes estão ocorrendo em outros países.

Espera-se também um aumento na demanda pela substituição de embarcações que ultrapassaram sua vida útil, estimada em cerca de 20 anos. Em um relatório, a Clarksons Research indicou que a necessidade de substituir navios antigos e atender a exigências ambientais sustentará a demanda por novas construções navais.

Para os estaleiros japoneses, a questão agora é saber que parcela dessa demanda eles conseguirão capturar. O Japão pretende dobrar a produção nacional de construção naval — tomando como base os níveis de 2024 — para 18 milhões de toneladas de arqueação bruta em 2035. Um fundo criado pelo governo para revitalizar o setor está apoiando o aumento da capacidade, com um investimento conjunto dos setores público e privado de cerca de 900 bilhões de ienes (US$ 5,69 bilhões).

A indústria naval japonesa detinha cerca de metade do mercado global na década de 1970, mas sua participação caiu para pouco mais de 10%. A China, atualmente a maior construtora naval do mundo, busca expandir ainda mais sua produção, em uma corrida para atender à crescente demanda.

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