A fabricante de microprocessadores Intel registrou lucro de US$ 3,3 bilhões no terceiro trimestre, queda de 18% na comparação com o ganho de US$ 4,1 bilhões de um ano antes. As projeções para o quarto trimestre e a queda nas vendas de computadores pessoais (PCs) derrubaram as ações da companhia.
Logo após a divulgação do balanço na tarde desta quinta-feira (29), as ações da Intel chegaram a cair 20,19%, após o fechamento da bolsa americana Nasdaq. No pregão regular os papéis fecharam em queda de 3,62%, a US$ 92,07.
A empresa americana fechou o trimestre encerrado em setembro com lucro por ação de US$ 0,60, valor 33% inferior ao apresentado um ano antes (US$ 0,90 por ação). Já o ganho ajustado por ação foi de US$ 0,52, alta de 126% na base anual.
O resultado superou a estimativa de analistas sondados pela Zacks Investment Research, que projetavam lucro por ação ajustado de US$ 0,39 para o período. A receita somou US$ 16,5 bilhões, alta de 21% ante o terceiro trimestre de 2025.
O valor ficou em linha com a receita de US$ 16,44 bilhões prevista na sondagem da Zacks. Para o quarto trimestre, a companhia prevê uma receita de US$ 15 bilhões a US$ 16 bilhões, patamar inferior ao apresentado no balanço divulgado ontem (29).
Os analistas esperavam uma projeção maior, entre US$ 17,7 bilhões e US$ 18 bilhões para o período. “A Intel apresentou uma projeção para o quarto trimestre abaixo das expectativas e os negócios de PCs estão enfraquecidos, refletindo o salto global nos preços de chips de memória que encarecem os computadores”, disse Gabriela Moraes, analista do fundo Global Tech da gestora São Pedro Capital, ao Valor.
A margem bruta da Intel no terceiro trimestre, de 38%, também veio abaixo dos 44% esperados pelo mercado, completa a analista. A receita da divisão de chips para data centers alcançou US$ 7,3 bilhões nos três meses encerrados em setembro, crescimento de 78% na comparação anual.
Já as vendas de chips para computadores pessoais recuaram. A divisão gerou receita de US$ 8,1 bilhões, queda de 5% na comparação anual.
“Apesar dos desafios de curto prazo em todo o setor de PCs, a demanda por nossas CPUs permanece robusta, reforçando nossa confiança nas oportunidades de crescimento de longo prazo para nossos negócios”, disse o CEO da Intel, Lip-Bu Tan, em comunicado aos acionistas. A perspectiva para o mercado de computadores não é favorável.
Gabriela Moraes lembra que o diretor executivo de finanças e vice-presidente executivo da Intel, David Zinsner “disse que a queda nas vendas de PCs vai durar até, pelo menos, o primeiro semestre de 2027”.
Valor