Um relatório recém-divulgado pelo Cenipa, órgão da Aeronáutica que apura acidentes aéreos, aponta a localização do zoológico de Brasília como um fator de risco para voos. O local foi citado como um dos três focos atrativos de fauna no interior da área de segurança aeroportuária (ASA).
O documento destaca o zoológico em razão de sua “elevada atratividade para espécies de risco para a aviação”. A menção consta em reporte preliminar referente à apuração de um incidente envolvendo um avião da Latam que colidiu com pássaros ao decolar de Brasília rumo a Salvador e precisou retornar à capital federal.
Uma ave foi sugada pelo motor esquerdo da aeronave, provocando um problema interno no propulsor. Durante a subida inicial, passageiros e moradores observaram a emissão de fumaça.
Após a colisão, a tripulação realizou duas órbitas sobre a região antes de retornar ao aeroporto de origem. Uma fotografia anexada ao relatório, feita durante uma vistoria no zoológico, mostra uma aglomeração de aves na região.
Como há outros animais e comida no local, muitos pássaros acabam sobrevoando a cabeceira da pista do aeroporto por onde passam, além de milhões de passageiros, diversas autoridades do país, incluindo, os presidentes dos três Poderes. Hoje, a gestão de fauna nessas áreas enfrenta um limbo.
Está na Casa Civil um decreto que regulamenta a gestão do risco de fauna no entorno dos aeroportos brasileiros. A lei foi aprovada em 2012, mas segue sem regulamentação.
Entre 2019 e 2025, foram registradas 11 mil colisões de pássaros em aviões — uma média de um a cada cinco horas — na aviação comercial regular. Somente no ano passado, houve 2.131 colisões, uma alta de 21% em relação aos 1.758 casos reportados em 2024, conhecidos como “bird strikes”.
O Globo