Rejeição a Trump mobiliza eleitor em cidade da Virgínia

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Fonte da notícia: Valor Valor

Quem desembarcava na estação de trem da histórica Fredericksburg, no meio do caminho entre a capital Washington e Richmond, no dia da eleição de meio de mandato, 3 de novembro, logo via a enorme placa de Bert Mizusawa, candidato republicano ao Senado pelo estado da Virgínia. A poucos passos dali, na principal rua comercial da cidade, o que se acumulava, porém, eram cartazes do senador Mark Warner e do deputado Eugene Vindman, candidatos democratas à reeleição.

Com pouco mais de 30 mil habitantes e rodeada de condados republicanos, Fredericksburg é um microcosmo do que moveu americanos no país a irem às urnas, bem como do fortalecimento democrata. Lá, a vitória do partido era vista como provável em ambas as disputas - Senado e Câmara dos Deputados, pelo 7º distrito -, o que se concretizou, projetou a Associated Press.

Em uma de suas ruas palco de batalhas da Guerra Civil, um carro aparentes armas acopladas na lateral chama a atenção. “Isso aí? Ignora”, diz o trabalhador de uma construção.

O carro não é dele. “Somos uma cidade mais liberal, mas, do outro lado do rio [Rappahannock], dependendo do candidato, republicanos ganham.”

O trabalhador pediu para não ser identificado, mas conta que ele próprio votava com os republicanos até os anos 2000. Desde Barack Obama, em 2009, porém, passou para os democratas.

“Gosto das políticas sociais deles. Seguro de saúde é muito importante”, diz ele, que já tinha votado antes do dia 3.

A eleição no 7º distrito ficou menos competitiva esse ano do que dois anos atrás devido à enorme arrecadação de fundos dos democratas e à indignação da população com Donald Trump, o que impulsionou o voto antecipado, diz Stephen Farnsworth, professor emérito de Ciência Política na University of Mary Washington, que fica em Fredericksburg.

Ao longo do corredor da rodovia interestadual 95 (i-95) - a principal ligação norte-sul na Costa Leste -, eleitores sentem-se pressionados pelos preços de moradia, gasolina e alimento, afirma Farnsworth. O preço da energia também preocupa, já que a maior concessionária da região aumentou tarifas diante da disparada na demanda com a construção de data centers, diz Alex Keena, professor associado de Ciência Política na Virginia Commonwealth University.

Além de gostar dos democratas, o trabalhador da construção afirma não gostar particularmente da gestão Trump. Como motivo, ele cita a guerra no Irã, o conflito em Gaza e a atuação do serviço de imigração.

“E tem também o Trump como pessoa. Seu histórico de comportamento.”

Para o eleitor independente Phillip Carter, consultor e ex-diplomata, a corrupção parece ter se tornado comum nos EUA. Ele também critica decisões econômicas de Trump, como as tarifas “sem sentido”.

Carter aposta em uma “vitória esmagadora” da oposição, embora reconheça que, às vezes, “democratas são seus próprios piores inimigos”. Moradora de Fredericksburg há 47 anos, Margie Tankersley elogia Trump enquanto líder capaz de controlar fronteiras, reindustrializar o país e reduzir a criminalidade.

Ela também diz apoiar a guerra no Irã. “Lamento que tenha se prolongado tanto.

Mas guerra é guerra. Muitas coisas inesperadas acontecem.” Apesar de suas convicções, Tankersley não se diz otimista com o resultado das eleições.

Em frente à escola com mais eleitores registrados na cidade, Carter pedia votos para seu filho Justin, veterano do Afeganistão e candidato independente ao conselho escolar. “Aqui tentamos ser independentes em cargos locais não partidários.

A atividade da comunidade é a essência da democracia americana. E, se voltarmos aos ‘pais fundadores’, eles não gostavam de partidos.

Eles acreditavam que deveriam votar nos méritos e argumentos dos candidatos.” Sentado em um café com seu filho e usando um adesivo “eu votei”, Alex diz sempre comparecer às urnas.

Ele não quer ter o sobrenome divulgado. Alex afirma que o que o motiva a votar é a liberdade de escolha e a estabilidade econômica - que diz ver para si, mas não necessariamente para todos no momento.

“Voto na pessoa, não no partido”, afirma. Carter diz acreditar que, apesar das divergências, a maioria em Fredericksburg convive em harmonia.

“Não temos escolha. Quer dizer, a política é importante, mas também não é a vida toda, certo?”

Publicação Original Valor valor.globo.com
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