247 – A especialista em políticas digitais Renata Mielli afirmou, em entrevista ao programa Boa Noite 247, da TV 247, que não há motivo para questionar a segurança das urnas eletrônicas brasileiras em razão da utilização dos serviços da Starlink, empresa de comunicação por satélite controlada pelo empresário Elon Musk.
Segundo ela, a companhia não participa da apuração dos votos e sua atuação está restrita à transmissão de dados em regiões onde há dificuldades de conectividade. A declaração foi feita em resposta a questionamentos sobre a possibilidade de interferência da Starlink no processo eleitoral brasileiro, especialmente na etapa de transmissão dos resultados das urnas para a Justiça Eleitoral.
Mielli procurou esclarecer a diferença entre o serviço de comunicação utilizado para transportar informações e os procedimentos responsáveis pelo registro, pela contabilização e pela totalização dos votos. “A Starlink não participa da apuração dos votos.
A urna eletrônica é confiável. O voto é confiável”, afirmou.
De acordo com a especialista, a utilização de uma infraestrutura de comunicação fornecida por uma empresa privada não significa que essa companhia tenha acesso aos mecanismos responsáveis pela contagem dos votos ou capacidade de modificar os resultados registrados nas urnas. “A única coisa que a Starlink vai fazer é fazer a transmissão de um local das regiões mais remotas para o TSE numa intranet.
É uma rede que não é ligada à internet”, explicou. A distinção apresentada por Mielli é fundamental para compreender o funcionamento do sistema eleitoral.
A urna eletrônica registra os votos em um equipamento que não depende de conexão com a internet para realizar a votação. Encerrada essa etapa, os resultados são consolidados em arquivos digitais que seguem procedimentos de segurança estabelecidos pela Justiça Eleitoral.
A transmissão desses arquivos constitui uma operação diferente da votação propriamente dita. Enquanto a urna registra e contabiliza os votos recebidos, os sistemas de comunicação são utilizados para encaminhar os resultados à estrutura responsável pela totalização.
Nesse processo, serviços de telecomunicações podem ser empregados para permitir o envio das informações, sobretudo em localidades onde a infraestrutura convencional apresenta limitações. Isso não significa, entretanto, que os fornecedores desses serviços participem da contagem dos votos.
Mielli destacou que os dados transmitidos são protegidos por mecanismos de criptografia, destinados a impedir a leitura ou a alteração não autorizada das informações durante seu transporte. “Esses dados não trafegam na internet, é uma intranet, e esses dados das urnas são criptografados”, declarou.
A criptografia constitui uma das camadas de proteção empregadas no processo de transmissão. Sua função é proteger as informações, de modo que o transporte dos arquivos por uma infraestrutura de comunicação não implique, por si só, acesso ao conteúdo em condições que permitam sua manipulação.
No sistema brasileiro, a segurança eleitoral também envolve mecanismos de autenticação, assinatura digital e verificação da integridade dos arquivos. Esses procedimentos buscam assegurar que os dados recebidos correspondam aos resultados produzidos pelos equipamentos de votação.
A explicação da entrevistada responde a uma preocupação relacionada ao fato de a Starlink pertencer a Elon Musk, empresário que também controla a plataforma X e que já protagonizou confrontos públicos com autoridades brasileiras. Para Mielli, porém, a avaliação sobre a integridade da votação deve considerar o funcionamento técnico do sistema eleitoral, e não apenas a identidade da empresa contratada para prestar serviços de comunicação.
A especialista foi categórica ao afastar a associação entre o uso da Starlink e uma eventual vulnerabilidade das urnas. Sua argumentação se concentra na separação entre as diferentes etapas do processo: o registro dos votos, a produção dos resultados, a transmissão dos arquivos e a totalização realizada pela Justiça Eleitoral.
Essa separação significa que a empresa responsável pelo transporte das informações não exerce a mesma função dos equipamentos e sistemas que realizam a apuração. A prestação de um serviço de conectividade não confere, por si só, controle sobre o conteúdo dos arquivos eleitorais.
Ao abordar as dúvidas manifestadas por espectadores do programa, Mielli também ressaltou a importância de preservar a confiança no sistema eletrônico de votação. Em sua avaliação, questionamentos sobre a participação de empresas de telecomunicações não devem ser confundidos com evidências de comprometimento da integridade das urnas.
“Nós não temos que questionar a integridade da urna eletrônica. Esse é o papel deles.
Nós temos que defender a urna eletrônica”, afirmou. A posição de Renata Mielli enfatiza que a segurança do voto deve ser analisada a partir dos mecanismos de proteção do sistema eleitoral.
A existência de serviços de transmissão por satélite, inclusive os fornecidos pela Starlink, não altera a responsabilidade da Justiça Eleitoral sobre os procedimentos de apuração e totalização. Para a especialista, portanto, não há fundamento, nas circunstâncias descritas durante a entrevista, para atribuir à Starlink capacidade de interferir na contagem dos votos.
Sua mensagem foi a de que a utilização de infraestrutura de comunicação não deve ser confundida com o controle do processo eleitoral brasileiro.
Brasil 247