Com 'intensidade excepcional', El Niño é ameaça 'aterradora' para corais, diz especialista

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O atual fenômeno El Niño, de intensidade excepcional, representa uma ameaça "aterradora" para os valiosos recifes de coral do mundo, declarou David Obura, presidente de um grupo de especialistas em biodiversidade apoiado pela ONU. O cientista liderou um amplo estudo, publicado nesta quinta-feira na revista Nature, que mostra a grave deterioração do estado de saúde dos corais construtores de recifes desde o último relatório global, em 2008. Leia mais: Estragos em cidades gaúchas e Cataratas do Iguaçu com força dez vezes além do normal: El Niño intensifica chuvas no Sul Rachel: Passagem de tempestade tropical deixa ao menos oito mortos no México Período de 'vacas magras': El Niño impacta mercados de gado de El Salvador "Nossos resultados mostram que, em 2020, cerca de metade de todas as espécies de corais estavam em alto risco de extinção", principalmente devido às mudanças climáticas, conclui o estudo realizado por dezenas de pesquisadores. No entanto, este estudo baseia-se apenas em informações até 2020, e as conclusões poderiam ser ainda mais alarmantes hoje, explicou Obura, pesquisador queniano que preside a Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES). Galerias Relacionadas Desde então, as temperaturas dos oceanos atingiram níveis recordes, com o impacto adicional do atual El Niño, que apresenta uma intensidade excepcional. Isso acrescenta "um nível de risco adicional aterrorizante", disse Obura à AFP. Trata-se de um fenômeno natural que eleva a temperatura da superfície do Oceano Pacífico e altera os padrões de ventos e precipitações no planeta. O evento atual, declarado em junho, pode se tornar o mais intenso já registrado, ampliando os efeitos das mudanças climáticas causadas pelo ser humano. Obura destaca as consequências devastadoras para os corais de um "super El Niño" anterior, ocorrido em 1997-1998. O fato de o episódio atual ser previsto como ainda mais intenso é, para ele, uma "realidade aterrorizante". "É perfeitamente possível que uma reavaliação do estado dos corais, logo após este El Niño, mostre que mais de 50% das espécies correm alto risco de extinção", teme o cientista. Galerias Relacionadas Os corais já estão morrendo em grande escala, e muitos cientistas observam seu colapso nos trópicos. Os corais — barreiras contra a erosão e reservas de biodiversidade que também armazenam carbono — sofrem branqueamento devido ao calor, o que os torna particularmente vulneráveis ​​ao aquecimento global. Em oceanos mais quentes, eles expulsam os microrganismos que lhes conferem cores vibrantes e alimento, acabando por morrer de fome.

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