A resposta dos países importadores à confirmação de um foco da doença de Newcastle em Santa Catarina foi "mais moderada" do que em outros episódios recentes, segundo avaliação do Itaú BBA divulgada nesta sexta-feira (23/10). O caso foi identificado pelo Ministério da Agricultura em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba (SC) na última segunda-feira (19/10).
China, Arábia Saudita e Chile, que estão entre os principais importadores de produtos avícolas do Brasil, adotaram a regionalização das restrições, limitando as medidas apenas ao Estado de Santa Catarina. México e Malásia optaram por suspensões de alcance nacional.
"Para o Brasil, o impacto agregado tende a ser limitado, já que a maior parte dos Estados continua habilitada a exportar para os principais mercados compradores", informou o Itaú BBA. O relatório aponta, porém, que Santa Catarina possui elevada exposição ao comércio internacional, uma vez que cerca de 63% da produção é destinada à exportação.
A análise também aponta que a comparação com os casos de Newcastle em Anta Gorda (RS), em 2024, e de gripe aviária em Montenegro (RS), em 2025, demonstram que a normalização comercial costuma ser muito mais lenta que a sanitária. "O principal risco não está na contenção do foco atual, mas sim no tempo necessário para a reabertura dos mercados da China e da Arábia Saudita", aponta a instituição.
De acordo com o banco, os efeitos econômicos mais imediatos recaem sobre as processadoras e cooperativas catarinenses, que podem enfrentar aumento de estoques, custos logísticos e pressão sobre o fluxo de caixa.
Globo Rural